Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — FUNDATEC 2023
Biologia›Ecologia e ciências ambientais
Código
qq896027
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFC-SC
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor - Área: Biologia
A Grande Fome na Irlanda (1845 a 1852) ocorreu devido à disseminação do míldio da batata (Phytophthora infestans), que devastou as plantações deste alimento básico para a população. A catástrofe resultou em cerca de um milhão de mortos e um milhão de pessoas forçadas a deixar o país. A tragédia teve consequências duradouras na história da Irlanda e alertou para questões relacionadas à variabilidade nas plantações. Sobre a relação entre variabilidade populacional e sobrevivência dos organismos, assinale a alternativa correta.
AA baixa variabilidade aumenta a chance de sobrevivência das populações no futuro, pois permite a seleção de indivíduos mais adaptados ao ambiente atual.
BA alta variabilidade reduz a chance de sobrevivência das populações, pois aumenta a probabilidade de existirem indivíduos especialmente suscetíveis a doenças.
CApós o episódio da Grande Fome na Irlanda, descobriu-se que a variabilidade não tem impacto na sobrevivência das populações.
DPopulações com mais variabilidade apresentam uma chance maior de sobrevivência devido a uma maior probabilidade de surgirem indivíduos resistentes a patógenos e melhor adaptados às condições de um ambiente em constante mudança.
EAs monoculturas prezam pela grande variabilidade dos cultivos como forma de defesa natural contra pragas.
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GabaritoD — Populações com mais variabilidade apresentam uma chance maior de sobrevivência devido a uma maior probabilidade de surgirem indivíduos resistentes a patógenos e melhor adaptados às condições de um ambiente em constante mudança.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Variabilidade genética e sobrevivência das populações
Gabarito: letra D. Populações com maior variabilidade genética têm maior chance de sobrevivência porque há maior probabilidade de existirem indivíduos resistentes a patógenos e adaptados a mudanças ambientais — exatamente o que a alternativa D afirma. A Grande Fome da Irlanda é o exemplo clássico: as batatas cultivadas eram clones geneticamente idênticos (monocultura), então quando o míldio (Phytophthora infestans) atacou, nenhuma planta tinha resistência, devastando toda a plantação.
A variabilidade genética é a matéria-prima da seleção natural. Quanto maior a diversidade de alelos em uma população, maior a chance de que pelo menos alguns indivíduos possuam combinações genéticas que os tornem resistentes a novas doenças, tolerantes a mudanças climáticas ou capazes de explorar novos recursos. Em ambientes estáveis, uma população homogênea pode até ser eficiente, mas em ambientes em constante mudança — ou diante de novos patógenos — a uniformidade genética é uma sentença de morte coletiva, pois o que afeta um indivíduo afeta todos igualmente.
A tragédia irlandesa ilustra perfeitamente esse princípio: as batatas cultivadas eram todas da mesma variedade (geneticamente idênticas), então a doença que atingiu uma atingiu todas. Se houvesse variedade genética, alguns indivíduos poderiam ter resistência natural ao fungo, e a população de batatas (e a população humana que dela dependia) teria maior chance de sobreviver. Esse episódio histórico é frequentemente citado em ecologia e evolução para demonstrar a importância da biodiversidade e da variabilidade genética para a resiliência de populações e ecossistemas.
A alternativa D é a única que expressa corretamente essa relação: mais variabilidade → maior probabilidade de indivíduos resistentes → maior chance de sobrevivência da população. As demais invertem a lógica ou negam o papel da variabilidade.
Variabilidade genética
1Alta variabilidade
Maior chance de sobrevivência
Indivíduos resistentes a patógenos
Adaptação a mudanças ambientais
2Baixa variabilidade (monocultura)
Vulnerabilidade a doenças
Mesmo risco para todos
Sem matéria-prima para seleção natural
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a baixa variabilidade aumenta a chance de sobrevivência. É o oposto: baixa variabilidade genética torna a população mais vulnerável a mudanças ambientais e doenças, pois todos os indivíduos são semelhantes e suscetíveis aos mesmos riscos. A seleção natural atua sobre a variabilidade existente; sem variabilidade, não há matéria-prima para a adaptação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a alta variabilidade reduz a chance de sobrevivência. Também é o oposto: alta variabilidade aumenta a chance de sobrevivência, pois há maior probabilidade de existirem indivíduos resistentes a doenças e adaptados a novas condições. A presença de indivíduos suscetíveis não anula o benefício dos resistentes — na verdade, a diversidade é justamente o que garante que alguns sobrevivam.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a variabilidade não tem impacto na sobrevivência. Totalmente equivocado: a variabilidade genética é um dos fatores mais importantes para a sobrevivência e evolução das populações. A própria Grande Fome da Irlanda demonstra o impacto devastador da falta de variabilidade.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta porque expressa com precisão o princípio ecológico-evolutivo: populações com mais variabilidade genética têm maior chance de sobrevivência, pois há maior probabilidade de surgirem indivíduos resistentes a patógenos e melhor adaptados a ambientes em mudança. É exatamente o que a seleção natural precisa para atuar.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que as monoculturas prezam pela grande variabilidade. É o contrário: monoculturas são caracterizadas pela baixíssima variabilidade genética — plantações de uma única variedade, geneticamente uniforme. Essa uniformidade é justamente o que as torna vulneráveis a pragas e doenças, como ocorreu na Irlanda.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão do conceito: em vez de "mais variabilidade = mais sobrevivência", as alternativas A e B apresentam a relação invertida, e a E confunde monocultura (baixa variabilidade) com alta variabilidade. Fique atento: a variabilidade é sempre benéfica para a resiliência populacional, e monocultura é sinônimo de uniformidade genética.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre variabilidade e sobrevivência, lembre-se do caso da batata irlandesa: todos os clones eram idênticos, então a doença devastou tudo. Na prova, associe "monocultura" a "baixa variabilidade" e "vulnerabilidade", e "variabilidade" a "resistência" e "adaptação". Se a alternativa disser que baixa variabilidade é boa ou que alta variabilidade é ruim, está errada.