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Questão de Medicina — Pneumologia — FUNDATEC 2023

MedicinaPneumologia
Código
qq895776
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFC-SC
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
Paciente de 65 anos, fumante há 40 anos, apresenta dispneia aos esforços e tosse produtiva com expectoração. Ao exame físico, é possível detectar aumento da frequência respiratória, diminuição do murmúrio vesicular e presença de roncos e sibilos difusos. A gasometria arterial apresenta: pH 7,38 (7,35-7,45); PaO2 62 mmHg (80-100 mmHg); PaCO2 49 mmHg (35-45 mmHg); HCO3- 27 mEq/L (22-28 mEq/L); SatO2 90% (92-98%). O VEF1 é 40% do previsto e a relação VEF1/CVF é 55%. O paciente foi diagnosticado com DPOC. Qual o fator prognóstico mais importante na evolução do DPOC?
  1. AGravidade da dispneia.
  2. BPresença de cor pulmonale.
  3. CVEF1.
  4. DFrequência de exacerbações.
  5. EUso de corticoides inalatórios.
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GabaritoC — VEF1.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

DPOC: fatores prognósticos e a centralidade do VEF1

Gabarito: letra C. O fator prognóstico mais importante na evolução da DPOC é o VEF1, pois a redução do volume expiratório forçado no primeiro segundo se associa diretamente ao aumento da mortalidade, sendo a medida mais simples e validada do grau de obstrução das vias aéreas. Embora a dispneia, as exacerbações e o cor pulmonale tenham relevância prognóstica, o VEF1 é o parâmetro isolado mais fortemente correlacionado com o desfecho, conforme a literatura médica e as diretrizes da GOLD.

A DPOC é uma doença crônica e progressiva caracterizada por limitação persistente ao fluxo aéreo, geralmente associada ao tabagismo. O diagnóstico é confirmado pela espirometria, que demonstra relação VEF1/CVF inferior a 0,7 após broncodilatador. A gravidade da obstrução é classificada pela redução do VEF1 pós-broncodilatador em porcentagem do previsto, conforme a classificação GOLD: GOLD 1 (leve, VEF1 ≥ 80%), GOLD 2 (moderado, 50% ≤ VEF1 < 80%), GOLD 3 (grave, 30% ≤ VEF1 < 50%) e GOLD 4 (muito grave, VEF1 < 30%). No caso apresentado, o paciente tem VEF1 de 40% do previsto, o que o classifica como GOLD 3 (grave).

O prognóstico da DPOC guarda estreita relação com a gravidade da obstrução do fluxo aéreo. Estudos clássicos demonstram que, em pacientes com VEF1 inferior a 0,75 L, a mortalidade em 5 anos é de 60%, enquanto naqueles com VEF1 entre 0,75 e 0,95 L, a mortalidade em 5 anos é de 40%. Essa correlação direta entre a redução do VEF1 e o aumento da mortalidade é o que torna o VEF1 o fator prognóstico mais importante e amplamente utilizado na prática clínica.

É importante destacar que o VEF1, embora seja o principal preditor de mortalidade, não reflete todos os domínios da gravidade da doença. A avaliação da intensidade da dispneia pela escala mMRC e a frequência de exacerbações são complementares e importantes para a classificação da gravidade e para a decisão terapêutica. No entanto, quando se pergunta especificamente sobre o fator prognóstico mais importante na evolução da DPOC, a resposta é o VEF1, pois é a medida que melhor se correlaciona com a sobrevida.

A banca explora a confusão entre os fatores que compõem a avaliação multidimensional da DPOC (sintomas, exacerbações, comorbidades) e o fator isolado com maior valor prognóstico. O candidato pode ser tentado a escolher a frequência de exacerbações ou a gravidade da dispneia, que são importantes para o manejo, mas não superam o VEF1 como preditor de mortalidade. O cor pulmonale, por sua vez, é uma complicação tardia e grave, mas não é o fator prognóstico mais importante isoladamente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece alternativas que são fatores prognósticos relevantes (dispneia, exacerbações, cor pulmonale), mas que não são o mais importante. O candidato pode confundir a avaliação multidimensional da DPOC (que inclui sintomas e exacerbações) com o fator isolado de maior valor prognóstico. O VEF1 é a medida mais simples e validada do grau de obstrução, e sua redução se associa diretamente ao aumento da mortalidade, sendo o parâmetro central na avaliação prognóstica.

1VEF1 (principal)
Medida da obstrução
Correlação direta com mortalidade
2Dispneia (mMRC)
Sintoma subjetivo
Complementa avaliação
3Exacerbações
Aceleram perda de função
Complementam avaliação
4Cor pulmonale
Complicação tardia
Indica doença avançada
Fatores prognósticos na DPOC
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Fatores prognósticos na DPOC: VEF1 (principal) (Medida da obstrução, Correlação direta com mortalidade); Dispneia (mMRC) (Sintoma subjetivo, Complementa avaliação); Exacerbações (Aceleram perda de função, Complementam avaliação); Cor pulmonale (Complicação tardia, Indica doença avançada)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A gravidade da dispneia é um componente importante da avaliação clínica e da classificação da DPOC, sendo quantificada pela escala mMRC. No entanto, a dispneia é um sintoma subjetivo e não se correlaciona diretamente com a gravidade da obstrução ao fluxo aéreo nem com a mortalidade. O VEF1 é um marcador objetivo e mais fortemente associado ao prognóstico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O cor pulmonale é uma complicação tardia e grave da DPOC, decorrente da hipertensão pulmonar e da sobrecarga do ventrículo direito. Sua presença indica doença avançada e pior prognóstico, mas não é o fator prognóstico mais importante isoladamente. O VEF1, por refletir a gravidade da obstrução, é o principal preditor de mortalidade.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O VEF1 é a medida mais simples do grau de obstrução das vias aéreas na DPOC e sua redução associa-se com o aumento da mortalidade. É o fator prognóstico mais importante, sendo utilizado na classificação da gravidade e na avaliação da evolução da doença. A literatura demonstra que a mortalidade em 5 anos aumenta progressivamente com a redução do VEF1.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A frequência de exacerbações é um importante fator prognóstico, pois pacientes com exacerbações frequentes apresentam perda mais rápida da função pulmonar e pior evolução clínica. No entanto, as exacerbações são um evento que acelera a progressão da doença, mas o VEF1 permanece como o fator prognóstico mais importante, pois reflete o dano estrutural acumulado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O uso de corticoides inalatórios é uma opção terapêutica para pacientes com exacerbações frequentes, mas não é um fator prognóstico. Nenhuma terapia farmacológica para DPOC melhora a sobrevida comprovadamente, e o uso de corticoides inalatórios não altera a progressão da doença nem a mortalidade.

Gabarito: letra C — o VEF1 é o fator prognóstico mais importante na evolução da DPOC, pois sua redução se associa diretamente ao aumento da mortalidade.

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