Questão de Medicina — Gastroenterologia — FUNDATEC 2023
Medicina›Gastroenterologia
Código
qq905823
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Tapejara - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral
Mulher, 54 anos, chega em consulta médica referindo dor epigástrica em queimação e plenitude pós-prandial após alimentar-se, com sintomas iniciados há 2 meses e episódios de vômito associados. Está em uso de 1 comprimido de Omeprazol 20 mg diariamente, em jejum. Nega perda de peso e nega história familiar de câncer gastrointestinal. Assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para a paciente em questão.
ASolicitar endoscopia digestiva alta.
BTrocar o Omeprazol 20 mg/dia por Pantoprazol 40 mg/dia e reavaliá-la em 4 semanas.
COtimizar o tratamento com inibidor de bomba de prótons e reavaliá-la em 8 semanas.
DOtimizar o tratamento com inibidor de bomba de prótons e reavaliá-la em 4 semanas.
ETrocar o Omeprazol 20 mg/dia por Pantoprazol 40 mg/dia e reavaliá-la em 8 semanas.
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GabaritoA — Solicitar endoscopia digestiva alta.
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Dispepsia: quando indicar endoscopia digestiva alta
Gabarito: letra A. A paciente apresenta dispepsia com sintomas de alarme — início recente (2 meses), vômitos associados e idade ≥ 45 anos —, o que, segundo os critérios de indicação de endoscopia digestiva alta, torna a EDA a conduta mais adequada. As demais alternativas propõem apenas otimização ou troca de inibidor de bomba de prótons, sem investigação diagnóstica, o que contraria a recomendação para esse perfil.
A dispepsia é definida como um conjunto de sintomas originados na região gastroduodenal, incluindo dor ou queimação epigástrica, plenitude pós-prandial e saciação precoce. É um dos motivos mais frequentes de consulta médica, e a principal preocupação do clínico é excluir causas orgânicas, especialmente a úlcera péptica e o câncer gástrico. A conduta inicial depende da presença de sinais de alarme, que indicam maior risco de doença orgânica e, portanto, necessidade de investigação endoscópica imediata.
Os critérios clássicos para indicação de endoscopia digestiva alta em pacientes com dispepsia incluem: idade > 45 anos, sexo masculino, sintomas de início recente ou mudança recente de sintoma antigo, repercussão sistêmica (anorexia, emagrecimento, fraqueza), disfagia, vômitos repetidos, hematêmese, melena, tabagismo, etilismo, uso de AINEs, antecedentes de cirurgia abdominal, história familiar de úlcera ou câncer gástrico, e alterações ao exame físico (palidez, icterícia, massa abdominal). A presença de um ou mais desses fatores favorece a realização da endoscopia.
No caso apresentado, a paciente tem 54 anos (≥ 45 anos), sexo feminino, sintomas iniciados há apenas 2 meses (início recente) e episódios de vômito. Embora negue perda de peso e história familiar de câncer, a idade e o início recente dos sintomas, somados aos vômitos, são suficientes para indicar a EDA. A estratégia de tratamento empírico com IBP, sem investigação, é reservada para pacientes sem sinais de alarme e com idade inferior ao ponto de corte. Como a paciente já está em uso de omeprazol 20 mg/dia sem melhora, a simples troca ou otimização da dose não é a conduta mais adequada — é necessário excluir doença orgânica primeiro.
A banca explora exatamente essa fronteira: quem tem indicação de endoscopia não deve ser tratado apenas sintomaticamente. As alternativas B, C, D e E propõem ajustes farmacológicos, mas ignoram os critérios de alarme presentes no caso. A alternativa A é a única que reconhece a necessidade de investigação diagnóstica.
Dispepsia
1Sem sinais de alarme
Tratamento empírico com IBP
Reavaliar em 4 semanas
2Com sinais de alarme
Idade ≥ 45 anos
Início recente
Vômitos repetidos
Perda de peso
Disfagia
Anemia
História familiar de câncer gástrico
Endoscopia digestiva alta
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A paciente preenche critérios para endoscopia digestiva alta: idade ≥ 45 anos (54 anos), início recente dos sintomas (2 meses) e vômitos associados. Segundo os critérios de indicação de EDA, a presença de qualquer um desses fatores já justifica o exame. A conduta correta é solicitar a endoscopia para investigar causas orgânicas, como úlcera péptica ou neoplasia gástrica, antes de otimizar o tratamento empírico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Trocar omeprazol por pantoprazol e reavaliar em 4 semanas é uma conduta de tratamento empírico, indicada apenas para pacientes sem sinais de alarme. A paciente tem critérios para EDA, portanto a troca de IBP não é a melhor conduta. Além disso, não há evidência de que pantoprazol seja superior ao omeprazol nesse contexto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Otimizar o IBP e reavaliar em 8 semanas também ignora os sinais de alarme. O prazo de 8 semanas é mais longo que o usual (4 semanas) e não há justificativa para adiar a investigação endoscópica em uma paciente com critérios de alarme. A conduta correta é a EDA, não o ajuste farmacológico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Otimizar o IBP e reavaliar em 4 semanas é uma estratégia válida para dispepsia sem sinais de alarme, mas não se aplica a esta paciente, que tem idade ≥ 45 anos, início recente e vômitos. A otimização do IBP não substitui a necessidade de endoscopia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Trocar omeprazol por pantoprazol e reavaliar em 8 semanas combina dois erros: a troca desnecessária de IBP e o prazo prolongado, ambos inadequados para uma paciente com indicação de EDA. A conduta correta é a investigação endoscópica imediata.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a tratar a dispepsia apenas com ajuste de IBP, como se fosse um caso simples de dispepsia funcional. Mas a paciente tem idade ≥ 45 anos, início recente e vômitos — critérios de alarme que obrigam a endoscopia. Guarde: sinais de alarme = EDA, não otimização de IBP.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando o enunciado trouxer um paciente com dispepsia, verifique primeiro a presença de sinais de alarme (idade > 45 anos, perda de peso, vômitos, disfagia, anemia, história familiar de câncer gástrico). Se houver qualquer um deles, a resposta quase sempre será endoscopia digestiva alta.