Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2023
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qq901826
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Limeira - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Diarista - Ginecologista
Paciente com insuficiência ovariana precoce tem risco aumentado para, EXCETO:
AOsteoporose.
BDoença cardiovascular.
CDisfunção sexual.
DSíndrome geniturinária da menopausa.
ECâncer de mama.
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GabaritoE — Câncer de mama.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Insuficiência ovariana precoce: riscos associados
Gabarito: letra E. A insuficiência ovariana precoce (IOP) — falência ovariana antes dos 40 anos — cursa com hipoestrogenismo, que aumenta o risco de osteoporose, doença cardiovascular, disfunção sexual e síndrome geniturinária da menopausa. O câncer de mama, por sua vez, está associado ao hiperestrogenismo (exposição prolongada ao estrogênio), não à deficiência dele — por isso é a exceção pedida pelo enunciado.
A insuficiência ovariana precoce é definida pela cessação da função ovariana antes dos 40 anos, com amenorreia (geralmente por pelo menos 4 meses), níveis elevados de FSH (na faixa da menopausa) e estrogênio baixo. A perda precoce do estrogênio endógeno tem consequências sistêmicas profundas, pois esse hormônio não atua apenas no trato reprodutivo — ele é essencial para a saúde óssea, cardiovascular, urogenital e sexual.
O estrogênio é um dos principais reguladores do metabolismo ósseo: inibe a atividade dos osteoclastos (células que reabsorvem osso). Com a queda abrupta do estrogênio na IOP, há um desequilíbrio entre formação e reabsorção óssea, levando à perda acelerada de massa óssea e, consequentemente, à osteoporose precoce. O mesmo mecanismo explica por que a menopausa natural (após os 45-50 anos) também aumenta o risco de osteoporose — mas na IOP esse risco é ainda mais precoce e relevante, pois a mulher passa mais anos da vida em hipoestrogenismo.
Na esfera cardiovascular, o estrogênio tem efeitos vasoprotetores: melhora o perfil lipídico (aumenta HDL, reduz LDL), promove vasodilatação endotelial e tem ação antioxidante. A privação estrogênica precoce acelera o processo aterosclerótico, elevando o risco de doença arterial coronariana, infarto e acidente vascular cerebral. Estudos mostram que mulheres com IOP têm mortalidade cardiovascular aumentada em comparação com mulheres na mesma faixa etária com função ovariana normal.
A síndrome geniturinária da menopausa (GSM) — termo que substitui a antiga "atrofia vulvovaginal" — é consequência direta do hipoestrogenismo: o epitélio vaginal torna-se fino, pálido, com perda de rugosidades, e há diminuição da lubrificação, ressecamento, dispareunia (dor à relação sexual) e sintomas urinários (urgência, disúria, infecções de repetição). A disfunção sexual, por sua vez, é multifatorial: além do componente físico (ressecamento, dor), há o impacto psicológico do diagnóstico precoce, a queda da libido mediada pela redução de andrógenos ovarianos e o impacto na autoimagem e fertilidade.
O ponto-chave que separa o câncer de mama das demais alternativas é a direção do estímulo hormonal. O câncer de mama é um tumor hormônio-dependente em grande parte dos casos: o estrogênio estimula a proliferação das células mamárias, e a exposição prolongada ao estrogênio (menarca precoce, menopausa tardia, nuliparidade, terapia de reposição hormonal combinada por tempo prolongado) é fator de risco. Na IOP, o que ocorre é exatamente o oposto — um estado de privação estrogênica, que teoricamente teria efeito protetor (ou neutro) em relação ao câncer de mama. Não há evidência de que a IOP aumente o risco de câncer de mama; pelo contrário, a menopausa precoce está associada a risco reduzido dessa neoplasia.
Guarde esta distinção: hipoestrogenismo (IOP, menopausa) aumenta risco de osteoporose, DCV, GSM e disfunção sexual; hiperestrogenismo (exposição prolongada) aumenta risco de câncer de mama e de endométrio. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Condição
Relação com o estrogênio
Risco na IOP (hipoestrogenismo)
Osteoporose
Hipoestrogenismo acelera reabsorção óssea
Aumentado
Doença cardiovascular
Hipoestrogenismo acelera aterosclerose
Aumentado
Disfunção sexual
Hipoestrogenismo causa ressecamento, dispareunia, queda da libido
Aumentado
Síndrome geniturinária da menopausa
Hipoestrogenismo causa atrofia vulvovaginal e sintomas urinários
Aumentado
Câncer de mama
Hiperestrogenismo estimula proliferação celular (oposto da IOP)
Não aumentado (gabarito)
Insuficiência ovariana precoce
1Hipoestrogenismo (risco aumentado)
Osteoporose
Doença cardiovascular
Disfunção sexual
Síndrome geniturinária da menopausa
2Hiperestrogenismo (risco aumentado)
Câncer de mama
Câncer de endométrio
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Alternativa A — ✅ Correta
A osteoporose é uma das complicações mais bem documentadas da IOP. A deficiência estrogênica acelera a reabsorção óssea, levando à perda de massa óssea e aumento do risco de fraturas. O pico de massa óssea é atingido por volta dos 30 anos; na IOP, a mulher perde o efeito protetor do estrogênio justamente na fase em que deveria estar mantendo ou consolidando sua massa óssea. Por isso, a avaliação da densidade mineral óssea (DMO) é recomendada em todas as mulheres com IOP, e a terapia hormonal é a primeira linha de prevenção/tratamento da osteoporose nesse grupo.
Alternativa B — ✅ Correta
A doença cardiovascular é a principal causa de morte em mulheres com IOP. O estrogênio tem efeitos benéficos sobre o endotélio vascular, perfil lipídico e tônus vascular. Sua privação precoce acelera a aterosclerose, aumentando o risco de eventos coronarianos e cerebrovasculares. Mulheres com IOP têm risco cardiovascular aumentado em comparação com mulheres da mesma idade com função ovariana normal — e esse risco é ainda maior se houver fatores associados como tabagismo, HAS, diabetes ou dislipidemia.
Alternativa C — ✅ Correta
A disfunção sexual é prevalente na IOP. O hipoestrogenismo causa ressecamento vaginal, dispareunia e diminuição da libido. Além do componente físico, há o impacto psicológico: o diagnóstico de falência ovariana precoce pode gerar sentimentos de perda, ansiedade e depressão, que também comprometem a função sexual. A abordagem deve ser multidisciplinar, incluindo terapia hormonal local ou sistêmica, lubrificantes, e suporte psicológico.
Alternativa D — ✅ Correta
A síndrome geniturinária da menopausa (GSM) é um conjunto de sinais e sintomas decorrentes do hipoestrogenismo: atrofia vulvovaginal, ressecamento, prurido, dispareunia, urgência urinária, disúria e infecções urinárias de repetição. É uma condição crônica e progressiva que afeta significativamente a qualidade de vida. O tratamento inclui estrogênio tópico (cremes, anéis, comprimidos vaginais), hidratantes e lubrificantes vaginais.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
O câncer de mama é a exceção — não há risco aumentado na IOP. O estrogênio estimula a proliferação de células mamárias; portanto, a exposição prolongada ao estrogênio (menarca precoce, menopausa tardia, uso de terapia hormonal combinada por tempo prolongado) é fator de risco para câncer de mama. Na IOP, o estado é de privação estrogênica, o que, na verdade, está associado a risco reduzido (ou neutro) dessa neoplasia. A banca explora exatamente a confusão entre os efeitos do hipoestrogenismo e do hiperestrogenismo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte a direção do estímulo hormonal. O candidato que associa "falência ovariana" a "desequilíbrio hormonal" pode marcar câncer de mama como risco — mas o câncer de mama é estimulado pelo estrogênio (hiperestrogenismo), enquanto a IOP cursa com deficiência dele (hipoestrogenismo). Osteoporose, DCV, disfunção sexual e GSM são todas consequências da falta de estrogênio; o câncer de mama é consequência do excesso. Com treino, você enxerga essa inversão de longe 💪.
Gabarito: letra E — a única alternativa que NÃO representa risco aumentado na insuficiência ovariana precoce.