Síndrome metabólica: critérios da IDF
Gabarito: letra C. Segundo a International Diabetes Federation (IDF), o diagnóstico de síndrome metabólica exige obrigatoriamente obesidade central (circunferência abdominal aumentada) mais dois dos seguintes critérios: triglicerídeos elevados, HDL reduzido, pressão arterial elevada ou glicemia de jejum elevada. No caso clínico, o paciente apresenta circunferência abdominal de 104 cm (alterada), HDL de 35 mg/dL (reduzido) e glicemia de jejum de 103 mg/dL (elevada) — exatamente os três componentes da alternativa C.
A síndrome metabólica é um conjunto de fatores de risco cardiometabólicos que, quando presentes em um mesmo indivíduo, aumentam substancialmente o risco de diabetes mellitus tipo 2 e de doença cardiovascular aterosclerótica. Não se trata de uma doença única, mas de um agrupamento de alterações que compartilham mecanismos fisiopatológicos comuns, sendo a resistência à insulina e a obesidade visceral os eixos centrais. A importância do diagnóstico precoce está na possibilidade de intervenção — mudança de estilo de vida, controle de peso e tratamento farmacológico — antes que as complicações se estabeleçam.
A IDF estabeleceu, em 2005, critérios específicos para o diagnóstico, que se diferenciam de outras definições (como a do NCEP-ATP III) por tornarem a obesidade central um componente obrigatório. O ponto de corte da circunferência abdominal varia conforme a etnia; para homens de origem europeia, o valor é ≥ 94 cm, e para mulheres, ≥ 80 cm. No paciente do caso, a medida de 104 cm supera o limite, configurando o critério obrigatório. Os demais componentes são: triglicerídeos ≥ 150 mg/dL (ou em tratamento para essa dislipidemia), HDL < 40 mg/dL em homens e < 50 mg/dL em mulheres (ou em tratamento), pressão arterial sistólica ≥ 130 mmHg ou diastólica ≥ 85 mmHg (ou em tratamento anti-hipertensivo) e glicemia de jejum ≥ 100 mg/dL (ou diagnóstico prévio de diabetes tipo 2).
Aplicando os critérios ao caso clínico, temos: circunferência abdominal de 104 cm (critério obrigatório presente), triglicerídeos de 320 mg/dL (elevado, acima de 150), HDL de 35 mg/dL (reduzido, abaixo de 40 em homem), PA de 155 x 95 mmHg (elevada, acima de 130 x 85) e glicemia de jejum de 103 mg/dL (elevada, acima de 100). Portanto, o paciente preenche o critério obrigatório e quatro dos demais componentes — muito além dos dois necessários. A questão, porém, pede especificamente quais alterações são confirmatórias segundo a IDF, ou seja, quais alternativas trazem o critério obrigatório (circunferência abdominal) acompanhado de dois outros critérios válidos.
A pegadinha central desta questão está em distinguir os componentes que fazem parte dos critérios da IDF daqueles que, embora alterados no paciente, não integram o diagnóstico. O LDL, por exemplo, está elevado (156 mg/dL) e é um marcador de risco cardiovascular importante, mas não é um dos cinco componentes da síndrome metabólica pela IDF. Da mesma forma, o IMC de 27,95 kg/m² indica sobrepeso, mas o critério de obesidade central é avaliado pela circunferência abdominal, não pelo IMC. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que conhece os fatores de risco cardiovascular em geral pode marcar LDL ou IMC, mas o diagnóstico de síndrome metabólica segue critérios específicos e fechados.
Guarde a lista completa dos cinco componentes da IDF — circunferência abdominal (obrigatório), triglicerídeos, HDL, pressão arterial e glicemia — e lembre-se de que LDL e IMC, apesar de relevantes na avaliação cardiovascular, não fazem parte desse rol. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Inclui LDL, que não é componente da síndrome metabólica pela IDF. Embora o LDL esteja elevado no paciente (156 mg/dL) e seja um fator de risco cardiovascular, ele não integra os critérios diagnósticos. A pressão arterial (155 x 95 mmHg) e a glicemia (103 mg/dL) são componentes válidos, mas a presença do LDL invalida a alternativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Inclui IMC, que não é o critério de obesidade central da IDF. O IMC de 27,95 kg/m² indica sobrepeso, mas o diagnóstico exige a medida da circunferência abdominal (≥ 94 cm em homens europeus). HDL (35 mg/dL) e triglicerídeos (320 mg/dL) são componentes corretos, mas a substituição da circunferência abdominal pelo IMC torna a alternativa errada.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reúne exatamente os três componentes que confirmam o diagnóstico: circunferência abdominal de 104 cm (critério obrigatório, ≥ 94 cm), HDL de 35 mg/dL (reduzido, < 40 mg/dL em homens) e glicemia de jejum de 103 mg/dL (elevada, ≥ 100 mg/dL). Com o critério obrigatório presente e dois outros componentes alterados, o diagnóstico de síndrome metabólica pela IDF está confirmado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Inclui LDL, que não é componente da síndrome metabólica pela IDF. A circunferência abdominal (104 cm) e a glicemia (103 mg/dL) são critérios válidos, mas o LDL de 156 mg/dL, apesar de elevado, não faz parte do rol diagnóstico. A alternativa troca o HDL (que é componente) pelo LDL (que não é).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Inclui IMC, que não é o critério de obesidade central da IDF. A pressão arterial (155 x 95 mmHg) e a glicemia (103 mg/dL) são componentes válidos, mas o IMC de 27,95 kg/m² não substitui a circunferência abdominal. O paciente tem obesidade central (104 cm), mas a alternativa erra ao usar o IMC como critério.
A regra de ouro para a prova: na síndrome metabólica pela IDF, a circunferência abdominal é obrigatória e os outros quatro componentes (triglicerídeos, HDL, PA e glicemia) entram em pares. LDL e IMC, por mais alterados que estejam, nunca contam para o diagnóstico.
Gabarito: letra C