Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2023
Medicina›Epidemiologia
Código
qq895761
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFC-SC
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
Qual é o principal argumento para a realização de exames periódicos de saúde em indivíduos assintomáticos, segundo a análise de custo-efetividade?
ARedução de custos com tratamento de doenças crônicas.
BAumento da qualidade de vida dos indivíduos.
CPrevenção de doenças ocupacionais.
DIdentificação precoce de doenças assintomáticas.
ERedução do absenteísmo no trabalho.
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GabaritoD — Identificação precoce de doenças assintomáticas.
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Rastreamento e análise de custo-efetividade
Gabarito: letra D. O principal argumento para a realização de exames periódicos em indivíduos assintomáticos, sob a ótica da análise de custo-efetividade, é a identificação precoce de doenças em sua fase pré-clínica — é essa detecção que permite intervenção capaz de alterar a história natural da doença e, com isso, gerar ganho de saúde por unidade de custo investido. A lógica está nos critérios de justificativa do rastreamento: a doença deve ter fase pré-clínica conhecida, o teste deve detectá-la nessa fase e o tratamento precoce deve ser efetivo e custo-aceitável.
O rastreamento (screening) é a aplicação de um teste em pessoas assintomáticas para classificá-las quanto à probabilidade de terem uma doença — não é um diagnóstico, mas a primeira etapa de uma investigação que pode levar ao tratamento. A análise de custo-efetividade, por sua vez, é uma avaliação econômica que compara os custos de uma intervenção com seus desfechos em saúde, expressos em unidades como anos de vida ajustados por qualidade (QALY) ou anos de vida ganhos. No caso do rastreamento, ela estima, para cada ano de vida com saúde ganho, os custos totais do programa — do teste ao tratamento — subtraindo os custos poupados por complicações evitadas.
A justificativa central é que, ao detectar a doença antes do aparecimento dos sintomas, é possível instituir tratamento mais precoce, menos invasivo e mais barato, alterando a história natural da doença e evitando desfechos graves e caros. Por isso, os critérios para um rastreamento bem justificado incluem: doença relativamente frequente e clinicamente importante; fase pré-clínica conhecida; teste capaz de detectá-la nessa fase com baixos índices de falsos-positivos e falsos-negativos; tratamento efetivo disponível; e custo aceitável. A identificação precoce é o elo que conecta todos esses elementos — sem ela, não há rastreamento, apenas exame.
As demais alternativas descrevem consequências ou objetivos secundários, mas não o argumento central da análise de custo-efetividade. Reduzir custos com tratamento, aumentar qualidade de vida, prevenir doenças ocupacionais e reduzir absenteísmo são efeitos possíveis de um rastreamento bem-sucedido, mas todos dependem da detecção precoce — que é o mecanismo pelo qual o rastreamento gera valor. A pegadinha da banca está em oferecer benefícios que parecem plausíveis, mas que não respondem diretamente ao que a análise de custo-efetividade justifica como principal argumento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece alternativas que são consequências legítimas do rastreamento (redução de custos, qualidade de vida, prevenção ocupacional, absenteísmo), mas que não são o argumento central da análise de custo-efetividade. O candidato que pensa no "resultado final" escolhe A ou B; o que entende o mecanismo escolhe D. A chave é: a análise de custo-efetividade justifica o rastreamento porque ele detecta a doença na fase pré-clínica, permitindo intervenção precoce que altera a história natural — é essa detecção que torna o programa custo-efetivo.
1Fase pré-clínica conhecida
2Teste detecta na fase pré-clínica
3Tratamento precoce efetivo
4Altera história natural
5Ganho de saúde por custo
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Redução de custos com tratamento de doenças crônicas é uma consequência desejável do rastreamento, mas não é o principal argumento da análise de custo-efetividade. A análise considera custos evitados, mas o que a justifica é a detecção precoce que permite intervenção — a economia é um efeito, não o fundamento. Além disso, o rastreamento pode até aumentar custos em alguns cenários (diagnósticos excessivos, investigações de falsos-positivos), o que reforça que a redução de custos não é o argumento central.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Aumento da qualidade de vida é um desfecho importante e frequentemente usado como medida de efetividade (QALY), mas é o resultado de um rastreamento bem-sucedido, não o argumento que o justifica. A análise de custo-efetividade usa qualidade de vida como unidade de medida, mas o que torna o rastreamento custo-efetivo é a detecção precoce que permite alterar a história natural da doença.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Prevenção de doenças ocupacionais é um objetivo da medicina do trabalho, mas não é o argumento central da análise de custo-efetividade para exames periódicos em assintomáticos. O rastreamento populacional visa doenças com fase pré-clínica conhecida, não especificamente doenças ocupacionais — que têm lógica própria de vigilância e prevenção no ambiente de trabalho.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Identificação precoce de doenças assintomáticas é exatamente o que a análise de custo-efetividade justifica como principal argumento. O rastreamento só faz sentido se houver fase pré-clínica detectável, teste capaz de identificá-la e tratamento que altere a história natural — e é essa detecção precoce que gera ganho de saúde por custo investido. Os critérios de justificativa do rastreamento giram em torno dessa capacidade de detectar a doença antes dos sintomas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Redução do absenteísmo no trabalho é um benefício secundário possível, especialmente em programas ocupacionais, mas não é o argumento central da análise de custo-efetividade. É uma consequência indireta de um trabalhador mais saudável, não o mecanismo pelo qual o rastreamento se justifica economicamente.
Gabarito: letra D — a identificação precoce de doenças assintomáticas é o principal argumento da análise de custo-efetividade para exames periódicos, pois é ela que permite intervenção capaz de alterar a história natural da doença e gerar ganho de saúde por custo investido.