Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2023
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qq893114
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF Farroupilha - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico-Área
Qual é a principal diferença entre a dissecção aórtica do tipo A e a dissecção aórtica do tipo B?
ATipo A ocorre na aorta descendente, enquanto o tipo B ocorre na aorta ascendente.
BTipo A está associada à hipertensão arterial, enquanto o tipo B é mais comum em pacientes com síndrome de Marfan.
CTipo A requer cirurgia emergencial, enquanto o tipo B pode ser tratada com manejo conservador em alguns casos.
DTipo A é mais comum em mulheres, enquanto o tipo B é mais comum em homens.
ETipo A é caracterizada por dor abdominal, enquanto o tipo B é caracterizada por dor torácica.
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GabaritoC — Tipo A requer cirurgia emergencial, enquanto o tipo B pode ser tratada com manejo conservador em alguns casos.
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Dissecção aórtica: classificação de Stanford e conduta
Gabarito: letra C. A principal diferença entre os tipos A e B da dissecção aórtica (classificação de Stanford) está na conduta: o tipo A, que envolve a aorta ascendente, é uma emergência cirúrgica, enquanto o tipo B, que não acomete a aorta ascendente, pode ser tratado clinicamente em casos não complicados. Essa distinção é baseada na alta mortalidade do tipo A sem cirurgia, conforme a literatura médica.
A dissecção aórtica é uma síndrome aórtica aguda caracterizada por um rasgo na íntima que permite a passagem de sangue para a camada média, criando um lúmen falso. A classificação de Stanford é a mais utilizada na prática clínica e divide a dissecção em dois tipos, com base no segmento da aorta acometido. O tipo A envolve a aorta ascendente, independentemente do local de origem do rasgo; o tipo B não envolve a aorta ascendente, ou seja, o rasgo se localiza distalmente ao tronco braquicefálico, na aorta descendente.
A importância dessa distinção reside no prognóstico e na conduta. A dissecção do tipo A tem uma taxa de mortalidade de 1 a 2% por hora nas primeiras 24 a 48 horas, chegando a 50% em 48 horas, sendo uniformemente fatal sem reparo cirúrgico emergencial. Por isso, a cirurgia é mandatória. Já a dissecção do tipo B não complicada tem mortalidade de cerca de 10% em 30 dias e pode ser manejada clinicamente com controle rigoroso da pressão arterial e da frequência cardíaca, pois a sobrevida em 1 ano é maior com terapia clínica do que com cirurgia (75% versus 50%). A cirurgia no tipo B fica reservada para casos complicados, como isquemia de órgãos ou membros, progressão da dissecção, sinais de ruptura iminente, dor refratária ou hipertensão refratária.
É fundamental não confundir a classificação de Stanford com a de DeBakey. Enquanto Stanford divide em apenas dois tipos (A e B), DeBakey subdivide em três: tipo I (envolve toda a aorta), tipo II (apenas a aorta ascendente) e tipo III (apenas a aorta descendente). A correspondência é: Stanford A equivale a DeBakey I e II; Stanford B equivale a DeBakey III.
A banca explora a confusão entre a localização anatômica e a conduta. A pegadinha clássica é inverter a localização (tipo A na descendente e tipo B na ascendente) ou associar fatores de risco de forma equivocada. A hipertensão arterial é o principal fator de risco para ambos os tipos, e a síndrome de Marfan é uma causa de dissecção em pacientes mais jovens, mas não é exclusiva do tipo B. A dor torácica é o sintoma mais comum em ambos os tipos, podendo haver dor abdominal no tipo B quando há envolvimento abaixo do diafragma.
Guarde a fronteira decisiva: tipo A = aorta ascendente = cirurgia de emergência; tipo B = aorta descendente = tratamento clínico inicial. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Critério
Tipo A (Stanford)
Tipo B (Stanford)
Localização anatômica
Aorta ascendente
Aorta descendente (distal ao tronco braquicefálico)
Conduta inicial
Cirurgia emergencial (mandatória)
Manejo clínico conservador (se não complicado)
Mortalidade sem tratamento
Alta (1–2% por hora nas primeiras 24–48h; ~50% em 48h)
~10% em 30 dias
Correspondência (DeBakey)
DeBakey I e II
DeBakey III
Dissecção aórtica (Stanford): Tipo A (Aorta ascendente, Cirurgia emergencial); Tipo B (Aorta descendente, Manejo clínico inicial); DeBakey (correlação) (Tipo I e II = Stanford A, Tipo III = Stanford B)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Inverte a localização anatômica. O tipo A envolve a aorta ascendente, e o tipo B envolve a aorta descendente (distal). A alternativa troca os segmentos, o que é um erro grave, pois a localização é o critério fundamental da classificação de Stanford.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Associa fatores de risco de forma equivocada. A hipertensão arterial é o principal fator de risco para ambos os tipos de dissecção, não apenas para o tipo A. A síndrome de Marfan é uma causa de dissecção em pacientes mais jovens, mas não é exclusiva do tipo B; pode causar dissecção em qualquer segmento da aorta. A alternativa cria uma falsa dicotomia.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a principal diferença prática entre os tipos. O tipo A, por envolver a aorta ascendente, tem altíssima mortalidade sem intervenção e requer cirurgia emergencial. O tipo B, quando não complicado, pode ser tratado com manejo clínico conservador, com controle rigoroso da pressão arterial e da frequência cardíaca, reservando a cirurgia para casos complicados.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirmação sem fundamento. A dissecção aórtica é mais comum em homens do que em mulheres, de forma geral, e não há uma diferença de prevalência por sexo entre os tipos A e B. A alternativa inventa uma associação que não existe na literatura.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Inverte a apresentação clínica. A dor torácica é o sintoma mais comum em ambos os tipos de dissecção. A dor abdominal pode ocorrer no tipo B quando a dissecção se estende abaixo do diafragma, mas não é a característica que define o tipo B, nem a dor torácica é exclusiva do tipo A. A alternativa simplifica e distorce o quadro clínico.