Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2023
- Código
- qq892337
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Neurologia)
- AApenas I.
- BApenas III.
- CApenas I e II.
- DApenas I e III.
- EApenas II e III.
GabaritoD — Apenas I e III.
Gabarito: letra D — estão corretas as afirmativas I e III. A toxoplasmose congênita, quando a primeira infecção ocorre na gestação, pode causar microcefalia fetal; e o tratamento de escolha é a associação de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. A afirmativa II está incorreta porque as lesões da neurotoxoplasmose tipicamente são múltiplas, com edema perilesional e realce anelar ou nodular após contraste — o oposto do que ela descreve.
A toxoplasmose cerebral é uma infecção oportunista causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, que acomete principalmente pacientes imunossuprimidos, sobretudo aqueles com HIV/Aids e contagem de linfócitos T CD4+ abaixo de 100 células/mm³. A doença ocorre pela reativação de cistos latentes no sistema nervoso central, formando abscessos cerebrais que se manifestam com cefaleia, sinais focais (hemiparesia, disfasia), febre, convulsões e alteração do estado mental.
O diagnóstico é essencialmente clínico-radiológico: na tomografia computadorizada, observam-se uma ou mais lesões hipodensas, com realce anelar ou nodular após a injeção de contraste, associadas a edema perilesional. A localização preferencial é nos gânglios da base, mas qualquer topografia é possível. A ressonância magnética é mais sensível para lesões pequenas ou em fossa posterior. O diagnóstico presuntivo se confirma pela resposta clínico-radiológica após 10 a 14 dias de tratamento antiparasitário.
O tratamento de primeira linha consiste na associação de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. A pirimetamina atua como antagonista do ácido fólico, e o ácido folínico é adicionado para prevenir a mielotoxicidade e outras toxicidades hematológicas. Esquemas alternativos incluem clindamicina, dapsona ou atovaquona, sempre associados à pirimetamina e ao ácido folínico. A profilaxia primária é indicada para pacientes com CD4 < 100 células/mm³ e sorologia IgG positiva, e a profilaxia secundária é obrigatória após o tratamento, reduzindo a taxa de recorrência.
A toxoplasmose congênita, por sua vez, ocorre quando a gestante tem a primeira infecção durante a gestação, permitindo a transmissão transplacentária do parasita ao feto. As consequências podem ser graves, incluindo microcefalia, calcificações intracranianas, hidrocefalia e coriorretinite. A microcefalia é uma manifestação reconhecida da toxoplasmose congênita, o que torna a afirmativa I correta.
A afirmativa II, no entanto, descreve um padrão de imagem que não corresponde à neurotoxoplasmose. As lesões típicas são maiores, com edema perilesional e captação de contraste — características que as diferenciam da microangiopatia, que se manifesta como pequenas lesões isquêmicas sem realce. A banca explora exatamente essa inversão: apresenta o padrão de imagem da microangiopatia como se fosse o da toxoplasmose.
Guarde, portanto, o contraste entre os dois padrões: toxoplasmose = lesões com realce e edema; microangiopatia = lesões pequenas sem realce. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
A primeira infecção por toxoplasmose durante a gestação pode, de fato, ocasionar microcefalia no feto. A transmissão transplacentária do Toxoplasma gondii na toxoplasmose congênita pode levar a graves sequelas neurológicas, incluindo microcefalia, calcificações intracranianas e hidrocefalia. A afirmativa está correta.
A afirmativa inverte completamente o padrão de imagem da neurotoxoplasmose. As lesões cerebrais da toxoplasmose em geral são múltiplas, hipodensas, com realce anelar ou nodular após contraste e associadas a edema perilesional — não são pequenas, sem edema e sem impregnação. Esse padrão descrito (lesões pequenas, sem edema e sem realce) é típico da microangiopatia, não da toxoplasmose. A banca troca os padrões de imagem entre as duas condições.
O uso de sulfadiazina associado à pirimetamina e ácido folínico é, de fato, o esquema de primeira linha para o tratamento da toxoplasmose cerebral. A pirimetamina inibe a diidrofolato redutase do parasita, e o ácido folínico é administrado para prevenir a toxicidade hematológica. A afirmativa está correta.
Conclusão: corretos os itens I e III → gabarito: letra D.
A banca inverte o padrão de imagem da neurotoxoplasmose com o da microangiopatia. Na toxoplasmose, as lesões são maiores, com edema e realce anelar/nodular; na microangiopatia, são pequenas, sem realce. Fique atento a essa troca clássica.
Para fixar, lembre-se: toxoplasmose = lesão com "anel" (realce anelar) e edema; microangiopatia = lesão "apagada" (sem realce). Na dúvida, associe a toxoplasmose ao realce e ao edema, e a microangiopatia à ausência deles.
Gabarito: letra D
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