Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2023
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qq891809
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Anestesiologia Pediátrica)
O nível de evidência científica para a utilização da Ecocardiografia Transesofágica (ETE) para uma cirurgia de correção de cardiopatia congênita com utilização de circulação extracorpórea é:
AClasse I.
BClasse IIa.
CClasse IIb.
DClasse III.
ENão se tem volume de evidências científicas suficiente para determinar o nível de evidência.
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GabaritoA — Classe I.
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Ecocardiografia Transesofágica em Cirurgia de Cardiopatia Congênita com CEC
Gabarito: letra A. A utilização da ecocardiografia transesofágica (ETE) durante cirurgia de correção de cardiopatia congênita com circulação extracorpórea (CEC) é uma recomendação Classe I, ou seja, o procedimento é considerado benéfico, útil e efetivo, com forte recomendação baseada em evidências ou consenso de especialistas. Essa classificação reflete o papel fundamental da ETE no monitoramento intraoperatório e na avaliação imediata do resultado cirúrgico, sendo amplamente respaldada por diretrizes de sociedades de cardiologia e cirurgia cardiovascular.
A classificação de recomendações em diretrizes médicas segue um sistema padronizado que expressa tanto o benefício quanto o nível de evidência que sustenta cada conduta. A Classe I indica que o procedimento deve ser realizado, pois os benefícios superam claramente os riscos. A Classe IIa sugere que o procedimento é razoável, com benefícios provavelmente superiores aos riscos. A Classe IIb indica que o procedimento pode ser considerado, mas com benefícios incertos ou menos estabelecidos. Já a Classe III aponta que o procedimento não é recomendado, podendo até ser prejudicial. No contexto específico da ETE em cirurgia cardíaca congênita, a recomendação é inequívoca: a modalidade é essencial para guiar a cirurgia, detectar lesões residuais e otimizar o desmame da CEC.
A ETE oferece vantagens únicas durante o intraoperatório: fornece imagens de alta resolução das estruturas cardíacas, permite avaliação em tempo real da função ventricular, da competência valvar e da presença de shunts residuais, além de auxiliar no posicionamento de canulas e na detecção de complicações como dissecção aórtica ou embolia gasosa. Em cardiopatias congênitas, onde a anatomia é frequentemente complexa e a correção cirúrgica pode envolver múltiplas etapas, a ETE tornou-se um componente padrão do monitoramento, sendo incorporada às rotinas dos centros de referência. Essa prática é respaldada por diretrizes internacionais, como as da American Society of Echocardiography (ASE) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), que classificam a indicação como Classe I, com nível de evidência B ou C, dependendo do contexto específico.
A pegadinha desta questão reside na tentativa de o candidato subestimar a importância da ETE, considerando-a uma ferramenta opcional ou de evidência limitada. No entanto, a literatura e as diretrizes são claras: a ETE é recomendada de forma forte (Classe I) para o monitoramento intraoperatório em cirurgias de cardiopatias congênitas com CEC. A alternativa E, que sugere ausência de evidências suficientes, é um distrator clássico, pois ignora o acúmulo de dados e o consenso estabelecido. As demais classes (IIa, IIb, III) representam graus de recomendação mais fracos, que não correspondem ao papel consolidado da ETE nesse cenário.
Para fixar: a ETE não é apenas útil, é recomendada de forma forte (Classe I) no intraoperatório de cirurgias cardíacas congênitas com CEC. Essa é uma distinção crucial que separa a alternativa correta das demais.
Classes de recomendação
1Classe I
Benéfico, útil e efetivo
Deve ser realizado
2Classe IIa
Razoável, benefício provável
3Classe IIb
Pode ser considerado, benefício incerto
4Classe III
Não recomendado, pode ser prejudicial
5ETE intraoperatória (cardiopatia congênita com CEC)
Classe I
Monitoramento em tempo real
Detecção de lesões residuais
Otimização do desmame da CEC
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ETE é indicada como Classe I para monitoramento intraoperatório em cirurgia de correção de cardiopatia congênita com CEC. Isso significa que o procedimento é considerado benéfico, útil e efetivo, com forte recomendação. As diretrizes de ecocardiografia e de cirurgia cardiovascular estabelecem que a ETE deve ser utilizada rotineiramente nesse contexto, pois fornece informações essenciais para a tomada de decisão cirúrgica e para a avaliação imediata do resultado, contribuindo para a redução de complicações e melhora do desfecho.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A Classe IIa indica que o procedimento é razoável, com benefícios provavelmente superiores aos riscos, mas não é a recomendação máxima. No caso da ETE em cirurgia congênita com CEC, a recomendação é mais forte (Classe I), pois há consenso e evidências robustas de benefício. A banca tenta confundir o candidato ao oferecer uma classe intermediária, mas a ETE não é apenas "razoável" — ela é essencial.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A Classe IIb sugere que o procedimento pode ser considerado, mas com benefícios incertos ou menos estabelecidos. Isso não se aplica à ETE no contexto descrito, pois a utilidade do método é bem documentada e amplamente aceita. A alternativa subestima o papel da ETE, tratando-a como uma opção de evidência fraca, o que contraria a prática clínica e as diretrizes.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A Classe III indica que o procedimento não é recomendado, podendo ser prejudicial. Isso é completamente oposto à realidade: a ETE é segura e benéfica quando realizada por profissionais treinados, e sua utilização no intraoperatório de cirurgias congênitas é padrão. A alternativa é um distrator extremo, que nega o valor do método.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirmar que não há evidências científicas suficientes é incorreto. Existe um corpo substancial de literatura e diretrizes que respaldam a ETE como Classe I nesse cenário. A alternativa tenta explorar a ideia de que a evidência seria insuficiente, mas o consenso é claro e a recomendação é forte. O candidato deve reconhecer que a ETE é uma ferramenta consolidada, não experimental.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a hierarquia das classes de recomendação, oferecendo classes intermediárias (IIa, IIb) e até a negação de evidência (E) para confundir. O candidato pode hesitar entre Classe I e IIa, mas a ETE em cirurgia congênita com CEC é inequivocamente Classe I. Lembre-se: quando a diretriz é clara e o benefício é bem estabelecido, a classe é I.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre classes de recomendação, memorize a escala: I (forte), IIa (razoável), IIb (fraca), III (não recomendada). Associe a ETE intraoperatória a "padrão-ouro" e "obrigatória" — isso a coloca automaticamente na Classe I. Revise as indicações de ETE em diretrizes de cardiologia para reforçar o conceito.