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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2023

MedicinaEndocrinologia
Código
qq892012
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Endocrinologia e Metabologia Pediátrica)
Considerando crianças com craniofaringiomas, analise as assertivas abaixo:I. Os efeitos hormonais são consequência do efeito de massa tumoral.II. O déficit hormonal mais frequente na apresentação é a deficiência de gonadotrofinas.III. A primeira opção terapêutica é a ressecção cirúrgica completa seguida de radioterapia.Quais estão corretas?
  1. AApenas I.
  2. BApenas III.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas II e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Apenas I.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Craniofaringioma em crianças: manifestações hormonais e tratamento

Gabarito: letra A — apenas o item I está correto. O craniofaringioma é um tumor suprasselar que causa disfunção hipofisária predominantemente por efeito de massa, e o déficit hormonal mais frequente na apresentação é o de hormônio do crescimento (GH), não o de gonadotrofinas. Além disso, a primeira opção terapêutica é a ressecção cirúrgica completa, mas a radioterapia é reservada para casos de ressecção incompleta ou recidiva, não como adjuvante rotineiro após cirurgia completa.

O craniofaringioma é um tumor epitelial benigno (grau I da OMS) que se origina de restos do ducto craniofaríngeo, localizando-se tipicamente na região suprasselar, adjacente ao quiasma óptico e ao hipotálamo. Por ser uma lesão expansiva, seus efeitos são majoritariamente mecânicos: compressão das estruturas vizinhas — hipófise, haste hipofisária, quiasma óptico e hipotálamo. É por isso que o item I está correto: os efeitos hormonais decorrem do efeito de massa tumoral, que comprime o eixo hipotálamo-hipofisário e prejudica a secreção dos hormônios hipofisários.

A apresentação clínica clássica inclui tríade de hipertensão intracraniana (cefaleia, vômitos, papiledema), distúrbios visuais (hemianopsia bitemporal por compressão do quiasma) e disfunção endócrina. Em crianças, o déficit hormonal mais comum é a deficiência de GH, manifestando-se como baixa estatura ou retardo do crescimento — não a deficiência de gonadotrofinas, que é mais característica de apresentação em adultos. O hipogonadismo hipogonadotrófico pode ocorrer, mas não é o déficit mais frequente na população pediátrica, onde a prioridade do eixo é o crescimento.

Quanto ao tratamento, a ressecção cirúrgica completa é a primeira opção e oferece a melhor chance de cura. No entanto, a radioterapia não é indicada rotineiramente após uma ressecção completa — ela é reservada para casos de ressecção subtotal, tumor residual ou recidiva. A conduta pós-operatória imediata envolve vigilância por imagem e reposição hormonal das deficiências identificadas, não radioterapia adjuvante sistemática.

A distinção crucial que separa os itens é: (1) mecanismo fisiopatológico — efeito de massa versus infiltração; (2) perfil hormonal por faixa etária — GH na criança, gonadotrofinas no adulto; (3) papel da radioterapia — adjuvante seletiva, não universal. É exatamente nesses três eixos que as assertivas se dividem.

Craniofaringioma em crianças
  • 1Mecanismo
    • Efeito de massa (compressão)
    • Infiltração destrutiva
  • 2Déficit hormonal mais frequente
    • Criança: GH (baixa estatura)
    • Adulto: gonadotrofinas
  • 3Tratamento
    • 1ª opção: ressecção completa
    • Radioterapia
      • Adjuvante rotineira
      • Ressecção subtotal/recidiva
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Item I — ✅ Correto

Os efeitos hormonais do craniofaringioma são consequência do efeito de massa tumoral. O tumor comprime a haste hipofisária e a hipófise, interrompendo a comunicação hipotálamo-hipofisária e causando deficiências hormonais por mecanismo compressivo, não por produção hormonal ectópica ou infiltração destrutiva primária. O apoio confirma que massas selares, como os craniofaringeomas, são causas de deficiência de hormônios hipofisários.

Item II — ❌ Incorreto

O déficit hormonal mais frequente na apresentação em crianças é a deficiência de GH, que se manifesta como baixa estatura ou retardo do crescimento. A deficiência de gonadotrofinas é mais comum em adultos, onde o hipogonadismo hipogonadotrófico é uma apresentação típica. A banca inverte o perfil etário: na criança, o eixo mais vulnerável é o do crescimento; no adulto, o eixo gonadal.

Item III — ❌ Incorreto

A primeira opção terapêutica é a ressecção cirúrgica completa, mas a radioterapia não é indicada rotineiramente após uma ressecção completa. A radioterapia é reservada para casos de ressecção subtotal, tumor residual ou recidiva, quando a cirurgia não foi curativa. A frase "seguida de radioterapia" sugere que a radioterapia é adjuvante universal, o que não corresponde à prática clínica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora três inversões clássicas: (1) troca o mecanismo fisiopatológico — efeito de massa é o correto, não infiltração; (2) inverte o perfil hormonal por idade — GH na criança, gonadotrofinas no adulto; (3) generaliza a radioterapia como adjuvante rotineiro, quando ela é seletiva para ressecção incompleta ou recidiva. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

Gabarito: letra A — apenas o item I está correto.

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