Questão de Medicina — Gastroenterologia — FUNDATEC 2023
Medicina›Gastroenterologia
Código
qq893093
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF Farroupilha - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico-Área
Qual é a principal forma de tratamento para o câncer gástrico localizado?
ARadioterapia.
BQuimioterapia.
CGastrectomia subtotal.
DEndoscopia terapêutica.
ETratamento paliativo.
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GabaritoC — Gastrectomia subtotal.
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Câncer gástrico localizado: tratamento
Gabarito: letra C. Para o câncer gástrico localizado (doença não metastática), a cirurgia — especificamente a gastrectomia — é o pilar do tratamento com intenção curativa, conforme o material de apoio sobre o tema. A gastrectomia subtotal é a opção cirúrgica padrão para tumores localizados nos dois terços inferiores do estômago, enquanto a gastrectomia total é reservada para tumores do terço superior.
O câncer gástrico é uma neoplasia maligna que se origina na mucosa do estômago, e seu tratamento depende fundamentalmente do estadiamento no momento do diagnóstico. A doença localizada significa que o tumor está restrito ao estômago, sem evidência de metástases à distância. Nesse cenário, o objetivo do tratamento é a cura, e a modalidade terapêutica que oferece essa possibilidade é a ressecção cirúrgica completa do tumor.
A cirurgia oncológica para o câncer gástrico envolve a remoção do estômago (gastrectomia) juntamente com os linfonodos regionais, buscando margens cirúrgicas livres de neoplasia. A extensão da gastrectomia — subtotal ou total — é determinada pela localização do tumor. Para tumores nos dois terços inferiores do estômago, a gastrectomia subtotal (distal) é o procedimento de escolha, pois permite a ressecção adequada com preservação de parte do órgão. Para tumores do terço superior, a gastrectomia total é necessária.
A dissecção linfonodal também é parte crucial do tratamento cirúrgico. A dissecção D2, que remove o estômago, todos os linfonodos circundantes e o baço, é considerada superior à dissecção D1 (limitada aos linfonodos perigástricos), embora esteja associada a maiores taxas de morbidade e mortalidade, devendo ser realizada por cirurgião experiente.
Para a doença localmente avançada, além da cirurgia, abordagens multimodais como quimioterapia perioperatória com esquema à base de platina ou quimiorradiação com 5-FU são aceitáveis. No entanto, a cirurgia permanece como o componente central e indispensável do tratamento curativo. Para doença metastática, o tratamento é paliativo, com quimioterapia visando melhorar sobrevida e qualidade de vida.
A distinção fundamental que separa as alternativas é a intenção do tratamento: curativa versus paliativa. No câncer gástrico localizado, a intenção é curativa, e a cirurgia é o único meio de alcançá-la. Radioterapia e quimioterapia isoladas não são curativas nesse contexto, e a endoscopia terapêutica tem papel limitado a lesões muito precoces (T1a) ou paliativo. O tratamento paliativo é reservado para doença metastática.
Câncer gástrico localizado: Objetivo: cura; Tratamento principal (Gastrectomia subtotal (2/3 inferiores), Gastrectomia total (terço superior)); Terapias adjuvantes (Quimioterapia perioperatória, Quimiorradiação com 5-FU); Papel limitado (Endoscopia (T1a ou paliativo), Radioterapia isolada, Quimioterapia isolada); Doença metastática (Tratamento paliativo)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A radioterapia isolada não é o tratamento principal para o câncer gástrico localizado. Embora possa ser utilizada como parte de abordagem multimodal (quimiorradiação) em doença localmente avançada, não é curativa isoladamente para a maioria dos casos. O material de apoio menciona que a quimiorradiação com 5-FU é uma abordagem aceitável para doença localmente avançada, mas sempre em conjunto com a cirurgia, que permanece o pilar do tratamento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A quimioterapia isolada não é o tratamento principal para o câncer gástrico localizado. Ela é utilizada como terapia perioperatória (neoadjuvante ou adjuvante) em doença localmente avançada, ou como tratamento paliativo em doença metastática. No entanto, não é curativa isoladamente para doença localizada — a cirurgia é indispensável para a cura.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A gastrectomia subtotal é o tratamento cirúrgico de escolha para o câncer gástrico localizado nos dois terços inferiores do estômago. O material de apoio afirma que "a cirurgia continua sendo o pilar do tratamento da doença não metastática", e especifica que a decisão entre gastrectomia total (terço superior) e parcial (dois terços inferiores) é uma das áreas de controvérsia. Para tumores distais, a gastrectomia subtotal é o procedimento padrão, permitindo ressecção curativa com margens adequadas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A endoscopia terapêutica tem papel limitado no câncer gástrico. Ela pode ser utilizada para ressecção de lesões muito precoces (T1a, confinadas à mucosa) ou como medida paliativa para controle de sangramento ou obstrução. No entanto, para a maioria dos cânceres gástricos localizados, que invadem além da mucosa, a endoscopia não é curativa e não substitui a cirurgia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tratamento paliativo é reservado para doença metastática (estágio IV), não para doença localizada. No câncer gástrico localizado, o objetivo é a cura, e a cirurgia é o meio para alcançá-la. O tratamento paliativo, com quimioterapia ou cuidados de suporte, é indicado quando a doença é incurável, visando controle de sintomas e melhora da qualidade de vida.
A regra de ouro para esta questão: no câncer gástrico localizado, a cirurgia (gastrectomia) é o tratamento curativo de escolha. A gastrectomia subtotal é indicada para tumores distais, enquanto a total é para tumores proximais. Radioterapia, quimioterapia e endoscopia têm papéis adjuvantes ou paliativos, mas nunca substituem a ressecção cirúrgica como tratamento principal.