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Questão de Medicina — Angiologia — FUNDATEC 2023

MedicinaAngiologia
Código
qq892145
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista)
Homem de 68 anos, caucasiano, com história de hipertensão, diabetes e hiperlipidemia apresenta dor torácica subesternal opressiva há 6 horas. Um eletrocardiograma (ECG) mostra elevação do segmento ST nas derivações V4 a V6. Ele é atendido no pronto-socorro e depois levado para o laboratório de hemodinâmica para angiografia coronária e possível intervenção coronária percutânea (ICP). Depois de injetar na artéria coronária esquerda, o enfermeiro notifica o médico sobre uma frequência cardíaca acelerada, conforme figura abaixo. A pressão aórtica é de 65/30 mm Hg e o paciente não responde a questões. Qual é o melhor tratamento?Imagem associada para resolução da questão
  1. ABolus imediato de lidocaína 100 mg intravenoso (IV).
  2. BCardioversão elétrica.
  3. CEstimulação atrial rápida.
  4. DAdministração de metoprolol 5 mg IV.
  5. EBolus de amiodarona 300 mg IV.
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GabaritoB — Cardioversão elétrica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Taquicardia ventricular instável durante ICP: cardioversão elétrica sincronizada

Gabarito: letra B. O paciente apresenta taquicardia ventricular (TV) com instabilidade hemodinâmica — pressão arterial de 65/30 mmHg e rebaixamento do nível de consciência —, o que torna a cardioversão elétrica sincronizada o tratamento de primeira linha, conforme os protocolos de suporte avançado de vida em cardiologia. As demais opções (lidocaína, metoprolol, amiodarona e estimulação atrial rápida) são condutas para cenários distintos, como TV estável ou prevenção de recorrência, e não resolvem a emergência atual.

A taquicardia ventricular é uma arritmia originada nos ventrículos, caracterizada por complexos QRS alargados (> 120 ms) e frequência cardíaca geralmente acima de 100 bpm. O diagnóstico diferencial com taquicardia supraventricular com aberrância é um desafio clássico, mas o contexto clínico — paciente em laboratório de hemodinâmica, com cateter na artéria coronária esquerda, após injeção de contraste — e a instabilidade hemodinâmica franca apontam diretamente para TV. A injeção de contraste na coronária esquerda pode precipitar a arritmia por irritabilidade miocárdica, especialmente em um coração já isquêmico (IAM com supradesnivelamento de ST em V4–V6).

O princípio que decide a conduta é a presença ou ausência de instabilidade. Paciente com TV e sinais de má perfusão — hipotensão, rebaixamento de consciência, dor torácica, edema agudo de pulmão — deve ser submetido imediatamente à cardioversão elétrica sincronizada, pois a arritmia compromete o débito cardíaco e pode degenerar em fibrilação ventricular, causa de morte súbita. A energia recomendada para TV monomórfica instável é de 100 J em onda bifásica (ou 200 J em monofásica), com escalonamento progressivo. A sincronização evita a entrega do choque na onda T, o que poderia induzir fibrilação ventricular.

A distinção crucial que a banca explora é entre TV instável e TV estável. Na TV estável, com o paciente mantendo perfusão adequada, a conduta inicial pode ser farmacológica — amiodarona 300 mg IV em bolus, seguida de infusão — ou cardioversão elétrica eletiva. Já na TV instável, a cardioversão elétrica é mandatória e não deve ser adiada por tentativas farmacológicas. A lidocaína, historicamente usada, caiu em desuso como primeira linha; o metoprolol é contraindicado na instabilidade por piorar o débito cardíaco; e a estimulação atrial rápida é uma manobra para taquicardias supraventriculares, não para TV.

A pegadinha desta questão está em oferecer alternativas farmacológicas que seriam corretas em outros contextos, mas que são inadequadas diante da instabilidade. O candidato que memoriza o algoritmo de TV estável (amiodarona) pode marcar a letra E, mas o enunciado é explícito: pressão 65/30 mmHg e paciente que não responde. Esse é o gatilho para a cardioversão elétrica imediata. Guarde a fronteira: instabilidade → choque; estabilidade → droga ou choque eletivo.

Taquicardia ventricular
  • 1Com instabilidade (hipotensão, rebaixamento)
    • Cardioversão elétrica sincronizada
  • 2Estável (perfusão mantida)
    • Amiodarona 300 mg IV
    • Cardioversão eletiva
  • 3Contraindicações na instabilidade
    • Metoprolol (piora débito cardíaco)
    • Lidocaína (não é 1ª linha)
    • Estimulação atrial rápida (só supraventricular)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A lidocaína 100 mg IV é um antiarrítmico classe IB, historicamente utilizado para TV, mas não é a primeira escolha na TV instável. Em paciente com instabilidade hemodinâmica, o atraso para administrar a droga e aguardar efeito pode ser fatal. A lidocaína é reservada para casos específicos, como TV polimórfica associada a isquemia, e não substitui a cardioversão elétrica na emergência.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A cardioversão elétrica sincronizada é o tratamento de escolha para taquicardia ventricular com instabilidade hemodinâmica. O paciente apresenta hipotensão (65/30 mmHg) e rebaixamento do nível de consciência, critérios inequívocos de instabilidade. O choque sincronizado interrompe o circuito de reentrada ventricular e restaura o ritmo sinusal, sendo a única medida capaz de reverter o quadro rapidamente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A estimulação atrial rápida (overdrive pacing) é uma técnica utilizada para interromper taquicardias supraventriculares, como flutter atrial ou taquicardia atrial, e não é eficaz na taquicardia ventricular. Além disso, em um paciente instável, qualquer manobra que não seja a cardioversão elétrica imediata é inadequada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O metoprolol 5 mg IV é um betabloqueador utilizado no controle de frequência em taquicardias supraventriculares e na prevenção de recorrência de arritmias após estabilização. Em paciente com TV instável e hipotensão, o metoprolol pode agravar o colapso hemodinâmico por reduzir a contratilidade e a frequência cardíaca, sendo contraindicado nesta situação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A amiodarona 300 mg IV é a droga de escolha para TV estável ou como adjuvante na TV refratária à cardioversão. No entanto, em paciente instável, a prioridade é a cardioversão elétrica imediata. A amiodarona pode ser administrada após o choque, se a arritmia persistir, mas não deve atrasar a cardioversão.

Gabarito: letra B — cardioversão elétrica sincronizada é a conduta imediata para taquicardia ventricular com instabilidade hemodinâmica.

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