Questão de Medicina — Oncologia — FUNDATEC 2023
- Código
- qq898809
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Casca - RS
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Clínica Geral
- APulmão.
- BRenal.
- CCólon.
- DMama.
- EPróstata.
GabaritoA — Pulmão.
Gabarito: letra A. O câncer de pulmão é a neoplasia mais comumente associada ao aparecimento de síndromes paraneoplásicas, conforme o próprio material de apoio: "O câncer mais comumente associado ao aparecimento de síndromes paraneoplásicas é o câncer de pulmão." Essa é uma associação clássica e amplamente cobrada em provas de oncologia e clínica médica.
As síndromes paraneoplásicas são manifestações clínicas ou laboratoriais que ocorrem à distância do tumor, sem relação direta com invasão local ou metástases. Elas resultam da secreção de substâncias pelo tumor — como hormônios, citocinas ou fatores de crescimento — que causam efeitos sistêmicos em diversos órgãos. Essas manifestações podem ser endocrinológicas, neurológicas, cutâneas, musculoesqueléticas, hematológicas ou metabólicas. Em alguns casos, a síndrome paraneoplásica pode ser a primeira manifestação da doença neoplásica, o que torna seu reconhecimento fundamental para o diagnóstico precoce.
O câncer de pulmão, especialmente o carcinoma de pequenas células, é o grande protagonista das síndromes paraneoplásicas. Isso ocorre porque as células tumorais pulmonares têm alta capacidade de secretar peptídeos bioativos. Entre as síndromes mais conhecidas associadas a essa neoplasia estão:
Hipercalcemia maligna: causada pela secreção tumoral da proteína relacionada ao paratormônio (PTHrP), podendo ocorrer mesmo sem metástases ósseas.
Osteoartropatia pulmonar hipertrófica (OAH): caracterizada por baqueteamento digital, periostite de ossos longos e artrite, fortemente associada ao câncer de pulmão.
Síndrome da secreção inapropriada do hormônio antidiurético (SSIADH): comum no carcinoma de pequenas células.
Síndrome de Cushing por secreção ectópica de ACTH: também associada ao carcinoma de pequenas células.
Síndrome miastênica de Eaton-Lambert: uma síndrome neurológica paraneoplásica clássica do carcinoma de pequenas células.
Outras neoplasias também apresentam síndromes paraneoplásicas, mas com menor frequência. O carcinoma de células renais, por exemplo, pode cursar com eritrocitose (por superprodução de eritropoetina), hipercalcemia (por excesso de PTHrP), disfunção hepática (síndrome de Stauffer) e caquexia. A dermatomiosite e a polimiosite estão associadas a tumores de ovário, pulmão e estômago. No entanto, nenhuma dessas neoplasias supera o pulmão em frequência e diversidade de síndromes paraneoplásicas.
A banca explora exatamente essa hierarquia de associação: o candidato precisa saber que, embora várias neoplasias possam cursar com síndromes paraneoplásicas, o câncer de pulmão é o mais comumente associado. Essa é uma informação consolidada na literatura médica e frequentemente cobrada em concursos.
A banca pode tentar confundir o candidato citando neoplasias que também têm associações paraneoplásicas conhecidas, como o carcinoma renal (eritrocitose, hipercalcemia) ou o câncer de mama. A questão, porém, pergunta qual tem maior relação — e a resposta é sempre o pulmão. Guarde essa hierarquia: pulmão > rim > demais.
O câncer de pulmão é a neoplasia mais comumente associada às síndromes paraneoplásicas. O material de apoio afirma expressamente: "O câncer mais comumente associado ao aparecimento de síndromes paraneoplásicas é o câncer de pulmão." As síndromes mais características incluem hipercalcemia maligna (por PTHrP), osteoartropatia pulmonar hipertrófica, SSIADH, síndrome de Cushing ectópica e síndrome de Eaton-Lambert — esta última quase patognomônica do carcinoma de pequenas células.
O carcinoma de células renais também apresenta síndromes paraneoplásicas, como eritrocitose (por superprodução de eritropoetina), hipercalcemia (por PTHrP), síndrome de Stauffer (disfunção hepática) e caquexia. No entanto, a frequência e a diversidade dessas manifestações são menores que as do câncer de pulmão. A banca usa o renal como distrator justamente por ter associações paraneoplásicas conhecidas, mas não é o de maior relação.
O câncer de cólon não é classicamente associado a síndromes paraneoplásicas de alta frequência. Embora possa ocorrer, por exemplo, anemia ou trombose como manifestações paraneoplásicas, essa associação é muito menos característica e menos cobrada que a do pulmão. O cólon é um distrator que apela para a alta prevalência da neoplasia, não para a relação paraneoplásica.
O câncer de mama pode cursar com algumas manifestações paraneoplásicas, como hipercalcemia (frequentemente por metástases ósseas, mas também por PTHrP) ou fenômenos autoimunes. Contudo, não é a neoplasia com maior relação com síndromes paraneoplásicas. A banca o inclui como distrator por ser uma neoplasia muito prevalente, mas a associação paraneoplásica é menos proeminente que a do pulmão.
O câncer de próstata pode apresentar hipercalcemia, geralmente relacionada a metástases ósseas extensas, mas não é classicamente associado a síndromes paraneoplásicas de forma tão marcante quanto o pulmão. É um distrator que apela para a prevalência da doença, não para a relação paraneoplásica.
Gabarito: letra A — o câncer de pulmão é a neoplasia com maior relação com síndromes paraneoplásicas.
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