Questão de Medicina — Legislação da Saúde. SUS. — FUNDATEC 2023
Medicina›Legislação da Saúde. SUS.
Código
qq905827
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Tapejara - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral
Sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.( ) O objetivo do princípio da universalização é diminuir as desigualdades, considerando que as pessoas não são iguais e, por isso, têm necessidades distintas.( ) O princípio da integralidade considera as pessoas como um todo, atendendo a todas as suas necessidades.( ) O Conselho de Saúde, no âmbito de atuação (nacional, estadual ou municipal), é constituído por representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários.( ) O Ministério da Saúde planeja, organiza, controla, avalia e executa as ações e serviços de saúde em articulação com a Secretaria Estadual de Saúde.A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
AV – F – F – V.
BF – V – V – F.
CF – V – F – F.
DV – V – V – F.
EV – F – V – V.
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GabaritoB — F – V – V – F.
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Sistema Único de Saúde (SUS): princípios, participação social e competências
Gabarito: letra B (F – V – V – F). A primeira assertiva é falsa porque descreve o princípio da equidade, não o da universalização; a segunda é verdadeira (integralidade = visão do ser humano como um todo); a terceira é verdadeira (composição quadripartite dos Conselhos de Saúde); e a quarta é falsa porque a execução das ações de saúde é, em regra, descentralizada, cabendo aos Municípios, com a direção única em cada esfera de governo (Lei 8.080/1990, art. 7º e art. 9º).
O SUS foi criado pela Constituição Federal de 1988 e regulamentado pelas Leis 8.080/1990 (Lei Orgânica da Saúde) e 8.142/1990. Seus princípios doutrinários são universalidade, equidade e integralidade; os organizativos são descentralização, regionalização, hierarquização e participação social. A banca, nesta questão, mistura os princípios e as competências de cada esfera de governo — armadilha clássica.
Universalidade significa que a saúde é direito de todos e dever do Estado: todo cidadão tem acesso às ações e serviços de saúde, sem qualquer distinção ou barreira. Equidade, por sua vez, é tratar desigualmente os desiguais: reconhece que as pessoas têm necessidades diferentes e, por isso, o sistema deve oferecer mais a quem mais precisa, com o objetivo de diminuir as desigualdades. A primeira assertiva troca exatamente esses dois princípios — ela descreve a equidade, mas atribui à universalização.
Integralidade é o princípio que considera a pessoa como um todo biopsicossocial, atendendo a todas as suas necessidades, desde a promoção da saúde até a reabilitação, integrando ações preventivas e assistenciais. É a visão holística do ser humano, em contraposição à visão fragmentada por especialidades ou por partes do corpo.
Os Conselhos de Saúde são órgãos colegiados permanentes, de caráter deliberativo, que atuam na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde, em cada esfera de governo (nacional, estadual e municipal). Sua composição é quadripartite: representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários, com paridade entre os usuários em relação ao conjunto dos demais segmentos (Lei 8.142/1990).
A direção do SUS é única em cada esfera de governo: no âmbito nacional, cabe ao Ministério da Saúde; no estadual, à Secretaria Estadual de Saúde; no municipal, à Secretaria Municipal de Saúde. A execução das ações e serviços de saúde é, em regra, descentralizada, cabendo aos Municípios, com a cooperação técnica e financeira dos Estados e da União. O Ministério da Saúde planeja, organiza, controla e avalia as ações, mas não executa diretamente — a execução é atribuição prioritária dos Municípios (Lei 8.080/1990, art. 7º e art. 9º).
A pegadinha da banca está em inverter os princípios (universalização × equidade) e em atribuir ao Ministério da Saúde a execução das ações, quando a execução é descentralizada. Guarde a fronteira: universalização = acesso para todos; equidade = tratar desigualmente os desiguais para diminuir desigualdades; integralidade = pessoa como um todo. E lembre: direção única em cada esfera, mas execução descentralizada, prioritariamente municipal.
Princípio/Instituto
Descrição correta
Descrição da assertiva (pegadinha)
Universalização
Acesso de todos às ações e serviços de saúde, sem distinção ou barreira.
"Diminuir as desigualdades, considerando que as pessoas não são iguais" — errado, isso é equidade.
Equidade
Tratar desigualmente os desiguais, oferecendo mais a quem mais precisa, para diminuir desigualdades.
(Não foi descrita na assertiva 1, mas é o conceito que a banca usou para confundir.)
Integralidade
Considera a pessoa como um todo biopsicossocial, atendendo a todas as necessidades (preventivas e assistenciais).
"Considera as pessoas como um todo, atendendo a todas as suas necessidades" — correto.
Conselho de Saúde
Órgão colegiado deliberativo, composição quadripartite: governo, prestadores, profissionais e usuários (com paridade dos usuários).
"Constituído por representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários" — correto.
Competência do Ministério da Saúde
Direção única nacional: planeja, organiza, controla e avalia; não executa diretamente (execução é descentralizada, prioritariamente municipal).
"Planeja, organiza, controla, avalia e executa as ações" — errado, pois a execução é municipal.
Assertiva 1 — ❌ Falsa
A assertiva afirma que o objetivo da universalização é diminuir as desigualdades, considerando que as pessoas não são iguais e têm necessidades distintas. Isso é a definição de equidade, não de universalização. A universalização garante acesso a todos, sem distinção; a equidade é que reconhece as diferenças e busca diminuir as desigualdades, oferecendo mais a quem mais precisa. A banca trocou os princípios — armadilha clássica.
Assertiva 2 — ✅ Verdadeira
A integralidade considera a pessoa como um todo, atendendo a todas as suas necessidades, integrando ações preventivas e assistenciais, de promoção, proteção e recuperação da saúde. É a visão holística do ser humano, em contraposição à visão fragmentada. A assertiva está correta.
Assertiva 3 — ✅ Verdadeira
Os Conselhos de Saúde, em cada esfera de governo (nacional, estadual e municipal), são constituídos por representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários — composição quadripartite, com paridade dos usuários em relação ao conjunto dos demais segmentos (Lei 8.142/1990). A assertiva está correta.
Assertiva 4 — ❌ Falsa
A assertiva afirma que o Ministério da Saúde planeja, organiza, controla, avalia e executa as ações e serviços de saúde em articulação com a Secretaria Estadual de Saúde. O erro está em atribuir ao Ministério a execução das ações. A direção do SUS é única em cada esfera, mas a execução é descentralizada, cabendo prioritariamente aos Municípios. O Ministério da Saúde planeja, organiza, controla e avalia, mas não executa diretamente — a execução é atribuição municipal, com cooperação técnica e financeira dos Estados e da União (Lei 8.080/1990, art. 7º e art. 9º).
Conclusão: corretas apenas as assertivas 2 e 3 → sequência F – V – V – F → letra B.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os princípios doutrinários do SUS. Aqui, a primeira assertiva descreve a equidade (tratar desigualmente os desiguais para diminuir desigualdades) mas atribui à universalização (acesso para todos). E a quarta assertiva atribui ao Ministério da Saúde a execução das ações, quando a execução é descentralizada, prioritariamente municipal. Fique atento: universalização = acesso; equidade = justiça distributiva; integralidade = pessoa como um todo. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.
NÃO CAIA NESSA!
Para questões de princípios do SUS, monte um quadro mental rápido: Universalização = todos têm acesso; Equidade = tratar desigualmente os desiguais; Integralidade = pessoa como um todo. E para competências: direção única em cada esfera, mas execução descentralizada (municipal). Se a alternativa falar em "diminuir desigualdades", é equidade, não universalização — essa é a pegadinha mais recorrente.