Questão de História — História do Brasil — FUNDATEC 2023
- Código
- qq894710
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- IF-SC
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor EBTT - História
- AV – V – V – V.
- BF – V – V – F.
- CV – F – F – F.
- DF – V – F – V.
- EV – F – F – V.
GabaritoE — V – F – F – V.
Gabarito: letra E (V – F – F – V). A primeira assertiva está correta (comunismo primitivo neolítico), a segunda errada (escravismo não predominou no Oriente Próximo), a terceira errada (Grécia e Roma não são sociedades hidráulicas) e a quarta correta (transição lenta para o feudalismo). A banca explora confusões clássicas sobre os modos de produção e suas localizações históricas.
A banca troca o conceito de "sociedades hidráulicas" (que se aplicam a civilizações do Oriente Próximo, como Egito e Mesopotâmia, com base em Wittfogel) pelas sociedades clássicas (Grécia e Roma), que eram escravistas. Além disso, a assertiva II afirma que o escravismo predominou no Oriente Próximo, quando, na verdade, esses sistemas eram baseados em mão de obra estatal (corveia) e templos, com escravidão secundária. Fique atento: escravismo clássico é greco-romano; sociedades hidráulicas são orientais.
Assertiva | Afirmação | V/F | Justificativa |
|---|---|---|---|
I | Nas comunidades neolíticas, as terras normalmente eram propriedade comum do clã, assim como as pastagens, os rios, os lagos e as florestas, configurando o comunismo primitivo e o regime de propriedade coletiva dos meios de produção. | V | Correta. Descreve o comunismo primitivo neolítico, com propriedade coletiva dos meios de produção, conforme a historiografia marxista clássica. |
II | O sistema escravista, originado pelo regime de propriedade privada de poucos indivíduos, onde esses detinham não só a terra e as ferramentas, mas também a mão de obra do trabalhador, foi predominante nas comunidades do antigo Oriente Próximo. | F | Errada. O escravismo não predominou no Oriente Próximo; o modo de produção dominante era o asiático (hidráulico), com trabalho servil coletivo e escravidão secundária. |
III | As sociedades clássicas (Grécia e Roma), também chamadas de “sociedades hidráulicas”, apoiaram o seu desenvolvimento na servidão coletiva de produção. | F | Errada. Grécia e Roma são sociedades escravistas, não hidráulicas. O termo "sociedades hidráulicas" aplica-se a civilizações orientais (Egito, Mesopotâmia), conforme Wittfogel. |
IV | O Império Romano do Ocidente caminhou no processo de transição do escravismo para o feudalismo. | V | Correta. Houve uma transição lenta do escravismo para o feudalismo no Ocidente, com transformações econômicas e sociais. |
Correta. Nas comunidades neolíticas, a terra e os recursos naturais eram propriedade comum do clã, configurando o "comunismo primitivo" (modo de produção sem classes e com propriedade coletiva dos meios de produção). É o que a historiografia marxista clássica (Engels, A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado) descreve para as sociedades tribais antes da revolução urbana.
Errada. O sistema escravista (com propriedade privada dos meios de produção e do trabalhador) não foi predominante nas comunidades do antigo Oriente Próximo (Mesopotâmia, Egito, Pérsia etc.). Nessas regiões, o modo de produção dominante era o asiático (ou "hidráulico"), baseado em grandes obras de irrigação controladas pelo Estado, com trabalho servil coletivo (corveia) e escravidão limitada. O escravismo como modo de produção hegemônico foi típico da Antiguidade Clássica (Grécia e Roma).
Errada. As sociedades clássicas (Grécia e Roma) são chamadas de escravistas, e não de "sociedades hidráulicas". O termo "sociedades hidráulicas" foi cunhado por Karl Wittfogel para descrever civilizações orientais (Egito, Mesopotâmia, China) que dependiam de grandes sistemas de irrigação geridos por um Estado despótico. Grécia e Roma não se encaixam nesse modelo; seu desenvolvimento apoiou-se na mão de obra escrava, não na servidão coletiva.
Correta. A transição do escravismo para o feudalismo no Império Romano do Ocidente foi um processo lento e gradual (séculos III–VII d.C.), marcado pelo declínio das cidades, ruralização da economia, colonato e fragmentação do poder central em feudos. É a interpretação clássica da crise do Império Romano e da gênese do feudalismo (Pirenne, Anderson, entre outros).
Errada porque as assertivas II e III são falsas, mas a sequência as considera verdadeiras.
Errada porque a assertiva I é verdadeira (não falsa) e a assertiva IV é verdadeira (não falsa). Além disso, mantém II e III como verdadeiras, que são falsas.
Errada porque a assertiva IV é verdadeira, mas a alternativa a considera falsa.
Errada porque a assertiva I é verdadeira (não falsa) e a assertiva II é falsa (não verdadeira).
É a única que corresponde à sequência correta: primeira verdadeira, segunda falsa, terceira falsa, quarta verdadeira. Portanto, letra E.
Gabarito: letra E.
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