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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq892364
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico (Neurologia)
Uma paciente de 47 anos vem à emergência devido à cefaleia de forte intensidade, confusão mental associada à febre alta e sinais de irritação meníngea. Ressonância magnética de encéfalo com contraste evidencia alterações em lobos temporais mesiais e exame de líquor apresenta: Leucócitos: 320 cel/campo (93% linfócitos, 7% neutrófilos); Hemácias: 4 cel/campo; Proteína 73mg/dl e glicose: 68mg/dl (HGT realizado na hora da punção 104mg/dl). O quadro é compatível com:
  1. AMeningite por tuberculose.
  2. BMeningite bacteriana.
  3. CEncefalite viral.
  4. DToxoplasmose cerebral.
  5. EHemorragia subaracnóide.
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GabaritoC — Encefalite viral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Encefalite viral: diagnóstico pelo líquor e neuroimagem

Gabarito: letra C. O quadro é compatível com encefalite viral: líquor com pleocitose linfocitária (93% linfócitos), glicose normal (68 mg/dL, com glicemia de 104 mg/dL — relação glicorraquia/glicemia ≈ 0,65), proteína discretamente elevada e RM com alteração em lobos temporais mesiais — padrão clássico da encefalite herpética. A tríade clínica (febre, confusão mental, irritação meníngea) associada ao envolvimento temporal na neuroimagem fecha o diagnóstico.

A encefalite é a inflamação do parênquima cerebral, em contraste com a meningite, que acomete as meninges e o espaço subaracnóideo. Na prática clínica, a distinção entre meningite e encefalite se faz pela análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) e pela neuroimagem. O LCR é o exame essencial: na encefalite viral, espera-se pleocitose com predomínio de linfócitos, glicose normal ou discretamente reduzida e proteína normal ou levemente aumentada. Já na meningite bacteriana, o padrão é de neutrofilia, glicose baixa (hipoglicorraquia) e proteína elevada, com aspecto turvo. A meningite tuberculosa cursa com linfocitose, mas com glicose baixa e proteína muito elevada, além de evolução subaguda. A toxoplasmose cerebral, comum em imunossuprimidos, manifesta-se com lesões expansivas múltiplas com captação anelar de contraste, não com padrão temporal mesial. A hemorragia subaracnóidea apresenta líquor xantocrômico ou hemorrágico, sem pleocitose linfocitária.

O dado decisivo desta questão é a associação entre o padrão liquórico (linfocitose + glicose normal) e a alteração em lobos temporais mesiais na RM. O herpes-vírus (HSV-1) tem tropismo pelos lobos temporais, e a encefalite herpética é a causa mais comum de encefalite viral esporádica. A RM com contraste mostra hipersinal em T2/FLAIR nos lobos temporais mesiais, frequentemente bilateral, e o PCR para HSV no LCR confirma o diagnóstico. A glicose normal no LCR é um forte discriminador: exclui meningite bacteriana e tuberculosa, que cursam com hipoglicorraquia. A relação glicose LCR/glicemia de 68/104 ≈ 0,65 está dentro do esperado (normal > 0,6), reforçando a etiologia viral.

A banca explora a confusão entre meningite e encefalite, e entre as etiologias virais e bacterianas. O candidato que decora apenas "linfocitose = viral" pode errar, pois a meningite tuberculosa também tem linfocitose — mas a glicose normal e o envolvimento temporal na RM afastam a tuberculose. O raciocínio clínico exige integrar os três pilares: clínica, líquor e neuroimagem.

Critério

Encefalite Viral (caso)

Meningite Bacteriana

Meningite Tuberculosa

Toxoplasmose Cerebral

Hemorragia Subaracnóidea

Predomínio celular no LCR

Linfócitos (93%)

Neutrófilos

Linfócitos

Pleocitose variável

Hemácias (sangue)

Glicose no LCR

Normal (68 mg/dL)

Baixa (hipoglicorraquia)

Baixa (hipoglicorraquia)

Normal ou baixa

Normal

Proteína no LCR

Normal ou discretamente elevada

Elevada

Muito elevada

Elevada

Normal ou elevada

Neuroimagem típica

Alteração em lobos temporais mesiais

Sem padrão parenquimatoso específico

Envolvimento de base, hidrocefalia

Lesões múltiplas com captação anelar

Sangue no espaço subaracnóideo

Clínica característica

Febre, confusão, irritação meníngea

Febre alta, rigidez de nuca, toxemia

Evolução subaguda, pares cranianos

Déficits focais em imunossuprimidos

Cefaleia súbita "pior da vida"

1Viral
Linfócitos
Glicose normal
Proteína normal/discreta
2Bacteriana
Neutrófilos
Glicose baixa
Proteína alta
3Tuberculosa
Linfócitos
Glicose baixa
Proteína muito alta
Líquor na síndrome meníngea
LEVELsoulevel.com.br
Líquor na síndrome meníngea: Viral (Linfócitos, Glicose normal, Proteína normal/discreta); Bacteriana (Neutrófilos, Glicose baixa, Proteína alta); Tuberculosa (Linfócitos, Glicose baixa, Proteína muito alta)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A meningite tuberculosa cursa com linfocitose, mas com hipoglicorraquia (glicose baixa) e proteína muito elevada, além de evolução subaguda com envolvimento de pares cranianos (especialmente o VI par). Nesta paciente, a glicose está normal (68 mg/dL) e a RM mostra alteração temporal mesial, padrão típico de encefalite viral, não de tuberculose. A glicose normal é o principal fator que exclui esta alternativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A meningite bacteriana apresenta líquor turvo, com pleocitose neutrofílica (predomínio de neutrófilos), glicose baixa e proteína elevada. Aqui, o predomínio é linfocitário (93%) e a glicose está normal, o que afasta a etiologia bacteriana. Além disso, a RM com alteração em lobos temporais mesiais é característica de encefalite, não de meningite bacteriana, que tipicamente não mostra esse padrão de envolvimento parenquimatoso.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A encefalite viral é confirmada pela tríade: (1) líquor com pleocitose linfocitária (93% linfócitos), glicose normal (68 mg/dL, relação com glicemia de 104 mg/dL ≈ 0,65) e proteína discretamente elevada; (2) RM com alteração em lobos temporais mesiais, padrão clássico da encefalite herpética (HSV-1); (3) clínica de febre alta, confusão mental e irritação meníngea. A glicose normal no LCR é o marcador que separa a encefalite viral das meningites bacteriana e tuberculosa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A toxoplasmose cerebral ocorre tipicamente em pacientes imunocomprometidos (HIV/AIDS) e se manifesta com lesões expansivas múltiplas com captação anelar de contraste na neuroimagem, além de sintomas focais. O líquor pode mostrar pleocitose, mas o padrão de envolvimento temporal mesial na RM e a glicose normal não são características da toxoplasmose. Não há menção a imunossupressão no caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hemorragia subaracnóidea (HSA) apresenta líquor hemorrágico ou xantocrômico, com hemácias elevadas, e não pleocitose linfocitária. A clínica típica é de cefaleia súbita e intensa ("pior da vida"), sem febre alta. A RM com alteração temporal mesial não é compatível com HSA, que se manifesta com sangue no espaço subaracnóideo. O líquor mostra apenas 4 hemácias, descartando sangramento significativo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a glicose normal por baixa para confundir com meningite bacteriana ou tuberculosa. O candidato que decora "linfocitose = viral" pode cair na alternativa A (tuberculose), mas a glicose normal (68 mg/dL) e o envolvimento temporal mesial na RM são os dados que fecham o diagnóstico de encefalite viral. Fique atento: a glicose no LCR é o discriminador-chave entre as etiologias.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as causas de síndrome meníngea, monte uma tabela mental com os três padrões liquóricos: (1) viral — linfócitos, glicose normal, proteína normal/discreta; (2) bacteriana — neutrófilos, glicose baixa, proteína alta; (3) tuberculosa — linfócitos, glicose baixa, proteína muito alta. Associe a neuroimagem: encefalite herpética = lobos temporais mesiais.

Gabarito: letra C

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