Questão de Biologia — Classificação biológica — FUNDATEC 2023
- Código
- qq896032
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- IFC-SC
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor - Área: Biologia
- ARicina.
- BCianeto.
- CCristais de oxalato de cálcio.
- DAtropina.
- EÁcido fórmico.
GabaritoC — Cristais de oxalato de cálcio.
Gabarito: letra C. A intoxicação causada por espécies do gênero Dieffenbachia (comigo-ninguém-pode) e outras Araceae deve-se à presença de cristais de oxalato de cálcio (ráfides) em seus tecidos, que, ao serem mastigados, perfuram mecanicamente a mucosa oral e liberam a substância irritante, provocando edema, dor e inflamação. Essa é uma característica marcante da família Araceae, que inclui também a costela-de-Adão e a taioba.
A questão aborda um tema de botânica e toxicologia vegetal: a presença de compostos químicos de defesa em plantas ornamentais e alimentícias. Muitas plantas acumulam substâncias tóxicas como mecanismo de proteção contra herbívoros. No caso das Araceae, o agente tóxico não é uma toxina orgânica complexa, mas sim cristais microscópicos de oxalato de cálcio, geralmente em formato de agulha (ráfides), que ficam armazenados em células especializadas (idioblastos). Quando a planta é mordida ou mastigada, esses cristais são liberados e causam lesões mecânicas na boca, língua e faringe, permitindo a entrada de outras substâncias irritantes presentes na seiva, como proteases e saponinas, intensificando a reação inflamatória.
A confusão mais comum é associar a toxicidade a toxinas clássicas de outras plantas, como a ricina (da mamona) ou o cianeto (presente em mandioca-brava e em algumas sementes). No entanto, a Dieffenbachia e outras Araceae não produzem essas toxinas; sua ação irritante é predominantemente física, pelos cristais, e química, pela seiva. É importante distinguir os diferentes mecanismos de toxicidade vegetal para responder corretamente a questões desse tipo.
A ricina é uma proteína tóxica encontrada nas sementes da mamona (Ricinus communis), da família Euphorbiaceae. Ela inibe a síntese proteica nas células, causando intoxicação grave, mas não está presente em Araceae. A banca pode tentar confundir o candidato com toxinas vegetais famosas, mas a ricina não se aplica a este caso.
O cianeto (ou ácido cianídrico) é um composto tóxico liberado por glicosídeos cianogênicos, presentes em plantas como a mandioca-brava (Manihot esculenta), o linho e algumas frutas (caroços de pêssego, amêndoas amargas). Ele interfere na respiração celular, mas não é o agente tóxico das Araceae. A Dieffenbachia não produz cianeto.
Os cristais de oxalato de cálcio são a causa da intoxicação por Dieffenbachia e outras Araceae. Esses cristais, em forma de ráfides, são afiados e, ao serem mastigados, perfuram a mucosa oral, causando dor intensa, edema, salivação excessiva e, em casos graves, dificuldade respiratória. A ação é mecânica e química, e essa é a característica tóxica típica da família Araceae.
A atropina é um alcaloide encontrado em plantas da família Solanaceae, como a beladona (Atropa belladonna), o datura e o meimendro. Ela atua como antagonista muscarínico, causando boca seca, taquicardia, midríase e alucinações. Não está presente em Araceae e não é o agente tóxico da comigo-ninguém-pode.
O ácido fórmico é um composto orgânico simples, presente no veneno de formigas e em algumas plantas (como urtigas, que causam irritação por histamina e outros mediadores). Embora cause irritação, não é o agente tóxico das Araceae. A irritação da Dieffenbachia é devida aos cristais de oxalato de cálcio, não ao ácido fórmico.
A banca explora a associação automática entre "planta tóxica" e toxinas famosas como ricina, cianeto ou atropina. O candidato que não conhece o mecanismo específico das Araceae pode cair em uma dessas alternativas. Lembre-se: a comigo-ninguém-pode e outras Araceae têm cristais de oxalato de cálcio — a ação é mecânica (perfuração) e química (irritação), não uma toxina sistêmica. Com esse conhecimento, você elimina as outras opções com segurança.
Para questões de toxicologia vegetal, monte um quadro mental das principais toxinas e suas plantas-fonte: ricina (mamona), cianeto (mandioca-brava), atropina (beladona), solanina (batata), oxalato de cálcio (Araceae, como Dieffenbachia, Monstera, Philodendron). Essa tabela mental resolve muitas questões de prova.
Gabarito: letra C.
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