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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qq898817
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Casca - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Ginecologista Obstetra
Em relação à prevenção da pré-eclâmpsia (PE), segundo as evidências atuais, analise as assertivas abaixo:I. O rastreio combinado (história clínica, pressão arterial média, PI da artéria uterina e PIGF) – algoritmo da Fetal Medicine Foundation – realizado durante a ultrassonografia morfológica do 1º trimestre, tem excelente predição para a PE antes de 37 semanas de gestação.II. As pacientes de alto risco para PE devem receber ácido acetilsalicílico em baixa dose (100-150 mg/dia, à noite), com início antes das 16 semanas de gestação, a fim de reduzir a incidência de PE precoce.III. A suplementação de cálcio (1,5 a 2,0 g/dia) durante a gestação pode ser utilizada nas pacientes de alto risco para PE, especialmente nas pacientes com baixa ingesta de cálcio, como medida profilática adjuvante ao ácido acetilsalicílico.Quais estão corretas?
  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas I e II.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — I, II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Prevenção da pré-eclâmpsia (PE): rastreio e profilaxia

Gabarito: letra E (I, II e III). As três assertivas estão corretas: o rastreio combinado da Fetal Medicine Foundation (FMF) no 1º trimestre tem excelente predição para PE precoce (< 37 semanas); o AAS em baixa dose (100-150 mg/dia, à noite) iniciado antes de 16 semanas reduz a incidência de PE precoce em gestantes de alto risco; e a suplementação de cálcio (1,5-2,0 g/dia) é adjuvante ao AAS, especialmente em pacientes com baixa ingesta de cálcio. Essas condutas estão alinhadas com as principais diretrizes, como as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial (2020/2025) e as recomendações da FIGO/OMS/ACOG.

A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, definida por hipertensão arterial (PAS ≥ 140 mmHg e/ou PAD ≥ 90 mmHg) após 20 semanas, geralmente acompanhada de proteinúria ou, na sua ausência, de disfunções orgânicas maternas ou uteroplacentárias. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal, o que justifica o esforço em rastrear e prevenir sua ocorrência. A prevenção moderna baseia-se em dois pilares: a identificação precoce das gestantes de risco e a instituição de medidas farmacológicas eficazes.

O rastreio combinado do 1º trimestre, proposto pela Fetal Medicine Foundation, combina história clínica materna (fatores de risco), pressão arterial média (PAM), índice de pulsatilidade (PI) da artéria uterina e dosagem do fator de crescimento placentário (PIGF). Esse algoritmo, calculado por uma calculadora de risco, permite estimar a probabilidade individual de desenvolver PE, especialmente a forma precoce (antes de 37 semanas), com excelente acurácia. A identificação dessas gestantes de alto risco é o passo inicial para a indicação da profilaxia.

A profilaxia medicamentosa de primeira linha é o ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose. As diretrizes recomendam 75-150 mg/dia, iniciado preferencialmente antes de 16 semanas (idealmente entre 12 e 16 semanas) e mantido até 36 semanas ou até o parto. No Brasil, a apresentação disponível é de 100 mg, administrada à noite. O mecanismo de ação envolve a inibição da ciclo-oxigenase plaquetária, reduzindo a produção de tromboxano A2 e, consequentemente, a vasoconstrição e a agregação plaquetária, que estão implicadas na fisiopatologia da PE. Estudos randomizados, como o ASPRE, demonstraram redução significativa da PE precoce com o uso de AAS nessa população.

A suplementação de cálcio é uma medida adjuvante, especialmente em populações com baixa ingesta (< 600 mg/dia). As diretrizes recomendam 1,0-2,0 g/dia para gestantes de alto risco com baixa ingesta, pois a deficiência de cálcio pode contribuir para a hipertensão gestacional. No Brasil, o Manual de Emergências Obstétricas sugere carbonato de cálcio 500 mg VO de 8/8 horas (total 1,5 g/dia). A suplementação não é recomendada para gestantes com ingesta normal de cálcio, pois não há benefício comprovado nesse grupo.

A distinção crucial que a banca explora é entre os fatores de risco (alto vs. moderado) e a consequente indicação de profilaxia. Um fator de alto risco (história prévia de PE, hipertensão crônica, doença renal, diabetes, obesidade, gestação múltipla, etc.) ou dois fatores de risco moderado (nuliparidade, idade > 40 anos, IMC > 30, etc.) indicam o uso de AAS. A pegadinha comum é confundir a dose, o horário ou o início do tratamento, ou ainda negligenciar o papel do cálcio como adjuvante. Guarde a tríade: rastreio combinado no 1º trimestre → AAS em baixa dose antes de 16 semanas → cálcio adjuvante em baixa ingesta. É exatamente essa combinação que as assertivas I, II e III descrevem.

Item I — ✅ Correto

A assertiva descreve com precisão o rastreio combinado da Fetal Medicine Foundation: história clínica, pressão arterial média, PI da artéria uterina e PIGF, realizado na ultrassonografia morfológica do 1º trimestre (11-13+6 semanas). Esse algoritmo tem excelente predição para PE antes de 37 semanas (PE precoce), que é a forma mais associada a desfechos adversos. As diretrizes brasileiras de hipertensão (2020) e internacionais (FIGO, NICE, ACOG) endossam esse método de rastreio.

Item II — ✅ Correto

A assertiva está correta: pacientes de alto risco devem receber AAS em baixa dose (100-150 mg/dia, à noite), com início antes das 16 semanas, para reduzir a incidência de PE precoce. As diretrizes recomendam 75-150 mg/dia, iniciado preferencialmente antes de 16 semanas. O Manual de Emergências Obstétricas brasileiro recomenda AAS 100 mg à noite, iniciado entre 12 e 16 semanas. O benefício é maior quando o tratamento é iniciado precocemente, antes do estabelecimento da placentação anormal.

Item III — ✅ Correto

A assertiva está correta: a suplementação de cálcio (1,5-2,0 g/dia) pode ser utilizada em pacientes de alto risco, especialmente com baixa ingesta de cálcio, como medida profilática adjuvante ao AAS. As diretrizes recomendam cálcio 1,0-2,0 g/dia para gestantes com baixa ingesta (< 600 mg/dia) e risco moderado/alto de PE. No Brasil, a dose usual é 1,5 g/dia (500 mg de 8/8 horas). A suplementação não é recomendada para ingesta normal, mas é adjuvante válida no grupo de risco.

Conclusão: As três assertivas estão corretas, portanto o gabarito é a letra E (I, II e III).

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