Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Traumas — FUNDATEC 2023

MedicinaTraumas
Código
qq891884
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Cirurgia Geral)
Homem, 50 anos de idade, foi admitido na emergência após um acidente de carro. Ele apresenta lesões múltiplas, incluindo fraturas, contusões e lacerações. Durante a avaliação inicial, foi observado aumento da frequência cardíaca e da temperatura corporal. Em relação à resposta metabólica ao trauma, considere as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.( ) O paciente apresentará aumento do gasto energético em repouso.( ) Devido à diminuição da glicogênese pela injúria do trauma é esperado episódios de hipoglicemia.( ) O cortisol é um dos hormônios do estresse que serão produzidos em resposta ao trauma.( ) A liberação de catecolaminas durante o choque produz aumento da frequência cardíaca, da resistência vascular periférica e da contratilidade, resultando num incremento da pressão arterial.A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
  1. AV – F – V – V.
  2. BF – V – F – V.
  3. CF – F – V – V.
  4. DV – F – V – F.
  5. EV – V – F – F.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — V – F – V – V.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Resposta metabólica ao trauma

Gabarito: letra A (V – F – V – V). A resposta metabólica ao trauma é um estado hipermetabólico e hipercatabólico: há aumento do gasto energético em repouso (assertiva I verdadeira), elevação do cortisol como hormônio do estresse (assertiva III verdadeira) e liberação de catecolaminas que aumentam frequência cardíaca, resistência vascular periférica e contratilidade, elevando a pressão arterial (assertiva IV verdadeira). A assertiva II é falsa porque o trauma induz hiperglicemia (por glicogenólise e gliconeogênese), e não hipoglicemia — a banca inverteu o sentido do distúrbio metabólico.

A resposta metabólica ao trauma é uma cascata neuroendócrina e inflamatória desencadeada para preservar a homeostase e promover a sobrevivência. Ela se inicia com a ativação do sistema nervoso simpático e do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, resultando na liberação de hormônios do estresse: catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), cortisol, glucagon e hormônio do crescimento. Classicamente, divide-se em duas fases: a fase de "ebb" (fluxo diminuído), nas primeiras 24–48 horas, com hipometabolismo, hipotermia e diminuição do débito cardíaco; e a fase de "flow" (fluxo), que se segue, marcada por hipermetabolismo, hipertermia, aumento do consumo de oxigênio e catabolismo proteico.

O aumento do gasto energético em repouso (GER) é uma das marcas da fase de "flow". O corpo eleva a taxa metabólica basal para fornecer energia aos processos de reparo tecidual, resposta imune e síntese de proteínas de fase aguda. Esse hipermetabolismo é proporcional à gravidade do trauma e pode persistir por dias ou semanas, sendo um dos pilares do suporte nutricional agressivo no politraumatizado.

A glicemia no trauma segue direção oposta à sugerida pela assertiva II. O estresse cirúrgico/traumático promove hiperglicemia por múltiplos mecanismos: aumento da glicogenólise hepática, gliconeogênese estimulada por cortisol e glucagon, e resistência periférica à insulina. A hipoglicemia não é esperada; ao contrário, a hiperglicemia de estresse é comum e associada a pior prognóstico em pacientes críticos. A banca trocou o termo "glicogênese" (que nem é o processo dominante) e inverteu o resultado metabólico.

O cortisol é, de fato, um dos principais hormônios do estresse. Sua secreção é estimulada pelo ACTH hipofisário, e ele potencializa a ação das catecolaminas, promove gliconeogênese, catabolismo proteico e modula a resposta inflamatória. Já as catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) são liberadas pela medula adrenal e por terminações simpáticas, produzindo taquicardia, vasoconstrição periférica e aumento da contratilidade miocárdica — efeitos que elevam a pressão arterial, mecanismo compensatório essencial no choque.

A pegadinha central desta questão está na assertiva II: o candidato que decora "trauma = estresse = catabolismo" pode assumir que haverá queda da glicose, mas o organismo responde com hiperglicemia para garantir substrato energético aos tecidos vitais. Guarde o par: trauma → hipermetabolismo + hiperglicemia + cortisol elevado + catecolaminas elevadas.

  1. 1Ativação simpática e eixo HHA
  2. 2Liberação de hormônios do estresse
  3. 3Fase ebb (hipometabolismo)
  4. 4Fase flow (hipermetabolismo)
LEVEL · soulevel.com.br

Assertiva I — ✅ Verdadeira

O paciente traumatizado apresenta aumento do gasto energético em repouso. Isso é consequência da fase de "flow" da resposta metabólica, com hipermetabolismo, aumento do consumo de oxigênio e catabolismo proteico. O GER pode elevar-se em 20–50% ou mais, dependendo da gravidade do trauma. A assertiva está correta e é um dos pilares do suporte nutricional precoce.

Assertiva II — ❌ Falsa

Afirma que "devido à diminuição da glicogênese pela injúria do trauma é esperado episódios de hipoglicemia". O erro é duplo: (1) o processo dominante no trauma não é a glicogênese (síntese de glicogênio), mas sim a glicogenólise e a gliconeogênese; (2) o resultado metabólico é hiperglicemia, não hipoglicemia. O cortisol e o glucagon elevados estimulam a produção hepática de glicose, e a resistência à insulina reduz sua captação periférica. A hipoglicemia não é esperada no trauma isolado — ela pode ocorrer em outras situações (jejum prolongado, insuficiência adrenal, sepse grave), mas não como resposta padrão ao trauma.

Assertiva III — ✅ Verdadeira

O cortisol é, de fato, um dos hormônios do estresse produzidos em resposta ao trauma. Ele é secretado pela suprarrenal sob estímulo do ACTH, e suas ações incluem: gliconeogênese, catabolismo proteico, lipólise, modulação inflamatória e potencialização das catecolaminas. A assertiva está correta e reflete a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.

Assertiva IV — ✅ Verdadeira

A liberação de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) durante o choque produz aumento da frequência cardíaca, da resistência vascular periférica e da contratilidade, resultando em incremento da pressão arterial. Esses são os efeitos clássicos dos receptores β1 (cronotropismo e inotropismo positivos) e α1 (vasoconstrição). A assertiva está correta e descreve o mecanismo compensatório neuro-hormonal do choque.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverteu o distúrbio glicêmico na assertiva II. O candidato que associa trauma a catabolismo pode achar que haverá hipoglicemia, mas o organismo responde com hiperglicemia (glicogenólise + gliconeogênese + resistência à insulina). Memorize: trauma → glicose alta, não baixa. Com treino, você enxerga essa inversão de longe 💪.

Conclusão: Verdadeiras: I, III e IV. Falsas: apenas II. Portanto, a sequência correta é V – F – V – V, correspondente à letra A.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/qq891884