Pólipos da vesícula biliar: quando operar?
Gabarito: letra D (Colecistectomia). O pólipo de vesícula biliar com 1,3 cm (> 1 cm) em paciente de 64 anos (> 60 anos) preenche dois critérios de risco para neoplasia maligna, indicando colecistectomia. A conduta conservadora (observação ou repetição de US) é reservada para pólipos < 1 cm, conforme a literatura de Gastroenterologia.
Os pólipos da vesícula biliar são projeções da mucosa, encontrados em até 5% dos indivíduos submetidos à ultrassonografia. A maioria não é neoplásica — são pólipos de colesterol, adenomiomatose ou pólipos inflamatórios. O grande desafio é distinguir essas lesões benignas do adenoma e do carcinoma de vesícula biliar, que têm potencial de malignidade. Por isso, a decisão entre operar ou observar não se baseia apenas no tamanho, mas em um conjunto de fatores de risco que aumentam a probabilidade de neoplasia.
Os fatores associados a aumento do risco de neoplasia maligna incluem: idade superior a 60 anos, tamanho maior que 1 cm, presença de cálculos biliares e aumento de tamanho em exames subsequentes. A colecistectomia é indicada se existir um ou mais desses fatores de risco, ou se o paciente apresentar sintomas biliares. Pólipos com menos de 1 cm devem ser monitorados com US periódicas.
No caso apresentado, o paciente tem 64 anos (idade > 60) e pólipo de 1,3 cm (tamanho > 1 cm). A presença de apenas um desses critérios já justificaria a cirurgia; com dois, a indicação é ainda mais forte. A esteatose hepática moderada, embora explique o aumento de transaminases, não interfere na conduta em relação ao pólipo — é um achado incidental que merece investigação própria, mas não contraindica nem modifica a indicação cirúrgica.
A pegadinha da questão está em considerar apenas o tamanho isoladamente ou em subestimar o critério etário. Muitos candidatos pensam que pólipos entre 1 e 1,5 cm podem ser apenas observados, mas a regra é clara: qualquer pólipo > 1 cm, independentemente da idade, já é indicação de colecistectomia. A idade > 60 anos é um fator adicional que reforça a conduta cirúrgica. Guarde a fronteira: pólipo > 1 cm ou idade > 60 anos (ou outros fatores de risco) → operar; pólipo < 1 cm sem fatores de risco → observar com US seriada.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Realizar tomografia de abdome superior com contraste não é a conduta inicial para pólipo de vesícula biliar. A US já é o exame de escolha para caracterização inicial, e a TC não adiciona informação decisiva para a decisão de operar. Além disso, o paciente já tem indicação cirúrgica clara, tornando o exame complementar desnecessário antes da cirurgia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Repetir a ultrassonografia em 6 meses seria adequado apenas para pólipos < 1 cm sem fatores de risco, para monitorar crescimento. No caso, o pólipo já tem 1,3 cm (> 1 cm) e o paciente tem 64 anos (> 60 anos), preenchendo critérios de risco que indicam colecistectomia imediata, não vigilância.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Repetir a ultrassonografia em 1 ano segue a mesma lógica da alternativa B: é conduta para pólipos pequenos (< 1 cm) sem fatores de risco. O intervalo de 1 ano é ainda mais inadequado, pois o pólipo já ultrapassou o limiar de segurança e o paciente tem idade avançada, o que aumenta o risco de malignidade.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A colecistectomia é a conduta correta. O pólipo de 1,3 cm (> 1 cm) e a idade de 64 anos (> 60 anos) são fatores de risco independentes para neoplasia maligna da vesícula biliar. A presença de um ou mais desses fatores indica cirurgia, conforme a literatura. A esteatose hepática não contraindica o procedimento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Observação clínica seria aceitável apenas para pólipos < 1 cm sem fatores de risco, com US seriada. No caso, o pólipo > 1 cm e a idade > 60 anos tornam a observação insegura, pois o risco de malignidade é significativo e a colecistectomia é curativa e de baixa morbidade.
Gabarito: letra D — pólipo > 1 cm e idade > 60 anos indicam colecistectomia.