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Questão de Medicina — Gastroenterologia — FUNDATEC 2023

MedicinaGastroenterologia
Código
qq901396
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Iomerê - SC
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral - 20h
Homem, 64 anos, chega em consulta médica trazendo exame de ultrassonografia de abdome superior realizado por aumento de transaminases hepáticas, constatado em exames periódicos. No resultado do exame, evidencia-se esteatose hepática moderada e pólipo em vesícula biliar de 1,3 cm. Qual seria a melhor conduta em relação ao pólipo da vesícula biliar?
  1. ARealizar tomografía de abdome superior com contraste.
  2. BRepetir a ultrassonografia em 6 meses.
  3. CRepetir ultrassonografia em 1 ano.
  4. DColecistectomia.
  5. EObservação clinica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Colecistectomia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pólipos da vesícula biliar: quando operar?

Gabarito: letra D (Colecistectomia). O pólipo de vesícula biliar com 1,3 cm (> 1 cm) em paciente de 64 anos (> 60 anos) preenche dois critérios de risco para neoplasia maligna, indicando colecistectomia. A conduta conservadora (observação ou repetição de US) é reservada para pólipos < 1 cm, conforme a literatura de Gastroenterologia.

Os pólipos da vesícula biliar são projeções da mucosa, encontrados em até 5% dos indivíduos submetidos à ultrassonografia. A maioria não é neoplásica — são pólipos de colesterol, adenomiomatose ou pólipos inflamatórios. O grande desafio é distinguir essas lesões benignas do adenoma e do carcinoma de vesícula biliar, que têm potencial de malignidade. Por isso, a decisão entre operar ou observar não se baseia apenas no tamanho, mas em um conjunto de fatores de risco que aumentam a probabilidade de neoplasia.

Os fatores associados a aumento do risco de neoplasia maligna incluem: idade superior a 60 anos, tamanho maior que 1 cm, presença de cálculos biliares e aumento de tamanho em exames subsequentes. A colecistectomia é indicada se existir um ou mais desses fatores de risco, ou se o paciente apresentar sintomas biliares. Pólipos com menos de 1 cm devem ser monitorados com US periódicas.

No caso apresentado, o paciente tem 64 anos (idade > 60) e pólipo de 1,3 cm (tamanho > 1 cm). A presença de apenas um desses critérios já justificaria a cirurgia; com dois, a indicação é ainda mais forte. A esteatose hepática moderada, embora explique o aumento de transaminases, não interfere na conduta em relação ao pólipo — é um achado incidental que merece investigação própria, mas não contraindica nem modifica a indicação cirúrgica.

A pegadinha da questão está em considerar apenas o tamanho isoladamente ou em subestimar o critério etário. Muitos candidatos pensam que pólipos entre 1 e 1,5 cm podem ser apenas observados, mas a regra é clara: qualquer pólipo > 1 cm, independentemente da idade, já é indicação de colecistectomia. A idade > 60 anos é um fator adicional que reforça a conduta cirúrgica. Guarde a fronteira: pólipo > 1 cm ou idade > 60 anos (ou outros fatores de risco) → operar; pólipo < 1 cm sem fatores de risco → observar com US seriada.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Realizar tomografia de abdome superior com contraste não é a conduta inicial para pólipo de vesícula biliar. A US já é o exame de escolha para caracterização inicial, e a TC não adiciona informação decisiva para a decisão de operar. Além disso, o paciente já tem indicação cirúrgica clara, tornando o exame complementar desnecessário antes da cirurgia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Repetir a ultrassonografia em 6 meses seria adequado apenas para pólipos < 1 cm sem fatores de risco, para monitorar crescimento. No caso, o pólipo já tem 1,3 cm (> 1 cm) e o paciente tem 64 anos (> 60 anos), preenchendo critérios de risco que indicam colecistectomia imediata, não vigilância.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Repetir a ultrassonografia em 1 ano segue a mesma lógica da alternativa B: é conduta para pólipos pequenos (< 1 cm) sem fatores de risco. O intervalo de 1 ano é ainda mais inadequado, pois o pólipo já ultrapassou o limiar de segurança e o paciente tem idade avançada, o que aumenta o risco de malignidade.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A colecistectomia é a conduta correta. O pólipo de 1,3 cm (> 1 cm) e a idade de 64 anos (> 60 anos) são fatores de risco independentes para neoplasia maligna da vesícula biliar. A presença de um ou mais desses fatores indica cirurgia, conforme a literatura. A esteatose hepática não contraindica o procedimento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Observação clínica seria aceitável apenas para pólipos < 1 cm sem fatores de risco, com US seriada. No caso, o pólipo > 1 cm e a idade > 60 anos tornam a observação insegura, pois o risco de malignidade é significativo e a colecistectomia é curativa e de baixa morbidade.

Gabarito: letra D — pólipo > 1 cm e idade > 60 anos indicam colecistectomia.

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