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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qq898821
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Casca - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Ginecologista Obstetra
Mulher, 46 anos, com ciclos menstruais a cada 90-120 dias há dois anos, refere que há 3 meses está com menometrorragia, com melhora parcial com ácido mefenâmico. Está, há 10 dias, sem fluxo menstrual. Nega doenças crônicas, uso de medicamentos ou tabagismo. Traz ultrassonografia transvaginal realizada há uma semana que evidencia útero AVF, 120 cm³, miométrio homogêneo, endométrio medindo 9 mm e ovários sem particularidades. Ao exame, IMC de 30 kg/m², exame especular com colo uterino epitelizado, sem lesões visíveis e sem evidência de sangramento ou leucorreia patológica. Toque vaginal com útero pélvico, móvel, sem dor à mobilização do colo uterino. Em relação a esse caso, assinale a alternativa correta.
  1. APela espessura endometrial à ultrassonografia, não há risco de câncer de endométrio, podendo-se usar anticoncepcional combinado oral para tratar essa paciente.
  2. BA paciente tem indicação de biópsia de endométrio pela presença de fatores de risco para câncer endometrial, e a medida da espessura endometrial à ultrassonografia na pré-menopausa não é tão útil como na pós-menopausa para estratificar o risco de patologia maligna.
  3. CPela espessura endometrial à ultrassonografia, não há risco de câncer de endométrio, estando indicado o uso do DIU de levonorgestrel para o tratamento do sangramento uterino anormal.
  4. DA paciente não tem fatores de risco para câncer de endométrio e, já que foi realizada ultrassonografia transvaginal, pode-se encerrar a investigação de patologia endometrial.
  5. EA paciente tem indicação de biópsia de endométrio pela espessura endometrial à ultrassonografia, embora a incidência de câncer endometrial seja rara na pré-menopausa.
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GabaritoB — A paciente tem indicação de biópsia de endométrio pela presença de fatores de risco para câncer endometrial, e a medida da espessura endometrial à ultrassonografia na pré-menopausa não é tão útil como na pós-menopausa para estratificar o risco de patologia maligna.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sangramento uterino anormal na perimenopausa: avaliação endometrial

Gabarito: letra B. A paciente tem indicação de biópsia de endométrio pela presença de fatores de risco para câncer endometrial (idade ≥ 45 anos, obesidade, ciclos anovulatórios com intervalos > 90 dias), e a medida da espessura endometrial pela ultrassonografia transvaginal na pré-menopausa não é tão útil quanto na pós-menopausa para estratificar o risco de patologia maligna, pois o endométrio varia fisiologicamente com o ciclo menstrual. A conduta correta é a investigação histológica, não o tratamento empírico com anticoncepcional ou DIU hormonal.

O sangramento uterino anormal (SUA) é definido como qualquer alteração no padrão menstrual normal — frequência, regularidade, duração ou volume. Na perimenopausa, a causa mais comum é a anovulação, que leva à exposição prolongada do endométrio ao estrogênio sem oposição da progesterona, resultando em hiperplasia endometrial e risco aumentado de carcinoma. A paciente do caso tem 46 anos, ciclos a cada 90–120 dias (oligomenorreia, sugestiva de anovulação), menometrorragia há 3 meses e IMC de 30 kg/m² (obesidade grau I). Esses são fatores de risco clássicos para câncer de endométrio: idade ≥ 45 anos, obesidade, anovulação crônica e sangramento anormal. A ultrassonografia mostra endométrio de 9 mm, mas na pré-menopausa esse valor não é diagnóstico, pois o endométrio pode atingir até 15 mm na fase secretora. Por isso, a avaliação endometrial por biópsia é obrigatória em mulheres com fatores de risco e SUA, independentemente da espessura ultrassonográfica.

A distinção crucial é entre a mulher pré-menopáusica e a pós-menopáusica. Na pós-menopausa, o endométrio atrófico normalmente mede ≤ 4–5 mm; acima disso, há indicação de investigação. Na pré-menopausa, a espessura varia com o ciclo, e o valor de 9 mm pode ser normal na fase secretora. Portanto, a ultrassonografia não é o método de triagem para câncer de endométrio na pré-menopausa — a biópsia é indicada pela presença de fatores de risco e pelo padrão de sangramento, não pela medida isolada. A alternativa B captura exatamente essa lógica: a paciente tem indicação de biópsia pelos fatores de risco, e a espessura endometrial na pré-menopausa não é tão útil quanto na pós-menopausa.

A conduta correta não é tratar empiricamente com anticoncepcional combinado oral ou DIU de levonorgestrel antes de afastar malignidade. O tratamento hormonal (ACO ou DIU-LNG) é opção para SUA sem suspeita de câncer, mas, na presença de fatores de risco e sangramento anormal, a biópsia endometrial deve preceder qualquer terapia. A alternativa A erra ao afirmar que "não há risco" pela espessura de 9 mm — o risco é definido pelos fatores clínicos, não pela medida. A alternativa C repete o mesmo erro. A alternativa D ignora os fatores de risco e encerra a investigação, o que é conduta insegura. A alternativa E acerta a indicação de biópsia, mas erra ao dizer que a incidência de câncer endometrial é rara na pré-menopausa — na verdade, cerca de 5–10% dos casos ocorrem antes da menopausa, e a paciente tem múltiplos fatores de risco.

A pegadinha da banca está em fazer o candidato focar na espessura endometrial de 9 mm e concluir que não há risco, quando o correto é valorizar os fatores de risco clínicos (idade, obesidade, anovulação) e a limitação da ultrassonografia na pré-menopausa. A medida de 9 mm não é "normal" nem "anormal" por si só — ela é inconclusiva, e a decisão de biopsiar é clínica. Guarde a fronteira: na pós-menopausa, a espessura > 5 mm com sangramento indica investigação; na pré-menopausa, a indicação de biópsia é baseada em fatores de risco e padrão de sangramento, não na espessura.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que "pela espessura endometrial à ultrassonografia, não há risco de câncer de endométrio" e propõe tratamento com anticoncepcional combinado oral. O erro é duplo: (1) a espessura de 9 mm na pré-menopausa não exclui risco — o risco é definido pelos fatores clínicos (idade ≥ 45 anos, obesidade, anovulação), que estão presentes; (2) tratar com ACO sem biópsia prévia é conduta inadequada, pois mascara o sangramento e atrasa o diagnóstico de possível hiperplasia ou carcinoma. A conduta correta é investigar o endométrio antes de qualquer terapia hormonal.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que a paciente tem indicação de biópsia de endométrio pela presença de fatores de risco para câncer endometrial (idade 46 anos, IMC 30 kg/m², ciclos anovulatórios com intervalos > 90 dias, menometrorragia). Também está correta ao destacar que a medida da espessura endometrial pela ultrassonografia na pré-menopausa não é tão útil quanto na pós-menopausa para estratificar o risco de patologia maligna, pois o endométrio varia fisiologicamente com o ciclo menstrual (pode atingir até 15 mm na fase secretora). A conduta é a biópsia endometrial, não o tratamento empírico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Repete o erro da alternativa A: afirma que "pela espessura endometrial à ultrassonografia, não há risco de câncer de endométrio" e propõe o uso de DIU de levonorgestrel. O DIU-LNG é uma opção terapêutica para SUA sem suspeita de malignidade, mas, na presença de fatores de risco e sangramento anormal, a biópsia endometrial deve ser realizada antes de qualquer tratamento hormonal. A espessura de 9 mm não exclui risco na pré-menopausa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que "a paciente não tem fatores de risco para câncer de endométrio" e que a ultrassonografia transvaginal encerra a investigação. É um erro grave: a paciente tem múltiplos fatores de risco (idade ≥ 45 anos, obesidade com IMC 30 kg/m², ciclos anovulatórios com intervalos > 90 dias, menometrorragia). A ultrassonografia não é o método de triagem para câncer de endométrio na pré-menopausa, e a investigação não pode ser encerrada sem avaliação histológica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Acerta ao afirmar que a paciente tem indicação de biópsia de endométrio, mas erra ao dizer que "a incidência de câncer endometrial seja rara na pré-menopausa". Na verdade, cerca de 5–10% dos casos de câncer de endométrio ocorrem antes da menopausa, e a paciente tem múltiplos fatores de risco que aumentam essa probabilidade. A incidência não é rara nesse grupo, e a indicação de biópsia é ainda mais forte.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você focar na espessura endometrial de 9 mm e concluir que "não há risco". Mas o risco de câncer de endométrio é definido pelos fatores clínicos — idade ≥ 45 anos, obesidade, anovulação crônica — e não pela medida ultrassonográfica na pré-menopausa. Na pós-menopausa, a espessura > 5 mm com sangramento indica investigação; na pré-menopausa, a biópsia é indicada pela presença de fatores de risco e pelo padrão de sangramento, independentemente da espessura. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de SUA na perimenopausa, monte mentalmente a lista de fatores de risco para câncer de endométrio: idade ≥ 45 anos, obesidade, anovulação crônica (ciclos > 90 dias), diabetes, hipertensão, uso de tamoxifeno, síndrome dos ovários policísticos. Se a paciente tiver qualquer um desses fatores e sangramento anormal, a biópsia endometrial é obrigatória — a ultrassonografia não substitui a histologia nesse contexto.

Gabarito: letra B

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