Quais os medicamentos inapropriados para idosos mais prescritos?
AAntibióticos, tranquilizantes e anti-histamínicos.
BAntipsicóticos, anti-histamínicos e antidepressivos tricíclicos.
CBenzodiazepínicos e inibidores da recaptação de serotonina.
DBenzodiazepínicos de meia-vida longa, anti-histamínicos e antidepressivos tricíclicos.
EBenzodiazepínicos de meia-vida longa, tricíclicos e inibidores da receptação de serotonina.
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GabaritoD — Benzodiazepínicos de meia-vida longa, anti-histamínicos e antidepressivos tricíclicos.
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Medicamentos potencialmente inapropriados em idosos
Gabarito: letra D. A questão cobra o conhecimento dos medicamentos potencialmente inapropriados (MPIs) mais prescritos para idosos, conforme os critérios de Beers da American Geriatrics Society (AGS). A alternativa correta é a que reúne benzodiazepínicos de meia-vida longa, anti-histamínicos e antidepressivos tricíclicos — três classes clássicas de MPIs, seja por risco de sedação, efeitos anticolinérgicos ou risco de quedas e declínio cognitivo.
Os critérios de Beers são a principal referência mundial para identificar medicamentos potencialmente inapropriados em idosos. Eles classificam os fármacos em três categorias: os que devem ser sempre evitados (independentemente da condição clínica), os que são potencialmente inapropriados em idosos com condições ou síndromes específicas e os que devem ser usados com cautela. A lógica por trás dessa classificação está nas alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas do envelhecimento: aumento da gordura corporal (que prolonga o efeito de fármacos lipossolúveis, como os benzodiazepínicos), declínio da filtração glomerular (que reduz a depuração de muitos medicamentos) e aumento da sensibilidade a certas drogas, como os anticolinérgicos.
Entre os MPIs mais frequentemente prescritos, destacam-se:
Benzodiazepínicos de meia-vida longa (diazepam, clordiazepóxido, flurazepam): acumulam-se no organismo devido ao aumento da gordura corporal e à redução do metabolismo hepático, causando sedação prolongada, risco de quedas, fraturas e declínio cognitivo. Por isso, são considerados inapropriados em qualquer dose.
Anti-histamínicos de primeira geração (difenidramina, hidroxizina, clorfeniramina): têm potente efeito anticolinérgico, associado a confusão mental, boca seca, constipação, retenção urinária e piora de quadros demenciais. Devem ser evitados, preferindo-se anti-histamínicos de segunda geração (como loratadina e cetirizina) quando necessário.
Antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, imipramina, doxepina): também possuem forte ação anticolinérgica, além de causarem hipotensão ortostática e arritmias. A nortriptilina é o tricíclico com menos efeitos anticolinérgicos e, por isso, é o mais aceitável no idoso, mas ainda assim deve ser usada com cautela.
A pegadinha da questão está em incluir classes que não são MPIs clássicos ou em omitir a qualificação "meia-vida longa" para os benzodiazepínicos. Os ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), por exemplo, são considerados preferenciais no tratamento da depressão em idosos, justamente por terem melhor perfil de segurança que os tricíclicos. Já os benzodiazepínicos de meia-vida curta/intermediária (como lorazepam e alprazolam) são menos inapropriados que os de meia-vida longa, embora ainda devam ser usados com cautela. A alternativa D é a única que combina corretamente as três classes de MPIs mais prescritos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "benzodiazepínicos" em geral e "benzodiazepínicos de meia-vida longa". A alternativa C cita apenas "benzodiazepínicos" e "ISRS" — mas os ISRS são preferenciais no idoso, não inapropriados. Já a alternativa E troca "anti-histamínicos" por "inibidores da recaptação de serotonina" (grafado com erro de "receptação"), outra classe que não é MPI. A qualificação "meia-vida longa" é decisiva: é ela que torna os benzodiazepínicos inapropriados em qualquer dose.
Medicamento potencialmente inapropriado
Motivo da inapropriação
Exemplos
Benzodiazepínicos de meia-vida longa
Acúmulo por lipofilia e metabolismo reduzido; risco de quedas, fraturas e declínio cognitivo
Ação anticolinérgica, hipotensão ortostática e arritmias
Amitriptilina, imipramina, doxepina
Medicamentos inapropriados (idosos)
1Benzodiazepínicos de meia-vida longa
diazepam, clordiazepóxido
risco de quedas e declínio cognitivo
2Anti-histamínicos de 1ª geração
difenidramina, hidroxizina
efeito anticolinérgico
3Antidepressivos tricíclicos
amitriptilina, imipramina
ação anticolinérgica e cardiotóxica
4Preferenciais no idoso
ISRS (sertralina, escitalopram)
Anti-histamínicos de 2ª geração
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Inclui antibióticos, que não são considerados MPIs de forma geral — são prescritos quando há indicação de infecção, e o problema é o uso inadequado ou a dose, não a classe em si. Além disso, cita "tranquilizantes" de forma genérica, sem especificar que são os benzodiazepínicos de meia-vida longa os inapropriados. Os anti-histamínicos de primeira geração, de fato, são MPIs, mas a alternativa como um todo não corresponde à combinação mais prescrita.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Cita antipsicóticos, que são MPIs apenas em contextos específicos (como demência, quando devem ser evitados), mas não estão entre os "mais prescritos" de forma geral. Os anti-histamínicos e os antidepressivos tricíclicos são MPIs, mas a ausência dos benzodiazepínicos de meia-vida longa — uma das classes mais prescritas e mais inapropriadas — torna a alternativa incompleta e incorreta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Cita benzodiazepínicos sem a qualificação "meia-vida longa" — os de meia-vida curta/intermediária são menos inapropriados e podem ser usados com cautela. E, principalmente, inclui os ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), que são a classe preferencial para depressão no idoso, com melhor perfil de segurança que os tricíclicos. Portanto, não são MPIs.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reúne exatamente as três classes de MPIs mais prescritos: benzodiazepínicos de meia-vida longa (acúmulo por lipofilia e metabolismo reduzido, risco de quedas e declínio cognitivo), anti-histamínicos (de primeira geração, por efeito anticolinérgico) e antidepressivos tricíclicos (também por ação anticolinérgica, hipotensão ortostática e cardiotoxicidade). É a combinação que reflete os critérios de Beers.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Cita "benzodiazepínicos de meia-vida longa" e "tricíclicos" corretamente, mas troca os anti-histamínicos por "inibidores da recaptação de serotonina" (ISRS) — que, como visto, são preferenciais no idoso, não inapropriados. Além disso, há erro de grafia ("receptação" em vez de "recaptação"), o que reforça o descuido da alternativa.
Gabarito: letra D — a única que combina corretamente as três classes de medicamentos potencialmente inapropriados mais prescritos para idosos.