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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qq898818
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Casca - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Ginecologista Obstetra
Primigesta de 25 anos, com 33 semanas de gestação, procura a emergência referindo perda líquida vaginal há duas horas. Pré-natal sem intercorrências até então. Exame físico geral normal. Altura uterina de 30 cm, atividade uterina ausente, batimentos cardiofetais de 140 bpm. Ao exame especular, observa-se líquido amniótico saindo pelo orifício cervical do colo. Cardiotocografia reativa. Optando-se pelo manejo conservador, qual medicação deve ser usada nesse momento, na ausência de contraindicações?
  1. ASulfato de magnésio.
  2. BOcitocina.
  3. CBetametasona.
  4. DMisoprostol.
  5. EPenicilina cristalina.
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GabaritoC — Betametasona.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ruptura prematura de membranas: manejo conservador

Gabarito: letra C. Na ruptura prematura de membranas (RPM) com 33 semanas, optando-se pelo manejo conservador, a conduta é administrar betametasona para maturação pulmonar fetal, pois a prematuridade é a principal complicação nesse cenário. As demais opções não se aplicam: sulfato de magnésio é usado para neuroproteção fetal em trabalho de parto prematuro iminente (geralmente < 32 semanas), ocitocina e misoprostol são agentes de indução do parto (contraindicados no manejo conservador), e penicilina cristalina é indicada para profilaxia de estreptococo do grupo B, não como rotina na RPM sem outros fatores de risco.

A ruptura prematura de membranas é a rotura das membranas corioamnióticas antes do início do trabalho de parto. O diagnóstico é clínico, confirmado pela visualização de líquido amniótico saindo pelo orifício cervical ao exame especular, como descrito no caso. A idade gestacional é o fator mais importante para decidir a conduta: antes de 34 semanas, o manejo conservador (expectante) é preferido, pois o ganho de dias de gestação reduz as complicações da prematuridade. Nesse contexto, a administração de corticosteroides (betametasona ou dexametasona) é essencial para acelerar a maturação pulmonar fetal, reduzindo a incidência de síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante.

A betametasona é o corticoide de escolha, administrada em duas doses de 12 mg intramusculares com intervalo de 24 horas. O benefício máximo é alcançado entre 24 horas e 7 dias após a primeira dose. A indicação de corticoide antenatal é clara entre 24 e 34 semanas, e a RPM com menos de 34 semanas é uma das principais indicações, pois o parto pode ocorrer a qualquer momento. No caso apresentado, com 33 semanas e manejo conservador, a betametasona é a medicação que deve ser usada imediatamente.

É importante distinguir a RPM de outras condições. No trabalho de parto prematuro, há contrações uterinas regulares e modificação cervical, o que não está presente no caso (atividade uterina ausente). A cardiotocografia reativa indica bem-estar fetal, e a ausência de sinais de infecção (febre, taquicardia fetal) permite o manejo conservador. A vigilância deve incluir monitorização de sinais de corioamnionite, que contraindica a conduta expectante e indica resolução do parto.

A pegadinha desta questão está em associar a RPM com a necessidade de induzir o parto ou de tratar infecção. No entanto, com 33 semanas e sem contraindicações, o objetivo é prolongar a gestação e preparar o feto para a prematuridade. A betametasona é a única medicação que atende a esse objetivo entre as opções. As demais são usadas em contextos diferentes, como veremos na análise de cada alternativa.

  1. 1Diagnóstico clínico (líquido no especular)
  2. 2Betametasona (maturação pulmonar)
  3. 3Vigilância de corioamnionite
  4. 4Parto se infecção/sofrimento fetal
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O sulfato de magnésio é utilizado para neuroproteção fetal em gestações entre 24 e 32 semanas com trabalho de parto prematuro iminente, e também para prevenção e tratamento de eclâmpsia. No caso, com 33 semanas e sem trabalho de parto, não há indicação. A neuroproteção com sulfato de magnésio não é recomendada rotineiramente após 32 semanas, e o manejo conservador da RPM não inclui essa medicação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ocitocina é um agente uterotônico usado para indução ou aumento do trabalho de parto. No manejo conservador da RPM, o objetivo é evitar o parto, não estimulá-lo. A ocitocina seria indicada na conduta ativa (indução do parto), que não é a opção escolhida no enunciado. Além disso, a indução do parto na RPM com 33 semanas só é considerada em situações específicas, como corioamnionite ou sofrimento fetal.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A betametasona é um corticoide que promove a maturação pulmonar fetal, reduzindo a morbimortalidade neonatal por prematuridade. Na RPM com menos de 34 semanas, a administração de corticosteroides é recomendada como parte do manejo conservador, pois o parto prematuro é uma complicação frequente. A dose é de 12 mg intramuscular, em duas doses com intervalo de 24 horas. A indicação é clara e a medicação deve ser administrada o quanto antes, mesmo antes da confirmação de trabalho de parto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O misoprostol é uma prostaglandina usada para indução do parto, preparo cervical ou abortamento. No manejo conservador da RPM, o misoprostol é contraindicado, pois estimularia as contrações uterinas e o parto prematuro. Ele seria uma opção na conduta ativa, mas não é o caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A penicilina cristalina é usada para profilaxia da infecção neonatal por estreptococo do grupo B (EGB) durante o trabalho de parto, em gestantes colonizadas ou com fatores de risco. Na RPM, a antibioticoterapia profilática pode ser considerada em alguns protocolos, mas não é a medicação principal do manejo conservador. A profilaxia para EGB é indicada no momento do parto, não rotineiramente na RPM sem trabalho de parto. Além disso, a questão pergunta qual medicação deve ser usada "nesse momento", e a betametasona é a prioridade.

Gabarito: letra C

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