Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2023
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qq893101
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF Farroupilha - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico-Área
Qual das seguintes opções representa a classificação mais comum de reações adversas a medicamentos?
AReação idiossincrática.
BIntolerância.
CToxicidade.
DEfeito colateral.
EEfeito terapêutico.
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GabaritoD — Efeito colateral.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reações Adversas a Medicamentos: Classificação
Gabarito: letra D. A classificação mais comum de reações adversas a medicamentos (RAM) é o efeito colateral, que corresponde às reações do Tipo A — previsíveis, dose-dependentes e que podem acometer qualquer indivíduo, representando cerca de 85 a 90% de todas as RAM. As demais opções (idiossincrasia, intolerância, toxicidade) são categorias específicas ou manifestações particulares, e o efeito terapêutico não é uma reação adversa.
Para entender a questão, é preciso dominar a classificação das reações adversas a medicamentos, que as divide em dois grandes grupos conforme sua previsibilidade e mecanismo. As reações do Tipo A (augmented) são aquelas que derivam da própria ação farmacológica do medicamento, sendo previsíveis, dose-dependentes e podendo ocorrer em qualquer indivíduo exposto. São exemplos: sonolência com anti-histamínicos, sangramento com anticoagulantes, boca seca com antidepressivos tricíclicos. Essas reações correspondem à grande maioria dos casos — aproximadamente 85 a 90% de todas as RAM — e são justamente os chamados efeitos colaterais.
Já as reações do Tipo B (bizarre) são imprevisíveis, não dependem da dose e acometem apenas um subgrupo suscetível de pacientes, geralmente por mecanismos imunológicos (hipersensibilidade) ou genéticos (idiossincrasia). Representam apenas 10 a 15% das RAM. É importante notar que a classificação mais comum e amplamente aceita na farmacologia clínica é exatamente essa divisão em Tipo A e Tipo B, sendo o efeito colateral o representante típico do Tipo A e, portanto, a resposta correta.
A pegadinha da questão está em confundir os conceitos: toxicidade é um efeito adverso que ocorre por superdosagem (excesso de dose), sendo um subtipo de reação do Tipo A, mas não é a classificação mais comum. Idiossincrasia é uma reação qualitativamente anormal, geralmente de base genética, imprevisível (Tipo B). Intolerância é uma resposta exagerada a uma dose normal ou baixa do medicamento, também uma reação do Tipo B. O efeito terapêutico é o objetivo do tratamento, não uma reação adversa. Portanto, a alternativa que representa a classificação mais comum é o efeito colateral.
Guarde essa distinção fundamental: efeito colateral = Tipo A = previsível, dose-dependente, comum (85-90%); reações do Tipo B = imprevisíveis, idiossincráticas, imunológicas (10-15%). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A reação idiossincrática é uma resposta qualitativamente anormal e imprevisível a um medicamento, geralmente determinada por fatores genéticos (ex.: deficiência de G6PD causando hemólise com sulfas). Ela se enquadra nas reações do Tipo B, que representam apenas 10 a 15% das RAM, sendo, portanto, uma classificação menos comum que o efeito colateral.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A intolerância é uma resposta exagerada a uma dose normal ou baixa do medicamento, manifestando-se como um efeito farmacológico intensificado (ex.: zumbido com dose baixa de aspirina). Também é uma reação do Tipo B, imprevisível e que acomete apenas indivíduos suscetíveis, não sendo a classificação mais comum.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A toxicidade é um efeito adverso que ocorre quando a concentração do medicamento no organismo atinge níveis tóxicos, geralmente por superdosagem ou acúmulo (ex.: nefrotoxicidade por aminoglicosídeos em doses elevadas). Embora seja um tipo de reação do Tipo A, ela é uma manifestação específica de excesso de dose, não a classificação mais comum de RAM.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O efeito colateral é a classificação mais comum de reação adversa a medicamentos. Ele corresponde às reações do Tipo A: previsíveis, dose-dependentes e que podem ocorrer em qualquer indivíduo exposto ao fármaco. Essas reações representam aproximadamente 85 a 90% de todas as RAM, sendo o exemplo clássico a diarreia após uso de antibióticos ou a sonolência com anti-histamínicos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O efeito terapêutico é o objetivo desejado do tratamento medicamentoso — o efeito benéfico que se espera alcançar (ex.: redução da pressão arterial com anti-hipertensivo). Ele não é uma reação adversa, pois não causa dano ao paciente, sendo exatamente o oposto do conceito de RAM.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os conceitos de reações do Tipo A e Tipo B. O candidato pode ser tentado a marcar "toxicidade" ou "idiossincrasia" por serem termos mais "técnicos", mas a questão pede a classificação mais comum, que é o efeito colateral (Tipo A, 85-90%). Lembre-se: o que é previsível e dose-dependente é o mais frequente!
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte um quadro mental: Tipo A (Augmented) = efeito colateral = previsível, dose-dependente, comum (85-90%). Tipo B (Bizarre) = idiossincrasia, intolerância, hipersensibilidade = imprevisível, não dose-dependente, raro (10-15%). Na prova, ao ver "mais comum" ou "previsível", associe imediatamente ao Tipo A.