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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2023

MedicinaEndocrinologia
Código
qq892033
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Endocrinologia e Metabologia)
Assinale a alternativa mais precisa em relação aos fatores de risco para o desenvolvimento de carcinoma papilífero de tireoide.
  1. AA exposição a feixes de raios-X diagnósticos aumenta o risco de desenvolver carcinoma papilífero de tireoide.
  2. BOs homens têm um risco três vezes maior de carcinoma papilífero da tireoide em comparação com as mulheres.
  3. CÉ mais comum entre indivíduos de 50 a 60 anos.
  4. DA tireoidectomia total é recomendada para carcinomas papilíferos de tireoide de todos os níveis de risco.
  5. EA obesidade aumenta o risco de desenvolver carcinoma papilífero de tireoide, especialmente tumores maiores.
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GabaritoE — A obesidade aumenta o risco de desenvolver carcinoma papilífero de tireoide, especialmente tumores maiores.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma papilífero de tireoide: fatores de risco

Gabarito: letra E. A obesidade é reconhecida como fator de risco para o desenvolvimento do carcinoma papilífero de tireoide, com associação especialmente a tumores maiores e de maior agressividade — é a alternativa mais precisa entre as apresentadas. As demais contêm erros factuais: a exposição a raios-X diagnósticos não é o principal fator (a radiação ionizante em altas doses, como em acidentes nucleares ou radioterapia na infância, é que aumenta o risco), o carcinoma papilífero é mais comum em mulheres (proporção de aproximadamente 3:1 em relação aos homens, não o contrário), o pico de incidência ocorre em faixa etária mais jovem (30 a 50 anos), e a tireoidectomia total não é indicada para todos os níveis de risco (tumores menores que 1 cm, unifocais e intratireoidianos podem ser tratados com lobectomia).

O carcinoma papilífero de tireoide é o tipo mais comum de câncer de tireoide, correspondendo a cerca de 80% dos casos. Trata-se de uma neoplasia de origem epitelial, derivada das células foliculares da glândula, que se caracteriza por crescimento lento e bom prognóstico na maioria dos casos. Os fatores de risco mais bem estabelecidos incluem: exposição à radiação ionizante (especialmente na infância), história familiar de câncer de tireoide, algumas síndromes genéticas (como a polipose adenomatosa familiar e o complexo de Carney), e, mais recentemente, a obesidade tem sido reconhecida como fator de risco independente.

A associação entre obesidade e carcinoma papilífero de tireoide tem sido demonstrada em diversos estudos epidemiológicos. O mecanismo proposto envolve a resistência à insulina, o aumento dos níveis de leptina e a inflamação crônica de baixo grau, que podem estimular a proliferação celular e a angiogênese. Estudos de meta-análise mostram que o risco relativo de desenvolver carcinoma papilífero é maior em indivíduos obesos, e que esses pacientes tendem a apresentar tumores maiores, com maior extensão extratireoidiana e maior taxa de recorrência. A obesidade também está associada a um pior prognóstico, possivelmente por mecanismos biológicos diretos e por atraso no diagnóstico.

A alternativa A menciona a exposição a feixes de raios-X diagnósticos como fator de risco. Embora a radiação ionizante seja um fator de risco bem estabelecido, é importante distinguir a dose: a radiação em altas doses (como a radioterapia na infância ou a exposição a acidentes nucleares) aumenta claramente o risco, mas a exposição a raios-X diagnósticos de baixa dose tem associação menos consistente e, na prática clínica, não é considerada um fator de risco significativo. A alternativa é imprecisa ao generalizar a exposição a raios-X diagnósticos como fator de risco.

A alternativa B inverte a relação de gênero: o carcinoma papilífero é mais comum em mulheres, com uma proporção de aproximadamente 3:1 em relação aos homens. A alternativa afirma que os homens têm risco três vezes maior, o que é exatamente o oposto da realidade epidemiológica. Essa inversão é uma pegadinha clássica da banca.

A alternativa C afirma que o carcinoma papilífero é mais comum entre 50 e 60 anos. Na verdade, o pico de incidência ocorre em faixa etária mais jovem, entre 30 e 50 anos, embora possa ocorrer em qualquer idade, inclusive em crianças e idosos. A idade avançada (acima de 45 anos) é um fator de pior prognóstico, mas não é a faixa de maior incidência.

A alternativa D afirma que a tireoidectomia total é recomendada para todos os níveis de risco. Isso é incorreto: para tumores menores que 1 cm (T1a), unifocais, intratireoidianos, do tipo clássico, sem história familiar ou de irradiação prévia e sem metástases, a lobectomia pode ser uma opção adequada. A tireoidectomia total é indicada para tumores maiores que 1 cm, para tumores com características de alto risco, ou quando há contraindicação à lobectomia. A conduta cirúrgica deve ser individualizada com base nos fatores prognósticos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A exposição a raios-X diagnósticos de baixa dose não é um fator de risco bem estabelecido para carcinoma papilífero de tireoide. O fator de risco relacionado à radiação é a exposição a altas doses de radiação ionizante, como ocorre em acidentes nucleares ou radioterapia na infância. A alternativa generaliza de forma imprecisa, confundindo a radiação de alta dose (claramente associada) com a de baixa dose diagnóstica (sem associação consistente).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa inverte a relação de gênero. O carcinoma papilífero de tireoide é mais comum em mulheres, com proporção de aproximadamente 3:1 em relação aos homens. A afirmação de que os homens têm risco três vezes maior é exatamente o oposto da realidade epidemiológica. Essa inversão é uma pegadinha clássica da banca.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O pico de incidência do carcinoma papilífero de tireoide ocorre entre 30 e 50 anos, não entre 50 e 60 anos. Embora possa ocorrer em qualquer idade, a faixa etária de maior incidência é mais jovem. A idade avançada (acima de 45 anos) é um fator de pior prognóstico, mas não é a faixa de maior incidência.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A tireoidectomia total não é recomendada para todos os níveis de risco. Para tumores menores que 1 cm (T1a), unifocais, intratireoidianos, do tipo clássico, sem história familiar ou de irradiação prévia e sem metástases, a lobectomia pode ser uma opção adequada. A tireoidectomia total é indicada para tumores maiores que 1 cm, para tumores com características de alto risco, ou quando há contraindicação à lobectomia. A conduta cirúrgica deve ser individualizada com base nos fatores prognósticos.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A obesidade é reconhecida como fator de risco para o desenvolvimento de carcinoma papilífero de tireoide, com associação especialmente a tumores maiores e de maior agressividade. Estudos epidemiológicos e de meta-análise demonstram que o risco relativo é maior em indivíduos obesos, e que esses pacientes tendem a apresentar tumores maiores, com maior extensão extratireoidiana e maior taxa de recorrência. O mecanismo proposto envolve resistência à insulina, aumento dos níveis de leptina e inflamação crônica de baixo grau, que podem estimular a proliferação celular e a angiogênese.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter a relação de gênero — aqui, a alternativa B afirma que os homens têm risco três vezes maior, quando na verdade são as mulheres que têm risco aproximadamente três vezes maior. Fique atento a inversões desse tipo, que são recorrentes em questões de epidemiologia oncológica. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os fatores de risco do carcinoma papilífero de tireoide, lembre-se do mnemônico "R.I.O.": Radiação ionizante (em altas doses), Idade (pico entre 30-50 anos), Obesidade. E lembre-se: mulheres são mais afetadas (3:1), e a tireoidectomia total não é para todos — tumores < 1 cm podem ser tratados com lobectomia.

Gabarito: letra E

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