Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2023
Medicina›Endocrinologia
Código
qq892021
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Endocrinologia e Metabologia)
Em relação às alterações fisiológicas do sistema endócrino que ocorrem na gestação, é INCORRETO afirmar que:
AValores elevados de IGF-1 na segunda metade da gestação devido a aumento da secreção de lactogênio placentário e de GH hipofisário.
BAumento dos níveis de renina, angiotensina e aldosterona.
CMaior inativação placentária dos hormônios tireoidianos por ação das deiodinases, já que a placenta humana expressa deiodinases tipos 2 e 3.
DTestosterona total aumentada, testosterona livre normal ou inferior à pré-gestacional e SDHEA em níveis reduzidos.
ENíveis elevados de cortisol em cerca de três vezes no 3º trimestre, visto aumento na CBG (globulina ligadora de corticosteroides) e da produção deste hormônio.
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GabaritoA — Valores elevados de IGF-1 na segunda metade da gestação devido a aumento da secreção de lactogênio placentário e de GH hipofisário.
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Alterações endócrinas na gestação
Gabarito: letra A. A afirmativa incorreta é a que atribui a elevação do IGF-1 na segunda metade da gestação ao aumento da secreção de lactogênio placentário e de GH hipofisário. Na gestação, o IGF-1 elevado decorre principalmente do GH placentário (variante do GH produzida pela placenta), que se torna o principal estímulo para a produção de IGF-1, enquanto a secreção de GH hipofisário materno é suprimida. As demais alternativas descrevem corretamente alterações fisiológicas do eixo renina-angiotensina-aldosterona, da tireoide, dos andrógenos e do cortisol.
A gestação impõe uma série de adaptações endócrinas que envolvem a placenta, um órgão endócrino temporário que produz hormônios e enzimas capazes de modificar o metabolismo materno. A placenta humana expressa deiodinases tipos 2 e 3, que inativam os hormônios tireoidianos, contribuindo para o aumento das necessidades de hormônio tireoidiano na gestação. No eixo somatotrófico, a placenta secreta o GH placentário (também chamado GH-variante), que substitui progressivamente o GH hipofisário materno na circulação, estimulando a produção hepática de IGF-1. O lactogênio placentário (hPL) tem ação lactogênica e lipolítica, mas não é o principal responsável pela elevação do IGF-1. O GH hipofisário materno, por sua vez, tem sua secreção suprimida pela retroalimentação negativa exercida pelo IGF-1 elevado.
No sistema cardiovascular e renal, a gestação cursa com aumento do débito cardíaco e do volume plasmático, e há estimulação marcada do sistema renina-angiotensina-aldosterona, que atinge seu máximo no terceiro trimestre. Essas alterações estão relacionadas ao aumento do débito cardíaco e da frequência cardíaca, com queda na resistência periférica e na pressão arterial. A taxa de filtração glomerular aumenta em torno de 50% ainda no primeiro trimestre e se mantém até o final da gestação.
No eixo tireoidiano, a placenta expressa deiodinases tipos 2 e 3, que inativam os hormônios tireoidianos, aumentando a necessidade de produção hormonal materna. No eixo androgênico, a testosterona total aumenta devido ao aumento da SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais), mas a testosterona livre permanece normal ou inferior à pré-gestacional, e a SDHEA (sulfato de deidroepiandrosterona) está reduzida. No eixo do cortisol, há aumento de cerca de três vezes no terceiro trimestre, devido ao aumento da CBG (globulina ligadora de corticosteroides) e da produção hormonal.
A pegadinha da banca está em atribuir a elevação do IGF-1 ao GH hipofisário materno, quando na verdade a secreção deste é suprimida na gestação. O GH placentário é o principal responsável pela elevação do IGF-1, e o lactogênio placentário tem papel secundário. Essa distinção é crucial para responder corretamente à questão.
Alterações endócrinas na gestação: Eixo somatotrófico (GH placentário (principal estímulo do IGF-1), GH hipofisário suprimido, hPL (ação lactogênica/lipolítica, papel secundário)); Eixo renina-angiotensina-aldosterona (Aumento de renina, angiotensina e aldosterona); Tireoide (Deiodinases 2 e 3 inativam hormônios, Aumento da necessidade de produção); Andrógenos (Testosterona total aumentada (SHBG), Testosterona livre normal ou reduzida, SDHEA reduzida); Cortisol (Aumento ~3x no 3º trimestre (CBG))
Alternativa A — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que os valores elevados de IGF-1 na segunda metade da gestação se devem ao aumento da secreção de lactogênio placentário e de GH hipofisário. O erro está em mencionar o GH hipofisário: na gestação, a secreção de GH hipofisário materno é suprimida pela retroalimentação negativa do IGF-1 elevado. O principal estímulo para a produção de IGF-1 é o GH placentário (variante do GH), que substitui o GH hipofisário na circulação materna. O lactogênio placentário (hPL) tem ação lactogênica e lipolítica, mas não é o principal responsável pela elevação do IGF-1. Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa B — ✅ Correta
A alternativa afirma que há aumento dos níveis de renina, angiotensina e aldosterona na gestação. Isso está correto: a gestação cursa com estimulação marcada do sistema renina-angiotensina-aldosterona, que atinge seu máximo no terceiro trimestre, contribuindo para o aumento do débito cardíaco e da frequência cardíaca.
Alternativa C — ✅ Correta
A alternativa afirma que há maior inativação placentária dos hormônios tireoidianos por ação das deiodinases, já que a placenta humana expressa deiodinases tipos 2 e 3. Isso está correto: a placenta expressa deiodinases tipos 2 e 3, que inativam os hormônios tireoidianos, aumentando a necessidade de produção hormonal materna.
Alternativa D — ✅ Correta
A alternativa afirma que a testosterona total está aumentada, a testosterona livre normal ou inferior à pré-gestacional e a SDHEA em níveis reduzidos. Isso está correto: na gestação, a testosterona total aumenta devido ao aumento da SHBG, mas a testosterona livre permanece normal ou inferior, e a SDHEA está reduzida.
Alternativa E — ✅ Correta
A alternativa afirma que há níveis elevados de cortisol em cerca de três vezes no terceiro trimestre, devido ao aumento na CBG e da produção deste hormônio. Isso está correto: na gestação, há aumento de cerca de três vezes no cortisol no terceiro trimestre, devido ao aumento da CBG e da produção hormonal.
Gabarito: letra A — a única alternativa incorreta, pois atribui a elevação do IGF-1 ao GH hipofisário, que na verdade está suprimido na gestação.