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Questão de Medicina — Pneumologia — FUNDATEC 2023

MedicinaPneumologia
Código
qq895770
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFC-SC
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
Paciente do sexo feminino, 45 anos, com histórico de tosse seca, febre baixa e dispneia progressiva há 3 semanas. Na avaliação clínica apresenta-se taquipneica, com saturação de oxigênio de 89% em ar ambiente, ausculta pulmonar com crepitações difusas. Exames laboratoriais: hemoglobina 12 g/dL (12-16), leucócitos 12.000/mm³ (4.000-10.000), plaquetas 280.000/mm³ (150.000-400.000), PCR 100 mg/L (0-5), LDH 600 U/L (120-246), D-dímero > 5.000 ng/mL (< 500). Radiografia de tórax: opacidades alveolares bilaterais. Qual o diagnóstico mais provável para esse caso clínico?
  1. APneumonia por Streptococcus pneumoniae.
  2. BPneumonia por Legionella pneumophila.
  3. CPneumonia por Pneumocystis jirovecii.
  4. DSíndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA).
  5. ETuberculose pulmonar.
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GabaritoD — Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA)

Gabarito: letra D. O quadro clínico — início subagudo com tosse seca, febre baixa, dispneia progressiva, hipoxemia grave (SpO₂ 89%), crepitações difusas e opacidades alveolares bilaterais — associado a marcadores inflamatórios e de lesão endotelial elevados (PCR, LDH, D-dímero) é compatível com SDRA, definida pela tríade: início agudo, opacidades bilaterais e hipoxemia não explicada por outras causas (critérios de Berlim). As pneumonias bacterianas típicas (A, B) cursam com consolidação lobar e leucocitose mais expressiva; a pneumonia por Pneumocystis (C) ocorre em imunossuprimidos; a tuberculose (E) tem evolução crônica e predomínio de sintomas constitucionais.

A SDRA é uma síndrome de insuficiência respiratória aguda caracterizada por inflamação difusa da membrana alvéolo-capilar, levando a edema pulmonar não cardiogênico, redução da complacência pulmonar e hipoxemia refratária. Os critérios diagnósticos de Berlim (2012) exigem: (1) início dentro de 1 semana de um insulto clínico conhecido ou novos/piora dos sintomas respiratórios; (2) opacidades bilaterais na radiografia ou TC de tórax não explicadas por derrame, colapso lobar ou nódulos; (3) edema pulmonar não totalmente explicado por sobrecarga hídrica ou insuficiência cardíaca; (4) hipoxemia definida pela relação PaO₂/FiO₂ (leve: 200–300; moderada: 100–200; grave: <100 com PEEP ≥ 5 cmH₂O). No caso, a paciente apresenta todos os elementos: início agudo (3 semanas), opacidades bilaterais, hipoxemia grave (SpO₂ 89% em ar ambiente) e fatores de risco (infecção provável, evidenciada por febre, leucocitose e PCR elevada).

O D-dímero elevado (> 5.000 ng/mL) é um marcador inespecífico de ativação da coagulação e fibrinólise, presente em várias condições, incluindo SDRA, pneumonia, sepse e tromboembolismo. Não é diagnóstico de embolia pulmonar isoladamente; sua principal utilidade é excluir TEP quando normal. A LDH elevada reflete lesão celular, comum na SDRA e em pneumonias. A PCR elevada indica processo inflamatório/infeccioso. A hemoglobina normal afasta anemia como causa da dispneia.

A distinção crucial é entre SDRA e pneumonia. A pneumonia é uma infecção do parênquima pulmonar que pode evoluir para SDRA quando a resposta inflamatória se generaliza. Na SDRA, o padrão radiológico é bilateral e difuso, enquanto a pneumonia bacteriana típica costuma apresentar consolidação lobar ou segmentar. A hipoxemia na SDRA é mais grave e refratária à suplementação de oxigênio, exigindo frequentemente ventilação mecânica. A ausência de sinais de consolidação lobar (macicez, frêmito aumentado, sopro tubário) e a presença de opacidades bilaterais difusas favorecem SDRA.

A banca explora a confusão entre SDRA e pneumonia: o quadro clínico inicial (febre, tosse, dispneia) é comum a ambas, mas a gravidade da hipoxemia e o padrão radiológico bilateral difuso apontam para SDRA. O candidato que se fixa apenas nos sintomas inespecíficos pode escolher pneumonia, mas os critérios de Berlim são claros. Além disso, o D-dímero elevado pode induzir ao diagnóstico de TEP, mas a ausência de fatores de risco e o padrão radiológico bilateral tornam a SDRA mais provável.

Guarde a fronteira: pneumonia = infecção focal com consolidação; SDRA = inflamação difusa com opacidades bilaterais e hipoxemia grave. É nessa distinção que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A pneumonia por Streptococcus pneumoniae é a causa mais comum de PAC, mas tipicamente apresenta início agudo com febre alta, calafrios, tosse produtiva com escarro purulento ou ferruginoso, dor pleurítica e consolidação lobar na radiografia. A paciente tem tosse seca, febre baixa e opacidades bilaterais difusas, o que não é o padrão clássico pneumocócico. Além disso, a hipoxemia grave com SpO₂ 89% em ar ambiente é mais compatível com SDRA do que com pneumonia não complicada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A pneumonia por Legionella pneumophila pode cursar com quadro grave, febre alta, confusão mental, diarreia e hiponatremia, além de opacidades que podem ser bilaterais. No entanto, o padrão radiológico típico é de consolidação lobar ou segmentar, e a evolução costuma ser mais aguda. A paciente não apresenta os sinais extrapulmonares clássicos da legionelose, e a hipoxemia grave com opacidades bilaterais difusas é mais sugestiva de SDRA.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A pneumonia por Pneumocystis jirovecii ocorre classicamente em imunossuprimidos (HIV com CD4 < 200, transplantados, uso de corticoides). A paciente não tem história de imunossupressão. O padrão radiológico típico é de opacidades intersticiais bilaterais em vidro fosco, mas a apresentação clínica com febre baixa e tosse seca pode ser semelhante. No entanto, a ausência de fator de risco imunossupressor torna essa hipótese menos provável.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A paciente preenche os critérios de Berlim para SDRA: início agudo (3 semanas), opacidades bilaterais na radiografia, hipoxemia grave (SpO₂ 89% em ar ambiente, correspondendo a PaO₂/FiO₂ provavelmente < 300) e edema não cardiogênico (sem sinais de ICC). Os achados laboratoriais (PCR, LDH, D-dímero elevados) são inespecíficos, mas compatíveis com a síndrome inflamatória sistêmica que caracteriza a SDRA. A causa mais provável é uma pneumonia viral ou bacteriana que evoluiu para SDRA.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A tuberculose pulmonar tem evolução crônica (semanas a meses), com tosse produtiva, hemoptise, sudorese noturna, perda de peso e febre vespertina. A radiografia típica mostra infiltrados nos lobos superiores, cavitações e adenopatia hilar. A paciente tem quadro subagudo de 3 semanas, tosse seca e opacidades bilaterais difusas, sem os sintomas constitucionais clássicos da TB. Além disso, a hipoxemia grave e o D-dímero muito elevado não são características da tuberculose.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir SDRA com pneumonia, oferecendo agentes etiológicos comuns (pneumococo, Legionella, Pneumocystis) e tuberculose. O candidato pode se fixar nos sintomas inespecíficos (febre, tosse, dispneia) e escolher uma pneumonia, mas o padrão radiológico bilateral difuso e a hipoxemia grave são os achados-chave que apontam para SDRA. Além disso, o D-dímero elevado pode desviar para TEP, mas a ausência de fatores de risco e o padrão radiológico bilateral tornam a SDRA mais provável. Fique atento: SDRA é uma síndrome, não uma doença específica — sempre avalie os critérios de Berlim.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar SDRA de pneumonia na prova, foque em três pontos: (1) padrão radiológico — bilateral e difuso na SDRA, lobar na pneumonia; (2) gravidade da hipoxemia — SDRA cursa com hipoxemia grave e refratária; (3) presença de fator de risco para SDRA (sepse, pneumonia grave, trauma, pancreatite). Se o caso trouxer opacidades bilaterais + SpO₂ < 90% + início agudo, pense em SDRA.

Gabarito: letra D

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