Questão de Enfermagem — Doenças Infecciosas e parasitárias — FUNDATEC 2023
Enfermagem›Doenças Infecciosas e parasitárias
Código
qq893006
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Técnico em Enfermagem (Intensivista Adulto)
As infecções virais que causam internação em terapia intensiva geralmente são respiratórias e podem cursar com síndrome da angústia respiratória aguda e óbito. A influenza é causada por um RNA vírus que apresenta como característica marcada ter um genoma fragmentado. Assinale a alternativa que corresponde ao medicamento mais indicado para o tratamento dessa patologia.
ABrometo de ipratrópio.
BFosfato de oseltamivir.
CDasabuvir.
DPenicilina.
ETacrolimo.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Fosfato de oseltamivir.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Tratamento farmacológico da influenza
Gabarito: letra B. O fosfato de oseltamivir é o antiviral de escolha para o tratamento da influenza, atuando como inibidor da neuraminidase, enzima essencial para a liberação de novas partículas virais. As demais alternativas não possuem atividade antiviral contra o vírus influenza: brometo de ipratrópio é broncodilatador, dasabuvir é usado na hepatite C, penicilina é antibiótico e tacrolimo é imunossupressor.
A influenza é uma infecção respiratória aguda de grande relevância clínica, especialmente em pacientes internados em terapia intensiva, podendo evoluir para síndrome da angústia respiratória aguda (SARA) e óbito. O vírus influenza é um RNA vírus envelopado, pertencente à família Orthomyxoviridae, e sua característica marcante é possuir genoma fragmentado em oito segmentos de RNA de fita simples e polaridade negativa. Essa segmentação genética confere ao vírus uma alta capacidade de recombinação gênica (rearranjo ou reassortment), o que explica o surgimento de novas cepas e a necessidade de atualização anual das vacinas.
O tratamento específico da influenza baseia-se no uso de antivirais, sendo o oseltamivir o fármaco de primeira linha. Ele age inibindo seletivamente a neuraminidase viral, uma enzima presente na superfície do vírus que cliva o ácido siálico das células hospedeiras, permitindo a liberação e disseminação dos vírus recém-formados. Ao bloquear essa enzima, o oseltamivir impede a propagação viral, reduzindo a duração dos sintomas, a gravidade da doença e as complicações, como a pneumonia. O benefício é maior quando iniciado nas primeiras 48 horas do início dos sintomas, mas seu uso também é recomendado em casos graves, mesmo após esse período.
Na prática clínica, o oseltamivir é administrado por via oral, na dose de 75 mg duas vezes ao dia por cinco dias para adultos, com ajustes em pacientes com insuficiência renal. Em crianças, a dose é calculada pelo peso. O Ministério da Saúde preconiza o tratamento precoce para casos suspeitos ou confirmados de influenza, especialmente em grupos de risco, como gestantes, idosos, imunossuprimidos e portadores de doenças crônicas. A vacinação anual continua sendo a principal medida preventiva, mas o antiviral é a ferramenta terapêutica essencial.
A distinção entre as classes farmacológicas é o ponto central desta questão. Enquanto os antibióticos (penicilina) atuam contra bactérias, os antivirais (oseltamivir, dasabuvir) atuam contra vírus. O dasabuvir, especificamente, é um inibidor da polimerase NS5B do vírus da hepatite C, não tendo nenhuma ação contra o influenza. O brometo de ipratrópio é um anticolinérgico broncodilatador usado na DPOC e asma, e o tacrolimo é um imunossupressor utilizado em transplantes e doenças autoimunes, que, na verdade, poderia até piorar o quadro infeccioso por suprimir a resposta imune. A banca explora exatamente essa confusão entre as classes de medicamentos, testando se o candidato conhece a indicação específica de cada fármaco.
Guarde a relação entre o agente etiológico e o tratamento específico: influenza → oseltamivir; hepatite C → dasabuvir; infecção bacteriana → penicilina. É esse vínculo que separa as alternativas corretas das incorretas.
Tratamento da influenza: Oseltamivir (gabarito) (Inibidor da neuraminidase, Início ideal: 48h); Ipratrópio (Broncodilatador (DPOC/asma)); Dasabuvir (Antiviral p/ hepatite C); Penicilina (Antibiótico (bactérias)); Tacrolimo (Imunossupressor)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O brometo de ipratrópio é um broncodilatador anticolinérgico, utilizado no tratamento de doenças obstrutivas das vias aéreas, como DPOC e asma. Ele não possui ação antiviral e, portanto, não é indicado para o tratamento da influenza. A confusão pode ocorrer porque a influenza é uma doença respiratória, mas o alvo do tratamento é o vírus, não o broncoespasmo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O fosfato de oseltamivir é o antiviral de escolha para o tratamento da influenza. Ele atua como inibidor da neuraminidase, enzima viral que permite a liberação de novos vírus das células infectadas. Ao bloquear essa enzima, o fármaco reduz a replicação viral, a duração dos sintomas e as complicações, sendo recomendado pelo Ministério da Saúde para casos suspeitos ou confirmados, idealmente nas primeiras 48 horas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O dasabuvir é um antiviral, mas é utilizado no tratamento da hepatite C crônica, atuando como inibidor da polimerase NS5B do vírus da hepatite C (HCV). Ele não tem atividade contra o vírus influenza, portanto não é indicado para essa patologia. A pegadinha aqui é que ambos são antivirais, mas com espectro de ação completamente diferente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A penicilina é um antibiótico, ou seja, atua contra bactérias, inibindo a síntese da parede celular bacteriana. A influenza é causada por um vírus, e antibióticos não têm efeito sobre vírus. Seu uso indevido em infecções virais contribui para a resistência bacteriana e não traz benefício clínico, exceto no tratamento de complicações bacterianas secundárias, como pneumonia bacteriana.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tacrolimo é um imunossupressor, utilizado para prevenir a rejeição em transplantes de órgãos e no tratamento de doenças autoimunes. Ele inibe a calcineurina, reduzindo a ativação de linfócitos T. Em uma infecção viral como a influenza, o uso de imunossupressores seria contraindicado, pois poderia agravar a doença ao suprimir a resposta imune do paciente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura medicamentos de classes diferentes para testar se o candidato sabe a indicação específica de cada um. A pegadinha está em associar o dasabuvir (também antiviral) à influenza, quando ele é específico para hepatite C, e em sugerir o ipratrópio (broncodilatador) por ser uma doença respiratória. Lembre-se: o tratamento da influenza é com antiviral inibidor de neuraminidase, o oseltamivir.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de farmacologia, monte uma tabela mental relacionando o agente etiológico à classe do medicamento: vírus → antiviral (específico para cada vírus), bactéria → antibiótico, fungo → antifúngico. Isso evita confusões e acelera a resolução.