Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2023
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qq892232
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Medicina Intensiva)
Qual é o tratamento mais indicado para a crise tireotóxica?
ASuplementação de iodo.
BBloqueador do canal de cálcio diidropiridínico.
CBetabloqueador.
DBenzodiazepínicos.
EAdministração de corticosteroides.
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GabaritoC — Betabloqueador.
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Crise tireotóxica: tratamento
Gabarito: letra C. Na crise tireotóxica (tempestade tireotóxica), o tratamento mais indicado é o betabloqueador, pois bloqueia os efeitos periféricos dos hormônios tireoidianos, controlando taquicardia, tremores e outros sintomas adrenérgicos. As diretrizes atuais recomendam o betabloqueador como prioridade inicial, especialmente em pacientes taquicárdicos sem insuficiência cardíaca franca.
A crise tireotóxica é a complicação mais grave do hipertireoidismo, caracterizada por exacerbação súbita dos sintomas, com descompensação de múltiplos sistemas e risco de morte (mortalidade de até 30% mesmo com tratamento adequado). O tratamento é multimodal e visa quatro objetivos principais: (1) reduzir a produção de hormônios pela tireoide (com tionamidas como PTU ou metimazol), (2) bloquear os efeitos periféricos dos hormônios (com betabloqueadores), (3) bloquear a conversão periférica de T4 em T3 (com PTU, propranolol, corticosteroides) e (4) dar suporte clínico e tratar o fator precipitante (como infecções).
O betabloqueador é a pedra angular do tratamento sintomático, pois os sintomas da crise são mediados por hiperatividade adrenérgica. O propranolol é o mais utilizado, pois além de bloquear os receptores beta, também inibe a conversão de T4 em T3. Em pacientes com contraindicação (como asma grave ou insuficiência cardíaca descompensada), pode-se usar betabloqueadores cardioseletivos com cautela, mas a prioridade é o controle adrenérgico.
1Betabloqueador (bloqueia efeitos periféricos)
2Tionamida (bloqueia síntese)
3Iodo (bloqueia liberação)
4Corticosteroide (bloqueia conversão T4→T3)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A suplementação de iodo é uma medida adjuvante, não o tratamento principal. Ela inibe a liberação de hormônios pela tireoide, mas só deve ser iniciada após o uso de tionamidas (PTU ou metimazol), para evitar que o iodo seja usado como substrato para a síntese de novos hormônios. Na crise, o iodo é usado para bloquear a liberação, mas não trata a causa nem os efeitos periféricos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Os bloqueadores de canal de cálcio diidropiridínicos (como nifedipino) não são o tratamento de escolha. Eles podem ser usados para controle de hipertensão, mas não bloqueiam os efeitos adrenérgicos que causam taquicardia e tremores. O betabloqueador é superior por agir diretamente nos receptores beta, controlando os sintomas cardíacos e adrenérgicos.
Alternativa C — ✅ Correta
O betabloqueador é o tratamento mais indicado para a crise tireotóxica, pois bloqueia os efeitos periféricos dos hormônios tireoidianos, que são mediados pela hiperatividade adrenérgica. O propranolol é o mais usado, pois também inibe a conversão de T4 em T3. É a prioridade inicial em pacientes taquicárdicos sem insuficiência cardíaca franca.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os benzodiazepínicos podem ser usados para agitação ou ansiedade, mas não tratam a causa nem os efeitos adrenérgicos da crise. Eles não controlam taquicardia, tremores ou hipertermia, que são os principais sintomas. O tratamento deve focar no bloqueio adrenérgico e na redução dos hormônios tireoidianos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Os corticosteroides são adjuvantes no tratamento, pois inibem a conversão de T4 em T3 e tratam o componente autoimune da doença de Graves. No entanto, não são o tratamento principal. Eles são usados em combinação com betabloqueadores e tionamidas, mas não substituem o bloqueio adrenérgico.
PEGA ESSA DICA!
Na crise tireotóxica, lembre-se da sequência: betabloqueador (bloqueia efeitos periféricos) → tionamida (bloqueia síntese) → iodo (bloqueia liberação) → corticosteroide (bloqueia conversão T4→T3). O betabloqueador é sempre o primeiro passo, exceto em ICC franca.