Cetoacidose diabética: confirmação diagnóstica e gravidade
Gabarito: letra A. Na cetoacidose diabética (CAD), além da glicemia, a confirmação diagnóstica e a determinação da severidade exigem a demonstração de cetonemia ou cetonúria e a dosagem de bicarbonato — exatamente o que a alternativa A traz. Os critérios diagnósticos clássicos são: glicemia > 250 mg/dL, pH < 7,3, bicarbonato < 15 mEq/L e presença de corpos cetônicos no sangue ou na urina.
A cetoacidose diabética é uma emergência endocrinológica causada por deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à hiperglicemia e à produção excessiva de cetoácidos (acetoacetato e beta-hidroxibutirato). A hiperglicemia provoca diurese osmótica, com poliúria, polidipsia e desidratação; os cetoácidos causam acidose metabólica, manifestada por respiração de Kussmaul, hálito cetônico, náuseas, vômitos e dor abdominal. O diagnóstico é firmado pela tríade: hiperglicemia, cetonemia/cetonúria e acidose metabólica (pH baixo e bicarbonato baixo).
Para avaliar a severidade, a dosagem de bicarbonato é fundamental, pois define os graus de CAD: leve (15–18 mEq/L), moderada (10–15 mEq/L) e grave (< 10 mEq/L). A cetonemia, preferencialmente com dosagem de beta-hidroxibutirato, confirma a presença de corpos cetônicos. Embora eletrólitos, ureia, creatinina e osmolaridade façam parte da avaliação inicial, eles não são os elementos que confirmam o diagnóstico nem classificam a gravidade da CAD — são exames complementares para manejo e diagnóstico diferencial.
A pegadinha da questão está em distinguir o que é critério diagnóstico/gravidade (cetonemia/cetonúria + bicarbonato) do que é apenas avaliação complementar (eletrólitos, função renal, osmolaridade). O candidato que decora a lista de exames iniciais sem entender o papel de cada um tende a marcar alternativas que misturam exames úteis, mas não decisivos.
Guarde o par que decide a questão: cetonemia/cetonúria confirma a cetose; bicarbonato classifica a gravidade da acidose. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa traz exatamente os dois elementos que respondem à pergunta: cetonemia ou cetonúria (confirmação da cetose) e bicarbonato (determinação da severidade da acidose). Os critérios diagnósticos de CAD incluem glicemia > 250 mg/dL, pH < 7,3, bicarbonato < 15 mEq/L e presença de corpos cetônicos. A dosagem de bicarbonato permite classificar a CAD em leve, moderada ou grave, sendo essencial para o manejo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Inclui magnésio e fosfato, que não são critérios diagnósticos nem de gravidade da CAD. Embora o fosfato possa ser dosado e reposto durante o tratamento, ele não define o diagnóstico nem a severidade. A alternativa mistura exames complementares com os elementos decisivos, induzindo ao erro.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Embora o beta-hidroxibutirato seja o principal corpo cetônico e sua dosagem seja preferencial, a alternativa omite o bicarbonato, que é indispensável para avaliar a gravidade da acidose. Sem a dosagem de bicarbonato, não é possível classificar a severidade da CAD. Além disso, "eletrólitos" é um termo genérico que não especifica o bicarbonato.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Eletrólitos, ureia e creatinina são exames complementares úteis na avaliação inicial, mas não confirmam o diagnóstico de CAD nem determinam sua gravidade. A ausência de cetonemia/cetonúria e de bicarbonato torna a alternativa incompleta para o que se pede.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Osmolaridade, ureia e creatinina são importantes no diagnóstico diferencial com o estado hiperosmolar hiperglicêmico (EHH), mas não são os critérios que confirmam a CAD nem classificam sua severidade. A alternativa ignora os elementos centrais: corpos cetônicos e bicarbonato.
Gabarito: letra A