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Questão de Medicina — Pneumologia — FUNDATEC 2023

MedicinaPneumologia
Código
qq892229
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Medicina Intensiva)
Um paciente de 55 anos, sexo masculino, com antecedente de trombose venosa profunda e uso crônico de anticoagulante, apresenta-se na emergência com dispneia súbita e dor torácica. No exame físico, apresenta-se hipotenso e com taquicardia. A tomografia computadorizada de tórax revela embolia pulmonar bilateral. Qual a melhor conduta?
  1. ASuspender o anticoagulante e monitorar a evolução do quadro.
  2. BRealizar fibrinólise seletiva por meio de cateterismo pulmonar.
  3. CPrescrever anticoagulante de baixo peso molecular e monitorar o paciente clinicamente.
  4. DIndicar trombólise imediatamente, independentemente do risco de sangramento.
  5. EAdministrar oxigênio suplementar e hidratação venosa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Indicar trombólise imediatamente, independentemente do risco de sangramento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tromboembolismo Pulmonar: conduta na instabilidade hemodinâmica

Gabarito: letra D. O paciente apresenta embolia pulmonar (EP) com instabilidade hemodinâmica (hipotensão e taquicardia), o que caracteriza EP de alto risco (maciça). Nesse cenário, a trombólise sistêmica está indicada imediatamente, mesmo com risco de sangramento, pois o benefício de reduzir a mortalidade supera o risco hemorrágico. A conduta correta é a trombólise imediata, independentemente do risco de sangramento, conforme as diretrizes de manejo do tromboembolismo pulmonar.

A embolia pulmonar é uma obstrução aguda das artérias pulmonares por trombos, geralmente provenientes de trombose venosa profunda (TVP) dos membros inferiores. A apresentação clínica varia desde casos assintomáticos até choque obstrutivo e parada cardiorrespiratória. A gravidade é determinada pela presença de instabilidade hemodinâmica e disfunção do ventrículo direito (VD). A classificação mais utilizada divide a EP em três categorias: maciça (alto risco), quando há hipotensão persistente ou choque; submaciça (risco intermediário), quando há disfunção de VD ou elevação de biomarcadores, mas sem hipotensão; e baixo risco, quando não há hipotensão nem disfunção de VD.

No caso apresentado, o paciente tem hipotensão e taquicardia, configurando EP maciça. A fisiopatologia da instabilidade é a obstrução vascular pulmonar que leva a aumento da pós-carga do VD, falência ventricular direita e queda do débito cardíaco, resultando em choque. A mortalidade nesse grupo é alta, chegando a 30% ou mais, e o tratamento de escolha é a trombólise sistêmica imediata, com agentes como alteplase (rt-PA), na dose de 100 mg em 2 horas. A trombólise promove a lise rápida do trombo, reduzindo a obstrução e melhorando a hemodinâmica. O risco de sangramento, incluindo hemorragia intracraniana, é real, mas em pacientes com EP maciça o benefício de redução de mortalidade supera o risco, e a trombólise não deve ser adiada ou omitida por medo de sangramento.

A alternativa D afirma exatamente isso: "Indicar trombólise imediatamente, independentemente do risco de sangramento". Essa é a conduta correta, pois a instabilidade hemodinâmica é a principal indicação de trombólise, e o risco de sangramento não contraindica o procedimento nesse contexto. As demais alternativas propõem condutas inadequadas: suspender anticoagulante (A) é absurdo, pois o paciente precisa de anticoagulação; fibrinólise seletiva por cateterismo (B) é uma opção em casos selecionados, mas não é a primeira escolha na EP maciça, sendo reservada para contraindicação à trombólise sistêmica ou falha dela; anticoagulante de baixo peso molecular (C) é o tratamento da EP estável, mas não é suficiente na EP maciça; e oxigênio e hidratação (E) são medidas de suporte, mas não tratam a causa da instabilidade.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que o paciente está hemodinamicamente instável, o que muda completamente a conduta. Muitos candidatos podem pensar em anticoagulação ou suporte, mas a presença de hipotensão e taquicardia indica EP de alto risco, que exige trombólise imediata. O risco de sangramento, embora relevante, não deve impedir a trombólise nesse cenário, pois o risco de morte por EP é maior que o risco de sangramento fatal.

Embolia pulmonar
  • 1Classificação de risco
    • Alto (maciça)
      • Hipotensão/choque
      • Trombólise imediata
    • Intermediário (submaciça)
      • Disfunção de VD
      • Biomarcadores elevados
    • Baixo risco
      • Sem hipotensão
      • Sem disfunção de VD
  • 2Tratamento
    • Alto risco
      • Trombólise sistêmica (rt-PA)
    • Estável
      • Anticoagulação (HBPM)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Suspender o anticoagulante é uma conduta absurda, pois o paciente está em uso crônico de anticoagulante e apresenta EP aguda. A suspensão aumentaria o risco de novos eventos tromboembólicos. Além disso, o paciente está instável, e a conduta não pode ser apenas monitorar a evolução. A alternativa contraria o princípio de que a EP maciça exige intervenção imediata.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A fibrinólise seletiva por cateterismo pulmonar é uma opção para pacientes com contraindicação à trombólise sistêmica ou que não respondem a ela, mas não é a primeira escolha na EP maciça. A trombólise sistêmica é mais rápida e amplamente disponível, sendo o tratamento de escolha. A alternativa sugere um procedimento invasivo que não é a conduta inicial padrão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O anticoagulante de baixo peso molecular (HBPM) é o tratamento da EP estável (baixo risco ou risco intermediário sem instabilidade), mas não é suficiente na EP maciça. O paciente está hipotenso e taquicárdico, o que indica necessidade de trombólise imediata. A HBPM não reverte a obstrução vascular rapidamente e não trata o choque obstrutivo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A trombólise imediata é a conduta correta na EP maciça, mesmo com risco de sangramento. A instabilidade hemodinâmica (hipotensão e taquicardia) é a principal indicação de trombólise sistêmica, pois o benefício de redução de mortalidade supera o risco hemorrágico. A alternativa espelha exatamente a recomendação das diretrizes: "trombólise imediatamente, independentemente do risco de sangramento".

Alternativa E — ❌ Incorreta

Oxigênio suplementar e hidratação venosa são medidas de suporte, mas não tratam a causa da instabilidade. O paciente precisa de trombólise para desobstruir as artérias pulmonares e melhorar a hemodinâmica. A hidratação venosa, inclusive, pode piorar a falência do VD, pois aumenta a pré-carga em um coração que já está sobrecarregado.

Gabarito: letra D — a conduta correta é a trombólise imediata, independentemente do risco de sangramento, pois o paciente apresenta EP maciça com instabilidade hemodinâmica.

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