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Questão de Biologia — Moléculas, células e tecidos — FUNDATEC 2023

BiologiaMoléculas, células e tecidos
Código
qq893636
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF-RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor - Biologia - Bioquímica, Toxicologia e Imunologia
A ingestão crônica de álcool em doses elevadas aumenta o risco de câncer de esôfago, câncer de fígado, cirrose hepática, demência e outras doenças. Entretanto, algumas evidências sugerem que o consumo regular de doses baixas da mesma substância pode trazer efeitos benéficos para a saúde, como a diminuição do risco de acidentes vasculares. Esse padrão bifásico na resposta de um organismo a uma substância é representado pelo conceito toxicológico de:
  1. ADose limite.
  2. BDL50.
  3. CÍndice terapêutico.
  4. DHormese.
  5. EToxicidade seletiva.
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GabaritoD — Hormese.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hormese: o efeito bifásico de uma substância

Gabarito: letra D. O padrão bifásico descrito — efeito nocivo em doses altas e efeito benéfico em doses baixas — é exatamente o conceito toxicológico de hormese, fenômeno em que uma mesma substância produz respostas opostas conforme a dose administrada. As demais alternativas tratam de outros parâmetros toxicológicos (dose limite, DL50, índice terapêutico, toxicidade seletiva), que não descrevem esse comportamento dual.

A hormese é um princípio fundamental da toxicologia moderna. O termo vem do grego hormesis, que significa "estimular" ou "impulsionar". O conceito descreve uma relação dose-resposta em forma de U ou de J invertido: em doses baixas, a substância pode ativar mecanismos de reparo celular, estimular o sistema imunológico ou exercer efeito protetor; em doses altas, os mesmos mecanismos são sobrecarregados e o efeito torna-se tóxico. No caso do álcool, por exemplo, o consumo moderado tem sido associado à redução do risco de eventos cardiovasculares, enquanto o consumo excessivo aumenta o risco de cirrose, câncer e demência — exatamente o padrão descrito no enunciado.

A banca explora a distinção entre hormese e outros conceitos toxicológicos que também envolvem doses e efeitos. A dose limite é o valor máximo de exposição considerado seguro; a DL50 é a dose que mata 50% dos animais testados; o índice terapêutico compara a dose eficaz com a dose tóxica de um fármaco; e a toxicidade seletiva refere-se à capacidade de uma substância afetar preferencialmente um organismo em detrimento de outro. Nenhum desses conceitos captura a ideia de que a mesma substância pode ser benéfica em baixas doses e nociva em altas doses — essa é a essência da hormese.

A pegadinha da questão está em confundir hormese com outros parâmetros que também envolvem "dose" e "efeito". O candidato que não domina o conceito de hormese pode ser atraído por alternativas como "dose limite" ou "DL50", que parecem relacionadas ao tema, mas não descrevem o padrão bifásico. A palavra-chave do enunciado é "bifásico" — ou seja, duas fases de resposta — que remete diretamente à hormese.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Dose limite é o valor máximo de exposição a um agente químico que não produz efeitos adversos observáveis. É um parâmetro de segurança ocupacional e ambiental, não um padrão de resposta bifásico. O erro está em confundir um limite regulatório com um fenômeno de resposta biológica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

DL50 (dose letal 50%) é a dose de uma substância que mata 50% dos animais de um grupo experimental. É uma medida de toxicidade aguda, expressa em mg/kg, e não descreve efeitos benéficos em doses baixas. A DL50 é um valor único, não um padrão bifásico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Índice terapêutico é a razão entre a dose tóxica (ou letal) e a dose eficaz de um fármaco. Quanto maior o índice, maior a margem de segurança. Embora envolva doses, não descreve o fenômeno de efeitos opostos em diferentes faixas de dose — é uma medida de segurança, não um padrão de resposta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Hormese é exatamente o padrão bifásico descrito: uma substância que causa efeitos nocivos em doses altas pode ter efeitos benéficos em doses baixas. O termo é usado em toxicologia para descrever essa relação dose-resposta em forma de U ou J invertido. O enunciado descreve precisamente esse fenômeno com o álcool: risco aumentado de câncer, cirrose e demência em doses altas, e possível proteção cardiovascular em doses baixas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Toxicidade seletiva é a capacidade de uma substância ser tóxica para um organismo (ex.: praga, microrganismo) sem afetar outro (ex.: ser humano, planta cultivada). É um princípio importante em agrotóxicos e antibióticos, mas não tem relação com o padrão bifásico de resposta à dose.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o conceito de hormese por outros parâmetros toxicológicos que também envolvem "dose" e "efeito". O candidato que não conhece o termo "hormese" pode ser atraído por "dose limite" ou "DL50", que parecem plausíveis. A palavra "bifásico" no enunciado é a chave: ela aponta diretamente para a hormese, que descreve duas fases de resposta (benéfica em dose baixa, tóxica em dose alta). Com esse conceito em mente, a questão fica simples.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, compare os conceitos em uma tabela:

Conceito

Definição

Relação com dose

Hormese

Efeito bifásico: benéfico em dose baixa, tóxico em dose alta

Curva em U ou J invertido

Dose limite

Valor máximo de exposição sem efeito adverso

Limite regulatório

DL50

Dose que mata 50% dos animais testados

Medida de toxicidade aguda

Índice terapêutico

Razão entre dose tóxica e dose eficaz

Medida de segurança de fármacos

Toxicidade seletiva

Toxicidade preferencial a um organismo

Seletividade, não dose

Gabarito: letra D.

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