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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2023

MedicinaEndocrinologia
Código
qq895772
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFC-SC
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
Homem, 68 anos, com histórico de hipertensão arterial e diabetes melito tipo 2, foi admitido na UTI por insuficiência respiratória aguda secundária à pneumonia por Covid-19. Durante a internação, apresentou instabilidade hemodinâmica e necessitou de suporte pressórico. Foi iniciada insulinoterapia intravenosa contínua para controle glicêmico.Exames laboratoriais:• Glicemia capilar: 218 mg/dL (70-130 mg/dL).• Gasometria arterial: pH 7,28 (7,35-7,45); bicarbonato 16 mEq/L (22-28 mEq/L); lactato 3,5 mmol/L (<2 mmol/L).• Eletrólitos séricos: sódio 139 mEq/L (135-145 mEq/L); potássio 3,5 mEq/L (3,5-5,0 mEq/L); cálcio ionizado 1,05 mmol/L (1,15-1,30 mmol/L); magnésio 1,5 mg/dL (1,6-2,3 mg/dL).• Hemograma: hemoglobina 10 g/dL (13,5-17,5 g/dL); leucócitos 12.000/mm³ (4.000- 11.000/mm³); plaquetas 150.000/mm³ (150.000-450.000/mm³).Exames de imagem:• Radiografia de tórax: infiltrado interstício-alveolar bilateral.Qual o alvo de glicemia recomendado para o controle glicêmico em pacientes críticos, de acordo com as diretrizes atuais?
  1. A120-140 mg/dL.
  2. B140-180 mg/dL.
  3. C180-200 mg/dL.
  4. D200-220 mg/dL.
  5. E220-240 mg/dL.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — 140-180 mg/dL.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Controle glicêmico no paciente crítico

Gabarito: letra B. Para pacientes críticos, as diretrizes atuais (como as da American Diabetes Association e da Sociedade Brasileira de Diabetes) recomendam manter a glicemia entre 140-180 mg/dL, evitando tanto a hiperglicemia grave quanto a hipoglicemia, que é mais perigosa nesse cenário. A alternativa B é a única que reflete exatamente essa faixa-alvo.

O controle glicêmico em pacientes críticos é um tema central na medicina intensiva, especialmente em casos como o do enunciado: um paciente com diabetes tipo 2, pneumonia por Covid-19, instabilidade hemodinâmica e uso de insulina intravenosa contínua. A pergunta não é sobre o alvo ambulatorial (que varia conforme idade e comorbidades), mas sim sobre o alvo específico para o ambiente de UTI.

Historicamente, houve uma mudança importante nessa recomendação. O estudo NICE-SUGAR (2009) demonstrou que o controle glicêmico intensivo (alvo de 80-110 mg/dL) aumentava a mortalidade em comparação com um controle mais moderado (alvo < 180 mg/dL), principalmente devido ao maior risco de hipoglicemia grave. A partir dessa evidência, as principais diretrizes — incluindo a American Diabetes Association (ADA), a Surviving Sepsis Campaign e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) — passaram a recomendar, para a maioria dos pacientes críticos, uma meta glicêmica de 140-180 mg/dL. Essa faixa equilibra os benefícios do controle da hiperglicemia (que piora o prognóstico em infecções e estados catabólicos) com a segurança, evitando episódios de hipoglicemia, que são particularmente deletérios no paciente crítico.

Na prática, o manejo envolve: iniciar insulina intravenosa contínua quando a glicemia ultrapassa 180 mg/dL, ajustar a infusão para manter a glicemia na faixa de 140-180 mg/dL, e monitorar a glicemia com frequência (a cada 1-2 horas) até a estabilização. É importante destacar que a hipoglicemia (< 70 mg/dL) deve ser tratada imediatamente, e que a meta pode ser individualizada em situações específicas, como após cirurgias cardíacas, onde alguns protocolos ainda utilizam faixas mais estreitas.

A pegadinha desta questão está em confundir o alvo do paciente crítico com outros contextos: o alvo ambulatorial para adultos jovens (80-130 mg/dL em jejum), o alvo para idosos frágeis (90-150 mg/dL ou 100-180 mg/dL, conforme a tabela de metas por perfil), ou o alvo durante o tratamento da cetoacidose diabética (150-200 mg/dL). A banca explora exatamente essa confusão entre os diferentes cenários clínicos.

Guarde a distinção central: paciente crítico na UTI → 140-180 mg/dL; paciente ambulatorial adulto → 80-130 mg/dL em jejum; idoso com comorbidades → metas mais flexíveis; CAD/SHH → 150-200 mg/dL durante o tratamento. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A faixa de 120-140 mg/dL é mais estreita e mais baixa do que a recomendada para pacientes críticos. Ela se aproxima do alvo ambulatorial para adultos jovens (80-130 mg/dL em jejum), mas não corresponde a nenhuma recomendação específica para UTI. Adotar uma meta tão rígida no paciente crítico aumentaria o risco de hipoglicemia, o que é justamente o que as diretrizes atuais buscam evitar.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A faixa de 140-180 mg/dL é exatamente a meta glicêmica recomendada pelas principais diretrizes (ADA, SBD, Surviving Sepsis Campaign) para a maioria dos pacientes críticos. Essa recomendação se baseia nos resultados do estudo NICE-SUGAR, que mostrou maior mortalidade com controle intensivo (80-110 mg/dL) em comparação com o controle mais moderado. A faixa de 140-180 mg/dL representa o equilíbrio entre o controle da hiperglicemia e a prevenção da hipoglicemia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A faixa de 180-200 mg/dL é mais elevada do que a recomendada. Embora valores acima de 180 mg/dL sejam o gatilho para iniciar a insulinoterapia intravenosa, o alvo a ser mantido após o início do tratamento é de 140-180 mg/dL. Essa faixa de 180-200 mg/dL se aproxima do alvo utilizado durante o tratamento da cetoacidose diabética (150-200 mg/dL), mas não é a recomendação geral para o paciente crítico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A faixa de 200-220 mg/dL é claramente acima do alvo recomendado. Manter a glicemia nesse patamar deixaria o paciente em hiperglicemia significativa, o que está associado a piores desfechos em pacientes críticos, como maior risco de infecções, disfunção endotelial e aumento da mortalidade. Não há diretriz que recomende essa faixa como alvo terapêutico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A faixa de 220-240 mg/dL é ainda mais elevada e totalmente fora das recomendações. Valores nesse patamar indicam hiperglicemia não controlada, que deve ser tratada ativamente. Essa alternativa provavelmente foi incluída como um distrator para testar se o candidato conhece o valor correto do alvo, já que não corresponde a nenhum contexto clínico específico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os diferentes alvos glicêmicos: o do paciente crítico (140-180 mg/dL), o do paciente ambulatorial (80-130 mg/dL em jejum) e o do tratamento da cetoacidose diabética (150-200 mg/dL). O candidato que memorizou apenas um desses valores pode se perder. A chave é identificar o cenário: paciente na UTI com insulina intravenosa contínua → meta de 140-180 mg/dL.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma tabela mental com os alvos por cenário: ambulatorial adulto (80-130 mg/dL jejum), idoso frágil (90-150 ou 100-180 mg/dL), paciente crítico (140-180 mg/dL) e CAD/SHH (150-200 mg/dL). Na prova, leia o cenário com atenção e associe o alvo correto. Essa distinção é recorrente em questões de endocrinologia e medicina intensiva.

Gabarito: letra B

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