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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FUNDATEC 2023

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qq892226
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Medicina Intensiva)
Um homem de 45 anos, sem antecedentes médicos relevantes, é encontrado desacordado em casa por familiares, com ausência de respiração e pulso palpável. Uma ambulância é acionada e chega em cerca de 8 minutos. Ao chegarem ao local, o paciente encontra-se em PCR. Qual a melhor conduta inicial?
  1. ARealizar entubação orotraqueal e administrar adrenalina endovenosa.
  2. BRealizar desfibrilação com choque elétrico de 200 Joules.
  3. CIniciar massagem cardíaca interna com auxílio de dispositivo mecânico.
  4. DIniciar compressões torácicas e ventilação com máscara bolsa-válvula imediatamente.
  5. EAdministrar epinefrina 1 mg via endovenosa a cada 3-5 minutos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Iniciar compressões torácicas e ventilação com máscara bolsa-válvula imediatamente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Parada Cardiorrespiratória: conduta inicial no Suporte Básico de Vida

Gabarito: letra D. Em uma PCR presenciada ou com chegada da equipe em até poucos minutos, a prioridade absoluta é iniciar imediatamente as compressões torácicas de alta qualidade e a ventilação com máscara bolsa-válvula (Suporte Básico de Vida), antes de qualquer intervenção avançada como drogas ou via aérea definitiva. Essa é a recomendação central dos algoritmos de RCP da American Heart Association (AHA) e do Consenso Internacional sobre RCP.

A parada cardiorrespiratória (PCR) é a cessação súbita da atividade mecânica cardíaca, com ausência de pulso, respiração e consciência. O atendimento segue uma sequência lógica e hierarquizada: primeiro o Suporte Básico de Vida (SBV), que inclui reconhecimento, acionamento do serviço de emergência e RCP de alta qualidade (compressões + ventilações); depois o Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS), que adiciona desfibrilação, drogas e via aérea avançada. A lógica é simples: cada minuto sem compressões reduz drasticamente a sobrevida, e a desfibrilação precoce só é eficaz se houver perfusão coronariana e cerebral mantida pelas compressões. Por isso, a conduta inicial em qualquer PCR, independentemente do ritmo, é começar as compressões torácicas imediatamente — não esperar por medicações, não tentar intubar primeiro, não buscar um desfibrilador antes de iniciar a RCP.

No caso do enunciado, o paciente foi encontrado desacordado, sem respiração e sem pulso — PCR confirmada. A equipe chega em cerca de 8 minutos. Nesse cenário, a primeira ação ao confirmar a PCR é iniciar as compressões torácicas e a ventilação com bolsa-válvula-máscara, na proporção de 30:2, com ciclos de 2 minutos. A via aérea avançada (entubação) e as drogas (adrenalina, amiodarona) fazem parte do ACLS e vêm depois, após o início da RCP e, se indicado, da desfibrilação. A desfibrilação só é realizada se o monitor mostrar um ritmo chocável (FV/TV sem pulso); como o enunciado não informa o ritmo, a conduta inicial não pode ser "desfibrilar" — primeiro se inicia a RCP e se conecta o monitor. A massagem cardíaca interna (toracotomia) é um procedimento de exceção, reservado a situações específicas como trauma penetrante ou PCR intraoperatória, nunca como conduta inicial. A epinefrina é indicada no ACLS, mas somente após o início da RCP e, nos ritmos chocáveis, após a primeira desfibrilação.

A pegadinha central desta questão é a tentação de "pular" o SBV e ir direto para intervenções avançadas (drogas, intubação, choque). A banca explora exatamente isso: o candidato que decora o ACLS mas esquece que a RCP de alta qualidade é a base de tudo. A regra de ouro: primeiro compressões, depois tudo o mais. Guarde a sequência: 1) reconhecer a PCR; 2) acionar ajuda; 3) iniciar compressões de alta qualidade (100-120/min, 5-6 cm de profundidade, retorno total do tórax); 4) ventilar com bolsa-válvula-máscara (30:2); 5) conectar o monitor/DEA e analisar o ritmo; 6) se chocável, desfibrilar; 7) administrar drogas conforme o algoritmo. É nessa ordem que as alternativas se dividem: a correta é a que reflete o passo 3-4, e as erradas são as que antecipam passos do ACLS.

  1. 1Reconhecer a PCR
  2. 2Acionar ajuda
  3. 3Iniciar compressões (100-120/min)
  4. 4Ventilar com bolsa-válvula (30:2)
  5. 5Conectar monitor/DEA
  6. 6Se chocável, desfibrilar
  7. 7Drogas (ACLS)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A entubação orotraqueal e a adrenalina EV são condutas do Suporte Avançado de Vida (ACLS), que vêm após o início da RCP básica. A via aérea avançada não deve atrasar as compressões; a prioridade é a RCP de alta qualidade. Além disso, a adrenalina é indicada após a primeira desfibrilação nos ritmos chocáveis, ou imediatamente nos ritmos não chocáveis, mas sempre depois de iniciar as compressões. A alternativa erra ao colocar essas intervenções como "conduta inicial".

Alternativa B — ❌ Incorreta

A desfibrilação é indicada apenas para ritmos chocáveis (fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso). O enunciado não informa o ritmo do paciente; portanto, não se pode afirmar que a conduta inicial é aplicar choque. Além disso, mesmo nos ritmos chocáveis, a sequência correta é iniciar a RCP, conectar o monitor e, se o ritmo for chocável, desfibrilar — mas a RCP nunca é adiada para buscar o desfibrilador. A alternativa erra ao presumir o ritmo e ao colocar o choque antes da RCP.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A massagem cardíaca interna (toracotomia com massagem direta) é um procedimento de exceção, indicado em situações muito específicas como trauma penetrante torácico, tamponamento cardíaco ou PCR intraoperatória. Não é a conduta inicial em uma PCR extra-hospitalar comum. A alternativa confunde o procedimento de exceção com a regra geral, que é a massagem cardíaca externa (compressões torácicas).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta inicial correta: iniciar imediatamente as compressões torácicas de alta qualidade e a ventilação com máscara bolsa-válvula, na proporção de 30 compressões para 2 ventilações, com ciclos de 2 minutos. Isso corresponde ao Suporte Básico de Vida (SBV), que é a base do atendimento à PCR. A RCP precoce é o fator que mais impacta a sobrevida, e nenhuma intervenção avançada deve atrasá-la. A alternativa espelha exatamente a recomendação dos algoritmos de RCP.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A epinefrina 1 mg EV a cada 3-5 minutos é uma droga do ACLS, indicada durante a RCP, mas não como conduta inicial. Ela deve ser administrada após o início das compressões e, nos ritmos chocáveis, após a primeira desfibrilação. A alternativa erra ao colocar a medicação como primeiro passo, ignorando que a RCP de alta qualidade é a prioridade absoluta.

Gabarito: letra D — iniciar compressões torácicas e ventilação com bolsa-válvula imediatamente é a conduta inicial correta em qualquer PCR, antes de qualquer intervenção avançada.

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