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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq892342
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Neurologia)
A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença extremamente temida, que se caracteriza pela presença de sinais de acometimento de primeiro e segundo neurônio motor ao mesmo tempo. Sobre a ELA, pode-se afirmar que:I. É fundamental o acompanhamento multidisciplinar de pacientes com ELA.II. A presença de acometimento precoce da musculatura de inervação bulbar (como fasciculações na língua) é um marcador de bom prognóstico.III. Os exames de neurocondução podem auxiliar na confirmação do diagnóstico.Quais estão corretas?
  1. AApenas II.
  2. BApenas I e II.
  3. CApenas I e III.
  4. DApenas II e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Apenas I e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA): análise de assertivas

Gabarito: letra C — corretos os itens I e III. O acompanhamento multidisciplinar é essencial no manejo da ELA, e os exames de neurocondução (estudos de condução nervosa) auxiliam na confirmação diagnóstica ao excluir outras neuropatias. O item II está incorreto: o acometimento precoce da musculatura bulbar, como fasciculações na língua, é marcador de pior prognóstico, não de bom prognóstico.

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa progressiva e tipicamente fatal, caracterizada pela degeneração simultânea do primeiro neurônio motor (neurônio motor superior — NMS, localizado no córtex motor) e do segundo neurônio motor (neurônio motor inferior — NMI, localizado no corno anterior da medula espinhal e nos núcleos motores do tronco encefálico). Essa degeneração dupla explica o quadro clínico: sinais de NMS (hiper-reflexia, espasticidade, sinal de Babinski, afeto pseudobulbar) combinados com sinais de NMI (fraqueza, atrofia muscular, fasciculações e cãibras). A doença é mais comum entre 55 e 75 anos, com sobrevida média de 3 a 5 anos, sendo a insuficiência respiratória e a pneumonia por aspiração as principais causas de morte.

O manejo da ELA exige uma abordagem multidisciplinar justamente porque a doença compromete múltiplas funções: respiratória (ventilação não invasiva, dispositivos de auxílio à tosse), deglutição (gastrostomia percutânea endoscópica — GPE), fala (dispositivos de aumento da fala), sialorreia (amitriptilina, glicopirrolato, toxina botulínica), espasticidade (baclofeno, dantroleno) e afeto pseudobulbar (ISRSs, dextrometorfano/quinidina). A equipe envolve neurologista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, pneumologista, terapeuta ocupacional e psicólogo, entre outros. Essa integralidade do cuidado é reconhecida nos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas, que estruturam a rede assistencial e definem fluxos para o atendimento em todas as etapas da doença.

O diagnóstico da ELA é essencialmente clínico, baseado na história e no exame neurológico que demonstram sinais de NMS e NMI em múltiplas regiões (bulbar, cervical, torácica e lombar). No entanto, os exames complementares têm papel importante: a eletroneuromiografia (ENMG), que inclui os estudos de neurocondução e a eletromiografia de agulha, auxilia na confirmação diagnóstica ao demonstrar denervação ativa e crônica em músculos inervados por diferentes raízes e nervos, e ao excluir outras condições que mimetizam a ELA, como neuropatias periféricas, miopatias e radiculopatias. Nos estudos de neurocondução, anormalidades nos nervos sensitivos e motores sugerem neuropatia periférica, enquanto anormalidades apenas nos nervos motores, com estudos sensitivos normais, podem indicar miopatia, neuropatia motora ou radiculopatia — padrões que ajudam a diferenciar a ELA de outras doenças.

A distinção que importa aqui é entre o acometimento bulbar precoce e o prognóstico. Na ELA, a forma de apresentação bulbar (disartria, disfagia, fasciculações na língua) está associada a pior prognóstico e menor sobrevida quando comparada à forma de início espinhal (membros). Isso ocorre porque o comprometimento bulbar leva mais rapidamente a disfagia grave e insuficiência respiratória, complicações que determinam a mortalidade. A banca explora exatamente essa inversão: o candidato pode associar "precoce" a "bom prognóstico" por intuição, mas na ELA o início bulbar é um marcador de gravidade.

Guarde o critério decisivo: acompanhamento multidisciplinar (correto), neurocondução como auxílio diagnóstico (correto) e acometimento bulbar precoce como mau prognóstico (incorreto). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Item

Afirmação

Análise

I

Acompanhamento multidisciplinar é fundamental

✅ Correto — abordagem integrada melhora qualidade de vida e sobrevida

II

Acometimento bulbar precoce é marcador de bom prognóstico

❌ Incorreto — é marcador de pior prognóstico (disfagia e insuficiência respiratória precoces)

III

Exames de neurocondução auxiliam na confirmação diagnóstica

✅ Correto — ajudam a excluir neuropatias, miopatias e radiculopatias

ELA (diagnóstico e prognóstico)
  • 1Acometimento
    • 1º neurônio motor (NMS)
    • 2º neurônio motor (NMI)
  • 2Diagnóstico
    • Clínico (essencial)
    • ENMG auxilia
      • Neurocondução
      • Exclui outras neuropatias
  • 3Prognóstico
    • Forma bulbar precoce
      • Pior prognóstico
      • Disfagia e insuficiência respiratória
    • Forma espinhal
      • Melhor sobrevida
  • 4Manejo
    • Multidisciplinar
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Item I — ✅ Correto

O acompanhamento multidisciplinar é fundamental no manejo da ELA. A doença compromete múltiplos sistemas funcionais — respiratório, deglutição, fala, mobilidade, nutrição e aspectos emocionais — e a abordagem integrada entre neurologista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, pneumologista e outros profissionais melhora a qualidade de vida e a sobrevida. Os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas estruturam a rede assistencial e definem fluxos para o atendimento em todas as etapas da doença, reforçando a necessidade do cuidado multidisciplinar.

Item II — ❌ Incorreto

O acometimento precoce da musculatura de inervação bulbar, como fasciculações na língua, é marcador de pior prognóstico, não de bom prognóstico. A forma bulbar da ELA está associada a menor sobrevida, pois leva mais rapidamente a disfagia grave e insuficiência respiratória — as principais causas de morte na doença. A banca inverte o sentido: "precoce" não significa "bom"; na ELA, o início bulbar é um sinal de gravidade.

Item III — ✅ Correto

Os exames de neurocondução (estudos de condução nervosa) auxiliam na confirmação do diagnóstico da ELA. Eles fazem parte da eletroneuromiografia (ENMG) e ajudam a excluir outras condições que mimetizam a doença, como neuropatias periféricas, miopatias e radiculopatias. Na ELA, os estudos de neurocondução geralmente mostram potenciais de ação muscular compostos (PAMC) reduzidos, com velocidades de condução preservadas ou discretamente reduzidas, e os estudos sensitivos normais — padrão que diferencia a ELA de neuropatias periféricas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte o prognóstico da forma bulbar da ELA. O candidato pode pensar que "acometimento precoce" indica "bom prognóstico" por intuição, mas na ELA o início bulbar é marcador de pior prognóstico, com menor sobrevida devido à disfagia e insuficiência respiratória precoces. Fique atento: na ELA, bulbar precoce = mau prognóstico.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre ELA, lembre-se do tripé: (1) diagnóstico é clínico, com ENMG auxiliando na exclusão de outras neuropatias; (2) manejo é multidisciplinar; (3) forma bulbar tem pior prognóstico. Se a alternativa falar em "bom prognóstico" com acometimento bulbar, está errada.

Gabarito: letra C — corretos os itens I e III.

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