Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2023
- Código
- qq898810
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Casca - RS
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Clínica Geral
- A100 a 126.
- B100 a 140.
- C100 a 180.
- D126 a 140.
- E140 a 180.
GabaritoA — 100 a 126.
Gabarito: letra A. A glicemia de jejum que indica intolerância à glicose (pré-diabetes) em adultos é a que fica entre 100 e 125 mg/dL — a alternativa A (100 a 126) é a que mais se aproxima, pois o limite superior do intervalo é < 126 mg/dL, e o valor de 126 mg/dL já define diabetes. Essa classificação segue os critérios da American Diabetes Association (ADA), adotados pela Sociedade Brasileira de Diabetes e pela OMS (esta última com ponto de corte de 110 mg/dL).
A glicemia de jejum é a dosagem de glicose no plasma após um período de 8 a 12 horas sem ingestão calórica. Ela é o exame mais utilizado para rastreamento e diagnóstico de diabetes e de estados intermediários de hiperglicemia. O conceito central aqui é a classificação em três faixas: normal, glicemia de jejum alterada (pré-diabetes) e diabetes. A faixa de pré-diabetes é justamente a que a questão chama de "intolerância à glicose" — termo que, em sentido estrito, refere-se à tolerância diminuída à glicose no teste oral de tolerância (TTGO), mas que na prática clínica e em provas é usado de forma ampla para designar a hiperglicemia intermediária.
A regra que decide a questão é a seguinte: valores de glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL caracterizam a glicemia de jejum alterada (pré-diabetes); valores ≥ 126 mg/dL (confirmados em duas ocasiões) diagnosticam diabetes mellitus. O valor de 126 mg/dL é o ponto de corte que separa o pré-diabetes do diabetes — por isso o intervalo da alternativa A vai "até 126", mas o 126 em si já é diabetes, e o correto seria "100 a 125". A banca, no entanto, considerou a alternativa A como correta por ser a que melhor representa o intervalo, já que nenhuma alternativa trazia "100 a 125" exatamente.
Na prática, imagine um paciente de 55 anos, com sobrepeso, que chega ao ambulatório com glicemia de jejum de 118 mg/dL. Esse valor não é normal (que seria < 100 mg/dL) nem configura diabetes (≥ 126 mg/dL) — ele está na faixa de pré-diabetes. Esse paciente deve ser orientado a mudar o estilo de vida (dieta, atividade física, perda de peso) e a repetir o exame, pois tem risco aumentado de progredir para diabetes. Se a glicemia fosse 130 mg/dL, o diagnóstico de diabetes já estaria estabelecido (desde que confirmado em nova dosagem).
A distinção que importa é entre os três estados glicêmicos, e é exatamente nela que as alternativas se dividem:
Estado | Glicemia de jejum (mg/dL) |
|---|---|
Normal | < 100 |
Pré-diabetes (glicemia de jejum alterada) | 100 a 125 |
Diabetes mellitus | ≥ 126 |
A pegadinha da banca está em usar o valor de 126 mg/dL como limite superior do intervalo de intolerância, quando na verdade 126 mg/dL já é o ponto de corte para diabetes. O candidato que decora "100 a 126" sem entender que o 126 é o limite do diabetes acaba marcando a alternativa A sem perceber a imprecisão — mas, como nenhuma alternativa traz "100 a 125", a A é a resposta correta.
A banca explora a confusão entre o limite superior do pré-diabetes (125 mg/dL) e o ponto de corte do diabetes (126 mg/dL). A alternativa A diz "100 a 126", mas o correto seria "100 a 125" — o 126 já é diabetes. Como nenhuma alternativa traz o intervalo exato, a A é a que mais se aproxima e é o gabarito. Fique atento: em provas, o valor de 126 mg/dL é sempre o divisor de águas entre pré-diabetes e diabetes.
A alternativa A (100 a 126) é a correta porque representa o intervalo de glicemia de jejum que indica intolerância à glicose (pré-diabetes). O valor de 100 mg/dL é o ponto de corte inferior (a partir dele a glicemia é considerada alterada) e o valor de 126 mg/dL é o limite superior, pois a partir dele já se diagnostica diabetes. Embora o intervalo exato seja "100 a 125", a banca considerou a A como a resposta por ser a que melhor representa a faixa de pré-diabetes.
A alternativa B (100 a 140) está incorreta porque o limite superior de 140 mg/dL não corresponde à glicemia de jejum — esse valor é o ponto de corte para tolerância diminuída à glicose no teste oral de tolerância à glicose (TTGO) de 2 horas, não na glicemia de jejum. O candidato que confunde os dois exames marca esta alternativa.
A alternativa C (100 a 180) está incorreta porque o valor de 180 mg/dL não tem relação com o diagnóstico de intolerância à glicose. Esse valor aparece em outro contexto: é a meta glicêmica em pacientes críticos na UTI (manter glicemia entre 140 e 180 mg/dL), conforme discutido em diretrizes de terapia intensiva. Não é um critério diagnóstico.
A alternativa D (126 a 140) está incorreta porque o valor de 126 mg/dL já é o ponto de corte para diagnóstico de diabetes mellitus, não de intolerância à glicose. O intervalo de pré-diabetes começa em 100 mg/dL, não em 126. Esta alternativa mistura o limite do diabetes com um valor que não é critério de jejum.
A alternativa E (140 a 180) está incorreta porque esses valores são muito elevados para caracterizar intolerância à glicose. O valor de 140 mg/dL é o ponto de corte para tolerância diminuída à glicose no TTGO de 2 horas, e 180 mg/dL é uma meta glicêmica em UTI — nenhum dos dois é critério de glicemia de jejum para pré-diabetes.
Gabarito: letra A — a glicemia de jejum que indica intolerância à glicose em adultos é a que fica entre 100 e 126 mg/dL (mais precisamente, 100 a 125 mg/dL, sendo 126 mg/dL o ponto de corte para diabetes).
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