Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2023
- Código
- qq898824
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Casca - RS
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Pediatra
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas III.
- DApenas I e II.
- EApenas II e III.
GabaritoA — Apenas I.
Gabarito: letra A. Está correta apenas a assertiva I: a hérnia umbilical em geral não dói, e dor abdominal não costuma ser justificada pela sua presença. A assertiva II está incorreta quanto ao percentual e à idade (a correção espontânea ocorre na grande maioria, mas o marco temporal mais aceito é até os 4–5 anos, não 90% até 3 anos), e a assertiva III está incorreta porque o uso de instrumentos de compressão local não acelera a correção e é contraindicado. Essa é a orientação padrão da puericultura e da cirurgia pediátrica.
A hérnia umbilical é uma das afecções cirúrgicas mais comuns na infância, resultado do fechamento incompleto do anel umbilical após a queda do coto. Ela se manifesta como um abaulamento na região do umbigo, que aumenta com o choro, a tosse ou qualquer manobra que eleve a pressão intra-abdominal (manobra de Valsalva). O conteúdo herniário, na maioria das vezes, é composto por gordura pré-peritoneal ou alças intestinais.
A história natural é extremamente favorável: a maioria das hérnias umbilicais fecha espontaneamente à medida que a criança cresce e a musculatura abdominal se desenvolve. O fechamento espontâneo é a regra, e a cirurgia fica reservada para casos específicos — como hérnias que persistem após os 4 a 5 anos de idade, hérnias de grande volume ou que apresentem complicações (encarceramento ou estrangulamento). Por isso, a conduta inicial é sempre expectante, com orientação aos pais sobre a benignidade do quadro e os sinais de alarme.
A assertiva I está correta porque, na maioria dos casos, a hérnia umbilical é assintomática. A dor, quando presente, está mais associada a manobras de aumento da pressão abdominal (tosse, Valsalva) e, em geral, é de pequena intensidade, exceto em situações de complicação. A assertiva II erra ao fixar um percentual e uma idade específicos que não correspondem ao consenso: a literatura pediátrica costuma citar que a maioria se resolve espontaneamente, mas o fechamento pode ocorrer até os 4–5 anos, e não há um percentual rígido de 90% até os 3 anos. A assertiva III está incorreta porque o uso de moedas, faixas ou cintos compressivos não acelera a correção e é contraindicado, pois pode causar lesões de pele, encarceramento e estrangulamento do conteúdo herniário.
A pegadinha da banca está em explorar números e condutas que parecem plausíveis, mas não são aceitos na prática clínica. O candidato deve lembrar que a conduta é sempre expectante e que qualquer manobra de compressão local é desaconselhada. Além disso, é importante distinguir a hérnia umbilical da hérnia epigástrica: esta ocorre na linha alba acima do umbigo, é mais comum em adultos (20–50 anos) e pode ser confundida com diástase do músculo reto abdominal.
A assertiva I está correta. A hérnia umbilical em geral é indolor, e a dor abdominal não costuma ser justificada pela sua presença. O texto de apoio confirma: "Os achados clínicos dependem do tamanho do defeito aponeurótico, sendo assintomáticas na maioria dos casos." A dor, quando ocorre, está associada a manobras de aumento da pressão abdominal, como tosse e Valsalva, e sua intensidade, sem estrangulamento, é pequena. Portanto, a orientação aos pais de que a hérnia não costuma causar dor é correta.
A assertiva II está incorreta ao afirmar que "mais de 90% corrigem-se espontaneamente até os 3 anos de idade". Embora a maioria das hérnias umbilicais feche espontaneamente, o consenso pediátrico aponta que o fechamento pode ocorrer até os 4–5 anos de idade, e não há um percentual rígido de 90% até os 3 anos. O texto de apoio menciona que "a hérnia umbilical pode ter manejo expectante em crianças assintomáticas até a idade de 5 anos", o que indica que a correção espontânea pode ocorrer além dos 3 anos. Portanto, o percentual e a idade citados não são precisos.
A assertiva III está incorreta ao afirmar que "o uso de instrumentos de compressão local acelera a correção e não está contraindicado". Na prática, o uso de moedas, faixas ou cintos compressivos não acelera a correção e é contraindicado, pois pode causar lesões de pele, encarceramento e estrangulamento do conteúdo herniário. A conduta correta é o manejo expectante, com observação até os 4–5 anos, e a correção cirúrgica apenas em casos de complicação ou persistência após essa idade.
Conclusão: Corretos apenas os itens I e III? Não — apenas o item I está correto. Portanto, a alternativa correta é a letra A.
Gabarito: letra A.
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