Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FUNDATEC 2023
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qq905822
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Tapejara - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral
Notável entre as doenças infecciosas, a sífilis é uma doença infectocontagiosa sistêmica, curável e de evolução crônica causada pela bactéria Treponema pallidum. Acerca da sífilis, assinale a alternativa correta.
APode-se utilizar quinolonas para o tratamento de gestantes infectadas com o Treponema pallidum com histórico de alergia à penicilina.
BO Treponema pallidum pode penetrar através das membranas mucosas normais e de escoriações leves nas superfícies epiteliais.
CA lesão típica da sífilis primária, conhecida como cancro, é uma úlcera dolorosa, de base limpa e endurecida.
DEm torno de 1 ano após o aparecimento do cancro primário, normalmente surgem sinais e sintomas de sífilis secundária, que podem incluir: mal-estar, febre, cefaleia, faringite e outras queixas sistêmicas.
EA tabes dorsalis é uma doença degenerativa e lentamente progressiva que acomete as colunas e raízes anteriores da medula espinal.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — O Treponema pallidum pode penetrar através das membranas mucosas normais e de escoriações leves nas superfícies epiteliais.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Sífilis: manifestações clínicas e tratamento
Gabarito: letra B. O Treponema pallidum penetra através das membranas mucosas íntegras e de escoriações leves na pele, o que explica a transmissão sexual e a entrada por microtraumas — exatamente o que a alternativa B afirma. As demais alternativas contêm erros clássicos: o cancro duro é indolor (não doloroso), a sífilis secundária surge em 6 a 8 semanas (não 1 ano), a tabes dorsalis acomete as colunas posteriores (não anteriores) da medula, e quinolonas não são opção para gestantes alérgicas à penicilina (o correto é dessensibilização ou, em casos específicos, ceftriaxona).
A sífilis é uma infecção bacteriana sistêmica, exclusiva do ser humano, causada pelo Treponema pallidum, uma espiroqueta Gram-negativa. Sua transmissão ocorre predominantemente por via sexual e vertical, e a porta de entrada é justamente a capacidade do treponema de penetrar em mucosas íntegras ou através de pequenas soluções de continuidade da pele — daí a importância de lesões genitais e orais como porta de entrada. Essa característica é fundamental para entender a patogênese: o treponema é um microrganismo espiralado, fino e extremamente móvel, que gira em torno do próprio eixo e faz movimentos de vaivém, facilitando sua penetração nos tecidos. Essa motilidade, somada à capacidade de aderir às células e à quimiotaxia, confere ao patógeno extrema capacidade de invasão, rápida fixação em superfícies celulares e penetração nas junções endoteliais.
A doença evolui em estágios bem definidos, que orientam o diagnóstico e o tratamento. A sífilis primária surge após um período de incubação de 10 a 90 dias (média de 3 semanas), com o aparecimento do cancro duro — uma úlcera geralmente única, indolor, de bordas bem definidas e regulares, base endurecida e fundo limpo, no local de entrada da bactéria. Acompanha-se de linfadenopatia regional. A sífilis secundária manifesta-se cerca de 6 a 8 semanas após a infecção primária, com sintomas sistêmicos (febre, mal-estar, cefaleia, faringite, linfonodomegalia) e rash cutâneo que acomete principalmente palmas das mãos e plantas dos pés, além de condiloma plano e alopecia. Segue-se um período de latência, que pode ser recente (até 1 ano) ou tardia (mais de 1 ano), e a sífilis terciária pode surgir anos ou décadas depois, com neurossífilis (incluindo tabes dorsalis), sífilis cardiovascular e gomas sifilíticas.
O tratamento de escolha para todas as fases da sífilis é a penicilina benzatina, sendo a única opção com eficácia comprovada na gestação. Em gestantes com alergia à penicilina, a conduta recomendada é a dessensibilização e o tratamento com penicilina, pois as alternativas (como ceftriaxona) não são plenamente eficazes para prevenir a sífilis congênita. Quinolonas não têm papel no tratamento da sífilis em nenhuma situação, muito menos na gestação.
A pegadinha central desta questão está na inversão de características clínicas: a banca troca a dor do cancro (que é indolor), o tempo de aparecimento da sífilis secundária (6-8 semanas, não 1 ano) e a localização das colunas acometidas na tabes dorsalis (posteriores, não anteriores). Guarde essas três inversões — são as mais cobradas em provas sobre sífilis.
Característica
Sífilis Primária
Sífilis Secundária
Sífilis Terciária (Tabes Dorsalis)
Tempo de aparecimento
10–90 dias (média 3 semanas) após infecção
6–8 semanas após infecção primária
Anos ou décadas após infecção
Lesão/sintoma típico
Cancro duro (úlcera indolor, base endurecida)
Rash cutâneo (palmas/plantas), condiloma plano, sintomas sistêmicos
Degeneração das colunas posteriores da medula espinal
Característica clínica marcante
Linfadenopatia regional
Febre, mal-estar, cefaleia, faringite
Ataxia, perda de propriocepção, dores lancinantes
Sífilis (Treponema pallidum)
1Transmissão
Penetra em mucosas íntegras
Penetra por escoriações leves
2Fases
Primária (cancro duro indolor)
Secundária (6-8 semanas, rash)
Latente (recente/tardia)
Terciária (neurossífilis, gomas)
3Tratamento
Penicilina benzatina
Gestante alérgica: dessensibilização
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que quinolonas podem ser usadas para tratar gestantes infectadas com alergia à penicilina. Isso está errado por dois motivos: (1) quinolonas não são eficazes contra o Treponema pallidum e não fazem parte do arsenal terapêutico da sífilis; (2) na gestação, a conduta para alergia à penicilina é a dessensibilização e o tratamento com penicilina, pois é a única droga com eficácia comprovada para prevenir a transmissão vertical. A ceftriaxona pode ser considerada em situações específicas, mas nunca quinolonas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta: o Treponema pallidum penetra através das membranas mucosas normais e de escoriações leves nas superfícies epiteliais. Essa é a via de entrada descrita na patogênese da sífilis — o treponema atravessa mucosas íntegras ou entra por microabrasões da pele, o que explica a transmissão sexual e a infecção por contato com lesões. Essa capacidade de penetração é facilitada pela motilidade do microrganismo e pela sua habilidade de aderir às células e invadir tecidos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa descreve o cancro da sífilis primária como uma úlcera dolorosa. O erro está no termo "dolorosa": o cancro duro é tipicamente indolor, de base endurecida e fundo limpo. Essa característica é um dos pilares do diagnóstico clínico — uma úlcera genital dolorosa sugere outros diagnósticos (como herpes genital), enquanto a lesão indolor é clássica da sífilis primária.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que os sinais e sintomas da sífilis secundária surgem em torno de 1 ano após o cancro primário. O correto é que a sífilis secundária manifesta-se cerca de 6 a 8 semanas após a infecção primária, com sintomas sistêmicos como mal-estar, febre, cefaleia, faringite, linfonodomegalia e rash cutâneo (especialmente em palmas e plantas). O período de 1 ano marca a divisão entre sífilis latente recente (até 1 ano) e tardia (mais de 1 ano), não o aparecimento da fase secundária.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a tabes dorsalis acomete as colunas e raízes anteriores da medula espinal. O erro está na localização: a tabes dorsalis é uma manifestação da neurossífilis tardia que acomete as colunas posteriores e as raízes dorsais da medula espinal, causando perda de propriocepção, ataxia e dores lancinantes. A alternativa troca "posteriores" por "anteriores", uma inversão clássica de prova.