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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qq893105
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF Farroupilha - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico-Área
Qual é o tratamento inicial recomendado para pacientes com miocardite aguda?
  1. ARepouso absoluto no leito.
  2. BUso de corticoides sistêmicos.
  3. CAntibióticos de amplo espectro.
  4. DAntiarrítmicos.
  5. EInibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA).
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GabaritoA — Repouso absoluto no leito.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Miocardite aguda: tratamento inicial

Gabarito: letra A. O tratamento inicial recomendado para pacientes com miocardite aguda é o repouso absoluto no leito, pois os cuidados de suporte são a base do tratamento, e a atividade física deve ser restrita durante a fase aguda. As demais opções (corticoides, antibióticos, antiarrítmicos e IECA) não são o tratamento inicial de rotina, sendo indicadas em situações específicas ou após estabilização, conforme as diretrizes de insuficiência cardíaca.

A miocardite aguda é um processo inflamatório do miocárdio, na maioria das vezes de etiologia viral, que pode cursar desde formas oligossintomáticas até choque cardiogênico. O manejo inicial não é direcionado a um agente etiológico específico, mas sim ao suporte clínico e hemodinâmico do paciente. Isso porque, na grande maioria dos casos, não há terapia antiviral ou imunossupressora com evidência conclusiva de benefício — os ensaios clínicos com prednisona, ciclosporina, azatioprina, imunoglobulina intravenosa e interferon não demonstraram melhora consistente. Assim, a conduta inicial se concentra em medidas gerais: repouso, monitorização, tratamento de suporte para insuficiência cardíaca (se presente) e restrição de atividade física.

O repouso no leito é fundamental na fase aguda porque reduz o consumo de oxigênio pelo miocárdio inflamado, diminuindo o risco de arritmias e de progressão para disfunção ventricular. As diretrizes recomendam que a atividade física extenuante seja restrita por 3 a 6 meses, mesmo após a resolução dos sintomas agudos. Essa recomendação se baseia no risco de morte súbita associado ao exercício durante a fase de inflamação miocárdica ativa.

Quando o paciente apresenta sinais de insuficiência cardíaca, o tratamento segue as diretrizes de IC: inibidores da ECA (ou BRA), betabloqueadores, antagonistas da aldosterona e diuréticos. Porém, esses medicamentos são introduzidos após a estabilização inicial e não constituem o "tratamento inicial" no sentido estrito da pergunta. Já os corticoides sistêmicos são reservados para casos específicos, como miocardite de células gigantes ou miocardite de hipersensibilidade, e não são usados de rotina. Antibióticos de amplo espectro não têm indicação, pois a etiologia mais comum é viral; só seriam considerados se houvesse suspeita de causa bacteriana específica. Antiarrítmicos são usados apenas para arritmias sintomáticas ou malignas, não como tratamento inicial de rotina.

A pegadinha desta questão está em confundir o tratamento de suporte inicial (repouso) com as terapias específicas ou com o tratamento da insuficiência cardíaca que pode acompanhar a miocardite. O candidato que associa miocardite a "inflamação" pode pensar em corticoides ou anti-inflamatórios, mas estes são contraindicados na fase aguda. Da mesma forma, quem pensa em "infecção" pode tender a antibióticos, esquecendo que a causa viral é a mais prevalente. O repouso é a medida inicial universalmente recomendada, independentemente da etiologia.

Guarde esta hierarquia: primeiro, suporte e repouso; depois, se houver disfunção ventricular, tratamento de IC com IECA/betabloqueador/espironolactona; e, apenas em casos selecionados, terapias específicas (imunossupressão para células gigantes, antiparasitários para Chagas, etc.). É exatamente essa sequência que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Suporte e repouso absoluto
  2. 2Se disfunção ventricular: IECA/betabloqueador
  3. 3Casos selecionados: terapia específica
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O repouso absoluto no leito é a medida inicial recomendada para todos os pacientes com miocardite aguda. O material de apoio é claro: "Atividade física deve ser restrita durante a fase aguda da miocardite e atividade física extenuante deve ser restrita por 3 a 6 meses." Além disso, "os cuidados de suporte são a base do tratamento". O repouso reduz o trabalho cardíaco e o risco de complicações, sendo a conduta inicial universal, independentemente da causa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Corticoides sistêmicos não são tratamento inicial de rotina. A terapia imunossupressora só é efetiva em casos específicos, como miocardite de células gigantes e miocardite de hipersensibilidade. Para a miocardite viral (a mais comum), os ensaios clínicos com corticoides não demonstraram benefício conclusivo. Além disso, na fase aguda, o uso de anti-inflamatórios é contraindicado. A banca explora a confusão entre "inflamação" e "anti-inflamatório", mas a conduta não é anti-inflamatória de rotina.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Antibióticos de amplo espectro não são indicados como tratamento inicial, pois a etiologia mais comum da miocardite aguda é viral. O tratamento antimicrobiano só é considerado quando há suspeita de causa bacteriana específica ou na doença de Chagas aguda (com antiprotozoários, como benznidazol). O uso empírico de antibióticos não tem respaldo nas diretrizes e pode trazer riscos desnecessários.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Antiarrítmicos não são tratamento inicial de rotina. A terapia antiarrítmica não deve ser iniciada para extrassístoles atriais ou ventriculares assintomáticas. O uso é reservado para arritmias sintomáticas ou malignas (taquicardia ventricular sustentada, por exemplo), quando há indicação específica. A conduta inicial é o repouso e o suporte, não a terapia antiarrítmica profilática.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os inibidores da ECA (IECA) são parte do tratamento da miocardite quando há disfunção ventricular ou insuficiência cardíaca, mas não constituem o "tratamento inicial" no sentido da pergunta. Eles são introduzidos após a estabilização hemodinâmica, seguindo as diretrizes de IC. A alternativa confunde o tratamento de suporte inicial (repouso) com o tratamento da disfunção sistólica que pode surgir como complicação.

Gabarito: letra A

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