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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qq901829
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Limeira - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Diarista - Ginecologista
Em relação às alterações citopatológicas do colo uterino, analise as assertivas abaixo:I. A lesão intraepitelial escamosa de baixo grau não é considerada lesão precursora do câncer de colo uterino.II. Na presença de células glandulares atípicas em mulheres com mais de 35 anos, deve-se proceder avaliação endometrial.III. Na presença de ASC-US em mulheres com menos de 30 anos, deve-se proceder novo exame citopatológico em seis meses.Quais estão corretas?
  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas I e II.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Apenas I e II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Citopatologia do colo uterino: condutas diante de alterações citológicas

Gabarito: letra D — estão corretas as assertivas I e II. A assertiva III está incorreta porque, na presença de ASC-US em mulheres com menos de 30 anos, a conduta recomendada é repetir a citologia em 12 meses, e não em seis meses, conforme as orientações do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A assertiva I está correta, pois a lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LSIL) é considerada uma alteração de baixo potencial de malignidade, não sendo classificada como lesão precursora direta do câncer de colo uterino. A assertiva II está correta, pois na presença de células glandulares atípicas (AGC) em mulheres com mais de 35 anos, a avaliação endometrial é recomendada.

A citopatologia do colo uterino, popularmente conhecida como exame de Papanicolau, é o principal método de rastreamento do câncer de colo de útero. O exame identifica alterações celulares que podem variar desde achados benignos até lesões pré-malignas e malignas. A nomenclatura utilizada no Brasil segue o Sistema de Bethesda, que padroniza os laudos e orienta as condutas clínicas. Compreender o significado de cada achado e a conduta recomendada é essencial para a prática médica, especialmente na atenção primária.

A lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LSIL) é uma alteração citológica que inclui o efeito citopático pelo HPV e a neoplasia intraepitelial cervical grau I (NIC I). Embora seja uma alteração que requer acompanhamento, ela não é considerada uma lesão precursora direta do câncer de colo uterino, pois a maioria dessas lesões regride espontaneamente, especialmente em mulheres jovens. As lesões precursoras do câncer de colo uterino são as lesões de alto grau (HSIL), que incluem NIC II e NIC III. Essa distinção é fundamental para a conduta clínica, pois lesões de baixo grau geralmente são acompanhadas com repetição do exame, enquanto lesões de alto grau requerem intervenção imediata, como colposcopia e biópsia.

As células glandulares atípicas (AGC) são um achado citológico que pode indicar alterações nas células glandulares do colo uterino ou do endométrio. A conduta diante desse achado inclui a realização de colposcopia e repetição da citologia de canal. Além disso, a avaliação endometrial é recomendada em pacientes com AGC que têm idade superior a 35 ou 40 anos, ou que apresentam sangramento irregular, independentemente da idade. Essa recomendação visa excluir doenças glandulares, como adenocarcinoma endometrial, que podem não ser detectadas apenas pela citologia cervical.

A conduta diante do achado de ASC-US (células escamosas atípicas de significado indeterminado, possivelmente não neoplásicas) varia conforme a idade da paciente. Em mulheres com idade igual ou superior a 30 anos, a recomendação é repetir o exame citopatológico em seis meses. Já em mulheres com menos de 30 anos, a recomendação é repetir a citologia em 12 meses. Essa diferença etária reflete a maior probabilidade de regressão espontânea das alterações em mulheres jovens, evitando intervenções desnecessárias. A assertiva III, portanto, está incorreta ao afirmar que o novo exame deve ser feito em seis meses para mulheres com menos de 30 anos.

A banca explora a confusão entre as condutas para ASC-US em diferentes faixas etárias. É comum o candidato memorizar o prazo de seis meses, que é correto para mulheres com 30 anos ou mais, e aplicá-lo erroneamente para mulheres mais jovens. A distinção etária é o ponto central da assertiva III, e a pegadinha está em inverter os prazos recomendados.

Assertiva

Conteúdo

Veredito

I

LSIL não é lesão precursora do câncer de colo uterino

✅ Correta

II

AGC em mulheres > 35 anos → avaliação endometrial

✅ Correta

III

ASC-US em mulheres < 30 anos → repetir citologia em 6 meses

❌ Incorreta (prazo correto: 12 meses)

Assertiva I — ✅ Correta

A lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LSIL) não é considerada lesão precursora do câncer de colo uterino. Essa afirmação está correta, pois as lesões precursoras do câncer de colo uterino são as lesões de alto grau (HSIL), que incluem NIC II e NIC III. A LSIL, que inclui o efeito citopático pelo HPV e NIC I, é uma alteração de baixo potencial de malignidade, com alta taxa de regressão espontânea, especialmente em mulheres jovens. A conduta diante da LSIL é repetir o exame citopatológico em seis meses, tratando infecções ou atrofia antes da nova coleta, conforme as orientações do INCA.

Assertiva II — ✅ Correta

Na presença de células glandulares atípicas (AGC) em mulheres com mais de 35 anos, deve-se proceder avaliação endometrial. Essa afirmação está correta, pois a avaliação endometrial é recomendada em pacientes com AGC que têm idade superior a 35 ou 40 anos, ou que apresentam sangramento irregular, independentemente da idade. Essa recomendação visa excluir doenças glandulares, como adenocarcinoma endometrial, que podem não ser detectadas apenas pela citologia cervical. A conduta diante de AGC inclui colposcopia, repetição da citologia de canal e, se indicado, biópsia endometrial.

Assertiva III — ❌ Incorreta

Na presença de ASC-US em mulheres com menos de 30 anos, deve-se proceder novo exame citopatológico em seis meses. Essa afirmação está incorreta, pois a conduta recomendada para mulheres com menos de 30 anos é repetir a citologia em 12 meses, e não em seis meses. O prazo de seis meses é recomendado para mulheres com idade igual ou superior a 30 anos. Essa diferença etária reflete a maior probabilidade de regressão espontânea das alterações em mulheres jovens, evitando intervenções desnecessárias. A banca explora a confusão entre os prazos recomendados para diferentes faixas etárias.

Gabarito: letra D — corretas as assertivas I e II.

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