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Questão de Medicina — Urologia — FUNDATEC 2023

MedicinaUrologia
Código
qq891970
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Clínica Médica)
Um homem de 75 anos queixa-se de perda involuntária de urina quando tosse ou espirra. Ele relata que isso vem acontecendo há alguns meses e tem impactado negativamente sua qualidade de vida. Ao exame, não há sinais de infecção urinária ou obstrução do trato urinário. Ele tem histórico de hipertensão arterial e usa medicamentos para controle da pressão. Qual a opção de tratamento mais indicada para o paciente descrito?
  1. AAntibióticos para prevenir infecções urinárias secundárias à incontinência.
  2. BCirurgia para correção da incontinência urinária.
  3. CUso de fraldas para prevenir constrangimentos.
  4. DFisioterapia para fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico.
  5. EUso de medicamentos para controle da bexiga hiperativa.
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GabaritoD — Fisioterapia para fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Incontinência urinária de esforço no idoso: abordagem terapêutica

Gabarito: letra D. O paciente apresenta perda involuntária de urina ao tossir ou espirrar, quadro clássico de incontinência urinária de esforço (IUE), e a opção terapêutica mais indicada como primeira linha é a fisioterapia para fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico. Essa conduta é respaldada pelas diretrizes clínicas, que recomendam o reforço da musculatura pélvica como medida efetiva para reduzir episódios de vazamento e melhorar a satisfação do paciente, especialmente nos casos de IUE.

A incontinência urinária (IU) é definida como a queixa de qualquer perda involuntária de urina. Ela pode ser classificada em três tipos principais: incontinência urinária de esforço (IUE), incontinência de urgência e incontinência mista. A IUE ocorre quando há perda de urina associada a aumento da pressão intra-abdominal, como tosse, espirro, riso ou esforço físico. A causa subjacente é uma deficiência no suporte vesical e uretral, que normalmente é mantido pelos músculos do assoalho pélvico, ou uma fraqueza ou lesão do esfíncter uretral. No caso descrito, o homem de 75 anos apresenta exatamente esse padrão: perda involuntária de urina ao tossir ou espirrar, sem sinais de infecção ou obstrução do trato urinário, o que reforça o diagnóstico de IUE.

O tratamento da IUE deve ser escalonado, iniciando-se pelas medidas conservadoras e não farmacológicas. Entre elas, o reforço da musculatura pélvica (fisioterapia) é a intervenção de primeira linha, com evidência de benefício na redução dos episódios de vazamento. Essa abordagem é preferível por ser não invasiva, sem efeitos adversos significativos e de baixo custo. Outras medidas conservadoras incluem mudanças de hábitos de vida, como perda de peso em obesos, e treinamento vesical. O tratamento cirúrgico é reservado para casos em que as medidas conservadoras falham ou quando há alteração anatômica significativa, como cistocele avançada ou obstrução prostática grave. No paciente em questão, não há indicação imediata de cirurgia, pois ele não apresenta falha do tratamento conservador nem alteração anatômica descrita.

É importante distinguir a IUE da incontinência de urgência, que se caracteriza por perda de urina associada a uma vontade súbita e intensa de urinar, geralmente causada por hiperatividade do músculo detrusor. O tratamento da incontinência de urgência envolve treinamento vesical, exercícios do assoalho pélvico e fármacos relaxantes da bexiga, como anticolinérgicos (oxibutinina, tolterodina). No caso apresentado, o sintoma é desencadeado por esforço (tosse, espirro), não por urgência, o que afasta o diagnóstico de bexiga hiperativa e, consequentemente, o uso de medicamentos para essa condição. A alternativa E, portanto, não se aplica.

A banca explora a confusão entre os tipos de incontinência e seus respectivos tratamentos. O candidato pode ser tentado a escolher a cirurgia (alternativa B) por ser um tratamento definitivo, mas ela não é a primeira opção em um paciente sem falha do tratamento conservador. Da mesma forma, o uso de fraldas (alternativa C) é uma medida paliativa que não trata a causa, e os antibióticos (alternativa A) são indicados apenas para infecções urinárias, que não estão presentes. A fisioterapia para fortalecimento do assoalho pélvico é a conduta mais adequada e alinhada às diretrizes, sendo a alternativa correta.

Guarde a distinção entre os tipos de incontinência e a hierarquia do tratamento: para IUE, a fisioterapia é a primeira linha; a cirurgia é reservada para casos refratários. É exatamente essa lógica que separa as alternativas desta questão.

1De esforço (IUE)
Perda ao tossir/espirrar
Causa: deficiência do suporte pélvico
1ª linha: fisioterapia do assoalho pélvico
Cirurgia: casos refratários
2De urgência
Perda com vontade súbita
Causa: hiperatividade do detrusor
Tratamento: anticolinérgicos
3Mista
Componentes de ambas
Incontinência urinária
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Incontinência urinária: De esforço (IUE) (Perda ao tossir/espirrar, Causa: deficiência do suporte pélvico, 1ª linha: fisioterapia do assoalho pélvico, Cirurgia: casos refratários); De urgência (Perda com vontade súbita, Causa: hiperatividade do detrusor, Tratamento: anticolinérgicos); Mista (Componentes de ambas)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Os antibióticos são utilizados para tratar infecções do trato urinário sintomáticas ou para profilaxia em pacientes com infecções recorrentes, especialmente aqueles submetidos a cateterização intermitente. No caso descrito, não há sinais de infecção urinária, portanto não há indicação de antibioticoterapia. Além disso, antibióticos não tratam a incontinência urinária de esforço, que é um problema de suporte anatômico e funcional do assoalho pélvico, não uma infecção.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cirurgia é uma opção de tratamento para a incontinência urinária de esforço, mas não é a primeira escolha. As diretrizes recomendam iniciar com medidas conservadoras, como fisioterapia para fortalecimento do assoalho pélvico. A cirurgia é indicada quando há falha do tratamento conservador ou quando existe alteração anatômica significativa, como cistocele avançada ou obstrução prostática grave. No paciente descrito, não há relato de falha do tratamento conservador, portanto a cirurgia não é a opção mais indicada neste momento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O uso de fraldas é uma medida paliativa que visa conter o vazamento de urina e evitar constrangimentos, mas não trata a causa da incontinência. Embora possa ser útil em casos de incontinência funcional ou como medida temporária, não é a conduta terapêutica mais indicada para um paciente com incontinência urinária de esforço, que tem opções de tratamento efetivas e não invasivas, como a fisioterapia.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A fisioterapia para fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico é a opção de tratamento mais indicada para o paciente com incontinência urinária de esforço. Essa conduta é recomendada como primeira linha pelas diretrizes clínicas, pois é efetiva na redução dos episódios de vazamento e na melhora da satisfação do paciente. O reforço da musculatura pélvica atua diretamente na causa da IUE, que é a deficiência no suporte vesical e uretral. Além disso, é uma intervenção não invasiva, sem efeitos adversos significativos e de baixo custo, sendo a abordagem mais adequada para o caso descrito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os medicamentos para controle da bexiga hiperativa, como anticolinérgicos (oxibutinina, tolterodina), são indicados para o tratamento da incontinência de urgência, que é causada por hiperatividade do músculo detrusor. No caso descrito, o paciente apresenta perda de urina ao tossir ou espirrar, característica de incontinência urinária de esforço, e não há relato de urgência miccional. Portanto, o uso desses medicamentos não é indicado, pois não trata a causa da IUE.

Gabarito: letra D

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