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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qq891964
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Clínica Médica)
Qual das seguintes opções é uma característica que diferencia a taquicardia ventricular sustentada da fibrilação ventricular?
  1. AA taquicardia ventricular sustentada apresenta ondas P dissociadas, enquanto na fibrilação ventricular não há ondas P.
  2. BNa taquicardia ventricular sustentada, as ondas QRS são largas e monomórficas, enquanto na fibrilação ventricular são finas e polimórficas.
  3. CA taquicardia ventricular sustentada é mais comum em pacientes com doença coronariana, enquanto a fibrilação ventricular é mais comum em pacientes com cardiomiopatia.
  4. DNa taquicardia ventricular sustentada, as palpitações são intermitentes e podem durar vários minutos, enquanto na fibrilação ventricular as palpitações são constantes e geralmente requerem intervenção imediata.
  5. ENa taquicardia ventricular sustentada, há movimentos caóticos do coração, enquanto na fibrilação ventricular há uma série de contrações rítmicas e coordenadas.
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GabaritoB — Na taquicardia ventricular sustentada, as ondas QRS são largas e monomórficas, enquanto na fibrilação ventricular são finas e polimórficas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Taquicardia ventricular sustentada × fibrilação ventricular

Gabarito: letra B. A característica que diferencia a taquicardia ventricular (TV) sustentada da fibrilação ventricular (FV) é o padrão eletrocardiográfico: na TV sustentada, os complexos QRS são largos e monomórficos (mesma morfologia batimento a batimento), enquanto na FV as deflexões são finas, irregulares e polimórficas (amplitude e contornos variados). Essa distinção é essencial porque define condutas completamente diferentes: a TV sustentada pode ser tratada com cardioversão elétrica sincronizada, enquanto a FV exige desfibrilação imediata.

A taquicardia ventricular é uma arritmia de origem ventricular, com frequência acima de 100 bpm e três ou mais complexos QRS consecutivos. Quando a duração ultrapassa 30 segundos, é classificada como sustentada. O ECG mostra QRS alargado (típico de bloqueio de ramo), e a morfologia pode ser monomórfica (todos os complexos iguais) ou polimórfica (variação batimento a batimento). A TV sustentada pode cursar com estabilidade hemodinâmica ou com instabilidade (hipotensão, dor torácica, rebaixamento do nível de consciência), e o tratamento de escolha na instabilidade é a cardioversão elétrica sincronizada.

A fibrilação ventricular, por sua vez, é um ritmo ventricular caótico, com deflexões irregulares ao ECG, de amplitude e contornos variados, e frequência entre 150 e 500 bpm. As contrações ventriculares são fracas, desordenadas e ineficientes, de modo que o paciente sempre apresenta parada cardiorrespiratória. O tratamento é a desfibrilação elétrica imediata, pois não há débito cardíaco direto.

A diferenciação entre TV e FV é crucial na prática clínica: enquanto a TV sustentada pode ser tratada com cardioversão elétrica sincronizada (descarga sincronizada com a onda R), a FV exige desfibrilação não sincronizada. Essa diferença de manejo é o que torna a distinção eletrocardiográfica tão importante.

A banca explora a confusão entre os padrões eletrocardiográficos e as características clínicas das duas arritmias. A alternativa correta é a que descreve corretamente o ECG de cada uma. As demais alternativas misturam conceitos, invertem características ou apresentam informações incorretas sobre a apresentação clínica.

Critério

Taquicardia Ventricular Sustentada

Fibrilação Ventricular

Padrão eletrocardiográfico

QRS largos e monomórficos

Deflexões finas, irregulares e polimórficas

Débito cardíaco

Pode ser mantido (estável ou instável)

Ausente (parada cardiorrespiratória)

Tratamento de escolha

Cardioversão elétrica sincronizada

Desfibrilação elétrica imediata

Apresentação clínica

Palpitações, podendo ter instabilidade

Colapso imediato, sem palpitações

1ECG
TV: QRS largo e monomórfico
FV: deflexões finas e polimórficas
2Débito cardíaco
TV: pode manter (estável ou instável)
FV: ausente (PCR)
3Conduta
TV instável: cardioversão sincronizada
FV: desfibrilação imediata
TV sustentada × FV
LEVELsoulevel.com.br
TV sustentada × FV: ECG (TV: QRS largo e monomórfico, FV: deflexões finas e polimórficas); Débito cardíaco (TV: pode manter (estável ou instável), FV: ausente (PCR)); Conduta (TV instável: cardioversão sincronizada, FV: desfibrilação imediata)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a TV sustentada apresenta ondas P dissociadas, enquanto na FV não há ondas P. O erro está na segunda parte: na FV também não há ondas P identificáveis, pois o ritmo é caótico e desorganizado. A dissociação AV (ondas P independentes do ritmo ventricular) é um critério diagnóstico de TV, mas a ausência de ondas P não é uma característica distintiva da FV em relação à TV — na TV, as ondas P podem estar ocultas pela atividade ventricular sobrejacente, e na FV não há atividade atrial organizada. A alternativa erra ao apresentar a ausência de ondas P como exclusiva da FV.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente o ECG: na TV sustentada, os complexos QRS são largos (duração > 120 ms) e monomórficos (mesma morfologia em todos os batimentos), enquanto na FV as deflexões são finas, irregulares e polimórficas (amplitude e contornos variados). Essa é a diferença eletrocardiográfica fundamental entre as duas arritmias. A TV monomórfica sustentada apresenta QRS largo com aparência estável a cada batimento, enquanto a FV mostra linha de base irregular e ausência de complexos QRS organizados.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a TV sustentada é mais comum em pacientes com doença coronariana, enquanto a FV é mais comum em pacientes com cardiomiopatia. O erro está na segunda parte: a FV não é mais comum em cardiomiopatia — ela ocorre em contextos de parada cardiorrespiratória, frequentemente associada a cardiopatia isquêmica aguda, mas também pode ocorrer em outras situações. A TV, por sua vez, é mais comum em pacientes com cardiopatia isquêmica crônica (áreas de fibrose pós-infarto), mas a FV não tem predileção específica por cardiomiopatia. A alternativa inverte a associação e não reflete a realidade clínica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que na TV sustentada as palpitações são intermitentes e podem durar vários minutos, enquanto na FV as palpitações são constantes e geralmente requerem intervenção imediata. O erro está na descrição da FV: na FV não há palpitações — o paciente perde a consciência imediatamente, pois não há débito cardíaco. A FV é uma causa de parada cardiorrespiratória, não de palpitações. A TV sustentada pode causar palpitações, mas a FV é uma emergência com colapso hemodinâmico imediato.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que na TV sustentada há movimentos caóticos do coração, enquanto na FV há uma série de contrações rítmicas e coordenadas. A alternativa inverte completamente as características: na TV sustentada, o ritmo é organizado (QRS monomórfico), enquanto na FV o ritmo é caótico e desorganizado. A FV é caracterizada por contrações ventriculares fracas, desordenadas e ineficientes, enquanto a TV sustentada pode até manter débito cardíaco, dependendo da frequência e da função ventricular.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte as características eletrocardiográficas e clínicas entre TV e FV. Na alternativa E, por exemplo, troca "caótico" (FV) por "rítmico" (TV). Na alternativa D, atribui palpitações à FV, quando na verdade há colapso imediato. A chave é lembrar: TV = QRS largo e organizado (monomórfico ou polimórfico); FV = caótica, sem QRS organizado, sempre parada cardiorrespiratória.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar TV de FV no ECG, olhe a organização do ritmo: TV tem complexos QRS largos e regulares (mesma morfologia na monomórfica); FV tem linha de base irregular, sem QRS organizado. Na dúvida, trate como TV (mais comum em QRS largo) e, se instável, cardioverta; se FV, desfibrile imediatamente.

Gabarito: letra B — a alternativa que descreve corretamente o ECG da TV sustentada (QRS largo e monomórfico) e da FV (deflexões finas e polimórficas).

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