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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FUNDATEC 2023

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qq895746
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFC-SC
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
Em relação à interpretação da oximetria de pulso, assinale a alternativa correta.
  1. AÉ um método de medida direta da saturação de oxigênio no sangue arterial.
  2. BNão é confiável em casos de hipotermia ou hipoperfusão periférica.
  3. CÉ uma medida precisa da quantidade de oxigênio dissolvido no sangue arterial.
  4. DÉ mais confiável em pacientes com doenças pulmonares crônicas do que em pacientes sem doença pulmonar.
  5. EÉ menos precisa em pacientes com hemoglobina anormal, como a hemoglobina falciforme.
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GabaritoB — Não é confiável em casos de hipotermia ou hipoperfusão periférica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oximetria de pulso: princípios e limitações

Gabarito: letra B. A oximetria de pulso é um método não invasivo que estima a saturação de oxigênio da hemoglobina (SpO₂) por espectrofotometria, e sua confiabilidade é comprometida em situações de hipotermia ou hipoperfusão periférica, pois o sensor depende de um fluxo sanguíneo pulsátil adequado para distinguir a absorção arterial da venosa. As demais alternativas distorcem o princípio do método: ele não mede diretamente a saturação arterial (é uma estimativa), não mede oxigênio dissolvido (mede a saturação da hemoglobina) e não é mais preciso em pneumopatas crônicos.

A oximetria de pulso baseia-se na espectrofotometria: o aparelho emite luz em dois comprimentos de onda (vermelho ~660 nm e infravermelho ~940 nm) e calcula a razão entre a absorção da oxiemoglobina (HbO₂) e da desoxiemoglobina (Hb). O componente pulsátil do sinal — correspondente ao sangue arterial que chega a cada batimento — é isolado do componente não pulsátil (tecido, osso, sangue venoso), permitindo estimar a saturação arterial. Por isso, qualquer condição que reduza a amplitude do pulso arterial no local de medição compromete a leitura: hipotermia com vasoconstrição periférica, choque com hipoperfusão, uso de vasopressores em altas doses, ou mesmo pressão externa do sensor.

A grandeza medida é a saturação funcional da hemoglobina — a porcentagem de sítios de ligação da hemoglobina ocupados por oxigênio — e não a quantidade de oxigênio dissolvido no plasma (PaO₂). O oxigênio dissolvido é uma fração mínima do conteúdo total (cerca de 3 mL/L contra ~197 mL/L ligado à hemoglobina) e não é detectado pelo oxímetro. Além disso, o método assume que toda a hemoglobina presente é funcional (oxi ou desoxi); na presença de hemoglobinas anormais ou disfuncionais — como carboxiemoglobina (COHb) na intoxicação por monóxido de carbono, metaemoglobina (MetHb) ou hemoglobina fetal — a leitura pode ser falsamente elevada ou não confiável, pois essas espécies absorvem luz nos mesmos comprimentos de onda e o aparelho não as diferencia.

A alternativa E afirma que o método é "menos preciso" na hemoglobina falciforme (HbS). Na prática, a HbS não altera significativamente as propriedades espectrofotométricas da hemoglobina no que tange à absorção de luz nos comprimentos de onda usados pelo oxímetro — a leitura da SpO₂ permanece válida, embora a saturação real possa estar superestimada em relação à gasometria em algumas situações de crise. O erro conceitual da alternativa está em generalizar: as hemoglobinas que realmente comprometem a oximetria são as disfuncionais (COHb, MetHb), não a HbS em si. Já a alternativa B está correta porque a hipotermia e a hipoperfusão periférica reduzem o sinal pulsátil, tornando a leitura não confiável — exatamente o que o material de apoio confirma ao afirmar que "dados não confiáveis podem ser obtidos em pacientes com vasoconstrição significativa ou com débito cardíaco muito baixo".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "medida direta" e "estimativa indireta". O oxímetro não mede a saturação arterial diretamente — ele estima a SpO₂ a partir da absorção de luz, e essa estimativa é validada por correlação com a SaO₂ da gasometria. Além disso, a alternativa E tenta atrair o candidato que sabe que hemoglobinas anormais afetam o método, mas generaliza para a HbS, que não é o exemplo clássico — o exemplo clássico é a carboxiemoglobina (COHb) e a metaemoglobina (MetHb).

Oximetria de pulso
  • 1Princípio
    • Espectrofotometria (660 nm e 940 nm)
    • Estima SpO₂ (método indireto)
    • Isola componente pulsátil arterial
  • 2Mede
    • Saturação funcional da hemoglobina
    • Não mede O₂ dissolvido (PaO₂)
  • 3Limitações
    • Hipotermia (vasoconstrição)
    • Hipoperfusão periférica (choque)
    • Hemoglobinas disfuncionais (COHb, MetHb)
  • 4Padrão-ouro
    • Gasometria arterial (SaO₂ direta)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que é um método de medida direta da saturação arterial. O oxímetro de pulso é um método indireto: estima a SpO₂ por espectrofotometria, correlacionando-a com a SaO₂ real. A medida direta da saturação arterial é feita pela gasometria arterial (coleta de sangue e análise em co-oxímetro). A pegadinha está na palavra "direta" — o método é não invasivo e indireto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. A oximetria de pulso depende de um sinal pulsátil adequado. Na hipotermia, há vasoconstrição periférica que reduz a amplitude do pulso; na hipoperfusão periférica (choque, baixo débito cardíaco), o fluxo sanguíneo capilar é insuficiente para gerar um sinal confiável. O material de apoio confirma: "dados não confiáveis podem ser obtidos em pacientes com vasoconstrição significativa ou com débito cardíaco muito baixo".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que mede a quantidade de oxigênio dissolvido no sangue arterial. O oxímetro mede a saturação da hemoglobina (percentual de sítios ocupados por O₂), não o oxigênio dissolvido (PaO₂). O oxigênio dissolvido é uma fração mínima do conteúdo total e não é detectado pelo método. A medida do oxigênio dissolvido é feita pela gasometria arterial (PaO₂).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que é mais confiável em pacientes com doenças pulmonares crônicas. Não há fundamento para essa afirmação. A oximetria de pulso é igualmente confiável em qualquer paciente, desde que haja sinal pulsátil adequado e hemoglobina funcional. Em pneumopatas crônicos, a leitura pode ser útil para monitorar tendências, mas não é "mais confiável" — a gasometria arterial permanece o padrão-ouro para avaliação da oxigenação, especialmente quando há retenção de CO₂.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que é menos precisa na hemoglobina falciforme (HbS). A HbS não altera significativamente a absorção de luz nos comprimentos de onda usados pelo oxímetro, portanto a leitura permanece válida. As hemoglobinas que realmente comprometem a oximetria são as disfuncionais: carboxiemoglobina (COHb) na intoxicação por monóxido de carbono e metaemoglobina (MetHb). A banca generaliza indevidamente — o exemplo clássico de interferência não é a HbS, mas a COHb e a MetHb.

Gabarito: letra B

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