Questão de Medicina — Oncologia — FUNDATEC 2023
- Código
- qq892934
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2023
- Nível
- Médio
- Cargo
- Técnico de Radiologia (Medicina Radioterapia)
- AV – V – F – V.
- BF – F – V – F.
- CV – V – F – F.
- DF – F – V – V.
- EV – F – V – F.
GabaritoA — V – V – F – V.
Gabarito: letra A (V – V – F – V). A sequência correta é: primeira assertiva verdadeira (a dose absorvida é proporcional à densidade do tecido e à energia dos elétrons), segunda verdadeira (elétrons são indicados para alvos superficiais com estruturas radiossensíveis adjacentes, como linfonodos cervicais com a medula espinhal atrás), terceira falsa (elétrons não atingem tumores profundos, pois têm penetração limitada) e quarta verdadeira (não penetram profundamente, liberando dose da pele até cerca de 5 cm, com queda acentuada após). O fundamento está na física da interação dos elétrons com a matéria e na prática clínica da radioterapia.
A radioterapia com feixe de elétrons é uma modalidade de tratamento que utiliza partículas carregadas (elétrons) aceleradas por um acelerador linear. Diferentemente dos fótons (raios X de alta energia), que penetram profundamente no corpo, os elétrons têm uma profundidade de penetração limitada, o que os torna ideais para tratar tumores superficiais. Essa característica é explicada pela física da interação: os elétrons, por serem partículas carregadas, perdem energia rapidamente ao interagir com o tecido, depositando a maior parte da dose nos primeiros centímetros de profundidade. A dose absorvida é diretamente proporcional à densidade do tecido — tecidos mais densos, como osso, absorvem mais dose — e à energia dos elétrons, que determina a profundidade máxima de penetração. Na prática clínica, essa propriedade é explorada para tratar lesões superficiais, como tumores de pele, linfonodos cervicais superficiais e lesões infiltrativas, protegendo estruturas profundas radiossensíveis, como a medula espinhal. A energia do feixe é escolhida conforme a profundidade do alvo: energias mais baixas (6-9 MeV) para lesões muito superficiais e energias mais altas (12-20 MeV) para lesões um pouco mais profundas, mas sempre limitadas a poucos centímetros. Essa limitação é uma vantagem quando se deseja poupar tecidos profundos, mas uma desvantagem quando o tumor é profundo, caso em que se utilizam fótons ou outras técnicas.
A compreensão da física dos elétrons é essencial para o planejamento radioterápico. A dose absorvida em um ponto do tecido depende da fluência de elétrons, da densidade do meio e da energia. A profundidade de penetração é diretamente proporcional à energia: elétrons de 6 MeV atingem cerca de 2 cm, enquanto elétrons de 20 MeV atingem cerca de 6 cm. Após a profundidade máxima, a dose cai abruptamente, o que é conhecido como "queda acentuada" (fall-off). Essa característica é fundamental para proteger estruturas críticas atrás do alvo. Por exemplo, no tratamento de linfonodos cervicais, a medula espinhal, que fica logo atrás, recebe dose mínima, pois a dose dos elétrons cai rapidamente após a profundidade do alvo. Essa é a razão pela qual a radioterapia com elétrons é preferida em situações em que se deseja tratar uma lesão superficial sem irradiar estruturas profundas.
A pegadinha desta questão está na terceira assertiva, que afirma que os elétrons são capazes de atingir tumores profundos. Isso é falso, pois a principal limitação dos elétrons é justamente a penetração limitada. O candidato pode confundir com os fótons, que são usados para tumores profundos. A banca explora essa confusão entre as duas modalidades de radiação. Além disso, a quarta assertiva menciona uma profundidade de "cerca de 5 cm", que é um valor aproximado para elétrons de alta energia (20 MeV), mas a queda acentuada após essa profundidade é uma característica real. A primeira assertiva é verdadeira, pois a dose absorvida é proporcional à densidade do tecido e à energia dos elétrons, conforme a física da interação. A segunda assertiva é verdadeira, pois os elétrons são indicados para alvos superficiais com estruturas radiossensíveis adjacentes, como o exemplo citado.
Guarde a fronteira entre elétrons e fótons: elétrons para superficial, fótons para profundo. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
A sequência V – V – F – V está correta. A primeira assertiva é verdadeira: a dose absorvida pelos tecidos é proporcional à densidade do tecido e à energia dos elétrons, conforme a física da interação de partículas carregadas com a matéria. A segunda assertiva é verdadeira: os elétrons são adequados para alvos superficiais com estruturas radiossensíveis ao redor, como linfonodos cervicais com a medula espinhal atrás, pois a dose cai rapidamente após a profundidade do alvo. A terceira assertiva é falsa: os elétrons não atingem tumores profundos, pois têm penetração limitada. A quarta assertiva é verdadeira: os elétrons não penetram profundamente, liberando dose da pele até cerca de 5 cm, com queda acentuada após essa profundidade.
A sequência F – F – V – F está incorreta. A primeira assertiva é verdadeira, não falsa: a dose absorvida é proporcional à densidade do tecido e à energia dos elétrons. A segunda assertiva é verdadeira, não falsa: os elétrons são indicados para alvos superficiais com estruturas radiossensíveis adjacentes. A terceira assertiva é falsa, não verdadeira: os elétrons não atingem tumores profundos. A quarta assertiva é verdadeira, não falsa: os elétrons não penetram profundamente, liberando dose até cerca de 5 cm. A alternativa inverte todas as assertivas.
A sequência V – V – F – F está incorreta. As três primeiras assertivas estão corretas (V, V, F), mas a quarta assertiva é verdadeira, não falsa: os elétrons não penetram profundamente, liberando dose da pele até cerca de 5 cm, com queda acentuada após. A alternativa erra apenas na quarta assertiva, marcando-a como falsa quando é verdadeira.
A sequência F – F – V – V está incorreta. A primeira assertiva é verdadeira, não falsa: a dose absorvida é proporcional à densidade do tecido e à energia dos elétrons. A segunda assertiva é verdadeira, não falsa: os elétrons são indicados para alvos superficiais com estruturas radiossensíveis adjacentes. A terceira assertiva é falsa, não verdadeira: os elétrons não atingem tumores profundos. A quarta assertiva é verdadeira, mas a alternativa erra nas três primeiras.
A sequência V – F – V – F está incorreta. A primeira assertiva é verdadeira, mas a segunda é verdadeira, não falsa: os elétrons são indicados para alvos superficiais com estruturas radiossensíveis adjacentes. A terceira assertiva é falsa, não verdadeira: os elétrons não atingem tumores profundos. A quarta assertiva é verdadeira, não falsa: os elétrons não penetram profundamente, liberando dose até cerca de 5 cm. A alternativa erra nas três últimas assertivas.
Para questões sobre radioterapia, lembre-se da regra: elétrons = superficial, fótons = profundo. Quando a assertiva mencionar "tumores profundos" com elétrons, marque F. Quando mencionar "queda acentuada" ou "penetração limitada", marque V. Essa distinção é a chave para acertar a sequência.
Gabarito: letra A
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