Paciente veio ao hospital trazido pelo serviço pré-hospitalar por déficit neurológico agudo. Durante a anamnese, descobre-se que o paciente iniciou há 40 minutos com sintomas de disartria e desvio de rima, bem como discreta hemiparesia esquerda. No exame físico, não se observa alterações de fala nem paralisia facial, mas se observa a presença de força grau V em todos os membros. Ao aplicar a escala de National Institute of Health Stroke Scale (NIHSS), obtém-se a pontuação zero. Sobre o diagnóstico e seguimento desse paciente, assinale a alternativa correta.
AO paciente pode estar apresentando um acidente vascular transitório (AIT) e, se possuir escore ABCD2 maior ou igual a 3, deve ser admitido para observação dos sintomas, bem como investigação do mecanismo etiológico.
BEstá fechado o diagnóstico de acidente vascular cerebral (AVC) e, se apresentar tomografia sem sinais de sangramento, deve ser trombolisado com alteplase na dose de 0,9 mg/kg (dose máxima de 90 mg).
CComo o paciente apresentou reversão total dos déficits, ele não preenche critério para realização de exame de imagem.
DO paciente está apresentando um AIT e deve ser aplicado o escore ABCD2 para avaliação do risco de AVC em 90 dias.
ETodos os pacientes com AIT que já usam ácido acetil salicílico (AAS) devem receber prescrição de clopidogrel.
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GabaritoA — O paciente pode estar apresentando um acidente vascular transitório (AIT) e, se possuir escore ABCD2 maior ou igual a 3, deve ser admitido para observação dos sintomas, bem como investigação do mecanismo etiológico.
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Ataque Isquêmico Transitório (AIT) e o escore ABCD2
Gabarito: letra A. O paciente apresenta um quadro compatível com AIT — déficit neurológico agudo com duração de 40 minutos e NIHSS zero no momento do exame — e, conforme o escore ABCD2, um escore ≥ 3 indica a necessidade de admissão para observação e investigação etiológica. A definição atual de AIT, conforme o guideline da ASA, é um episódio transitório de disfunção neurológica por isquemia focal, com duração tipicamente menor que 1 hora e sem evidência de infarto agudo na imagem.
O AIT é uma emergência neurológica que exige a mesma investigação e profilaxia secundária do AVC isquêmico, com a diferença crucial de que não há indicação de reperfusão aguda (trombólise ou trombectomia). O risco de AVC isquêmico nos primeiros 90 dias após um AIT é de cerca de 10%, sendo maior nas primeiras 48 horas. Por isso, a estratificação precoce com o escore ABCD2 é fundamental para decidir a conduta: pacientes com escore ≥ 3 devem ser admitidos para observação e investigação do mecanismo etiológico, enquanto aqueles com escore < 3 podem ser manejados ambulatorialmente, desde que a investigação seja rápida.
O escore ABCD2 avalia cinco critérios: idade (A), pressão arterial (B), sintomas clínicos (C), duração dos sintomas (D) e diabetes mellitus (D). A pontuação varia de 0 a 7, e o risco de AVC isquêmico em 48 horas aumenta progressivamente: 0-1 ponto (0%), 2-3 pontos (1,3%), 4-5 pontos (4,1%) e 6-7 pontos (8,1%). A alternativa A e
1Suspeita de AIT
2Aplicar ABCD2
3Escore ≥ 3 → admissão
4Investigar etiologia
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A está correta porque descreve exatamente a conduta recomendada para um paciente com AIT e escore ABCD2 ≥ 3: admissão para observação dos sintomas e investigação do mecanismo etiológico. O texto de apoio confirma que o AIT é um episódio transitório de disfunção neurológica por isquemia focal, com duração tipicamente menor que 1 hora, e que o risco de AVC isquêmico nos primeiros 90 dias é de cerca de 10%. O escore ABCD2 é a ferramenta para estratificar esse risco, e a recomendação é que pacientes com escore ≥ 3 sejam admitidos para observação e investigação etiológica, pois apresentam maior risco de AVC iminente. A alternativa espelha essa conduta, sendo a única que está plenamente alinhada com as diretrizes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B está incorreta porque afirma que o diagnóstico de AVC está fechado, o que não é verdade. O paciente apresenta sintomas com duração de 40 minutos e NIHSS zero no momento do exame, o que é compatível com AIT, não com AVC. Além disso, a alternativa sugere trombólise com alteplase, mas o AIT não tem indicação de reperfusão aguda, conforme o texto de apoio: "A exceção se faz à instituição de estratégias de reperfusão cerebral agudas, como a TEV e a TM, das quais o paciente com AIT não tem indicação." O diagnóstico de AVC exigiria déficits persistentes ou evidência de infarto na imagem, o que não está presente no caso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C está incorreta porque afirma que o paciente não preenche critério para realização de exame de imagem. Mesmo com reversão total dos déficits, o paciente com AIT deve ser investigado com exames de imagem para avaliar o mecanismo etiológico e descartar infarto agudo. O texto de apoio indica que a investigação do mecanismo etiológico é o principal objetivo no tratamento do AIT, e a tabela de exames complementares sugere a realização de ressonância magnética ou tomografia computadorizada para avaliar áreas isquêmicas. A ausência de déficits no momento do exame não elimina a necessidade de investigação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D está incorreta porque afirma que o escore ABCD2 avalia o risco de AVC em 90 dias, quando na verdade ele estratifica o risco de AVC isquêmico em até 2 dias (48 horas) após o AIT. O texto de apoio é claro: "Uma forma de estratificar o risco de AVCi em até 2 dias após o AIT é por meio do escore ABCD2." O risco em 90 dias é de cerca de 10%, mas não é isso que o escore ABCD2 mede. A alternativa confunde o período de avaliação do escore, o que é um erro conceitual importante.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E está incorreta porque faz uma afirmação generalizada e sem fundamento: "Todos os pacientes com AIT que já usam AAS devem receber prescrição de clopidogrel." Não há essa recomendação universal. A profilaxia secundária no AIT deve ser individualizada, considerando o mecanismo etiológico e as comorbidades do paciente. O texto de apoio menciona a importância da profilaxia secundária específica, mas não estabelece uma regra de troca automática de AAS por clopidogrel para todos os pacientes. A alternativa é uma generalização indevida, sem respaldo nas diretrizes.