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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2023

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qq905829
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Tapejara - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Pediatra
Apesar da incidência de casos de apendicite, o diagnóstico pode representar um desafio para o pediatra e o cirurgião, principalmente em crianças de baixa idade. Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando os sinais semiológicos na investigação da apendicite às suas descrições.Coluna 11. Sinal de Blumberg.2. Sinal de Rovsing.3. Sinal do psoas.4. Sinal do obturador.Coluna 2( ) Piora da dor no quadrante inferior direito quando o paciente está em decúbito dorsal e o examinador gira interna e externamente a perna direita, conforme ela é flexionada sobre o quadril.( ) Piora da dor no quadrante inferior direito quando o paciente está deitado sobre o lado esquerdo, enquanto o examinador estende passivamente a perna direita do paciente sobre o quadril, com os dois joelhos estendidos.( ) Dor à descompressão no quadrante inferior direito.( ) Dor no quadrante inferior direito durante a palpação do quadrante inferior esquerdo.A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
  1. A3 – 4 – 1 – 2.
  2. B1 – 2 – 4 – 3.
  3. C4 – 3 – 2 – 1.
  4. D4 – 3 – 1 – 2.
  5. E2 – 1 – 4 – 3.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — 4 – 3 – 1 – 2.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sinais semiológicos na apendicite aguda

Gabarito: letra D (4 – 3 – 1 – 2). A sequência correta associa: o sinal do obturador à dor à rotação interna/externa da perna flexionada (4), o sinal do psoas à dor à extensão passiva da perna com o paciente em decúbito lateral esquerdo (3), o sinal de Blumberg à dor à descompressão no quadrante inferior direito (1) e o sinal de Rovsing à dor no quadrante inferior direito durante a palpação do quadrante inferior esquerdo (2). A questão cobra a distinção entre esses quatro sinais semiológicos clássicos da apendicite, todos descritos na semiologia cirúrgica.

A apendicite aguda é a emergência cirúrgica abdominal mais comum na infância, e seu diagnóstico clínico é desafiador, especialmente em crianças pequenas, que muitas vezes não conseguem localizar a dor com precisão. A apresentação clássica segue a sequência de Murphy: dor periumbilical ou epigástrica de caráter visceral, seguida de anorexia, náuseas e vômitos, com posterior migração da dor para a fossa ilíaca direita (QID), quando o processo inflamatório atinge o peritônio parietal. No exame físico, além da dor à palpação profunda no QID, existem sinais semiológicos específicos que ajudam a confirmar a suspeita e a localizar o apêndice inflamado. Esses sinais exploram a relação anatômica do apêndice com estruturas vizinhas: o músculo psoas (apêndice retrocecal), o músculo obturador interno (apêndice pélvico) e o peritônio parietal (irritação peritoneal).

A compreensão de cada sinal exige conhecer a manobra que o provoca e o mecanismo fisiopatológico por trás dela. O sinal de Blumberg, também chamado de dor à descompressão brusca, é o mais sensível e representa a irritação peritoneal: ao comprimir lentamente o QID e soltar rapidamente, o peritônio inflamado é estirado, gerando dor aguda. O sinal de Rovsing é uma variação da palpação: ao comprimir o quadrante inferior esquerdo, o conteúdo colônico é deslocado retrogradamente até o ceco, distendendo o apêndice inflamado e provocando dor no QID. O sinal do psoas é mais específico e indica apendicite retrocecal: com o paciente em decúbito lateral esquerdo, a extensão passiva da perna direita estira o músculo psoas, que está em contato com o apêndice inflamado, reproduzindo a dor. O sinal do obturador indica apendicite pélvica: com o paciente em decúbito dorsal, a flexão da perna direita sobre o quadril e a rotação interna e externa do quadril estiram o músculo obturador interno, que está próximo ao apêndice pélvico, provocando dor.

A pegadinha central desta questão é a inversão das manobras entre o sinal do psoas e o sinal do obturador. Ambos envolvem a perna direita, mas diferem na posição do paciente e no tipo de movimento: o psoas é testado com o paciente deitado sobre o lado esquerdo e a perna estendida (extensão do quadril), enquanto o obturador é testado com o paciente em decúbito dorsal e a perna flexionada (rotação do quadril). A banca explora exatamente essa confusão, trocando as descrições entre os dois sinais. Além disso, é comum confundir o sinal de Rovsing com o de Blumberg, pois ambos envolvem palpação, mas o Rovsing palpa o lado esquerdo e refere dor no lado direito, enquanto o Blumberg palpa e descomprime o próprio lado direito.

Guarde a fronteira entre as manobras: a posição do paciente e o movimento da perna são os critérios que separam o psoas do obturador, e o lado da palpação separa o Rovsing do Blumberg. É exatamente nesses detalhes que as alternativas se dividem.

Sinal Semiológico

Manobra

Posição do Paciente

Indicação Anatômica

Sinal do Obturador

Rotação interna e externa da perna direita flexionada sobre o quadril

Decúbito dorsal

Apendicite pélvica

Sinal do Psoas

Extensão passiva da perna direita sobre o quadril

Decúbito lateral esquerdo

Apendicite retrocecal

Sinal de Blumberg

Dor à descompressão brusca no quadrante inferior direito

Decúbito dorsal

Irritação peritoneal

Sinal de Rovsing

Palpação do quadrante inferior esquerdo com dor referida no quadrante inferior direito

Decúbito dorsal

Irritação peritoneal (deslocamento retrógrado do conteúdo colônico)

Sinais de apendicite
  • 1Irritação peritoneal
    • Blumberg: dor à descompressão no QID
    • Rovsing: palpa QIE, dor no QID
  • 2Apêndice retrocecal
    • Psoas: decúbito lateral, estende perna
  • 3Apêndice pélvico
    • Obturador: decúbito dorsal, roda perna
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A sequência 3 – 4 – 1 – 2 inverte as manobras do psoas e do obturador. A primeira descrição (rotação da perna flexionada) corresponde ao sinal do obturador (4), não ao sinal do psoas (3). A segunda descrição (extensão passiva da perna com paciente em decúbito lateral) corresponde ao sinal do psoas (3), não ao obturador (4). A banca troca as manobras entre esses dois sinais, que são os mais facilmente confundidos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência 1 – 2 – 4 – 3 começa com o sinal de Blumberg (1) na primeira descrição, que na verdade é o sinal do obturador (4). A segunda descrição é o sinal de Rovsing (2), mas a descrição correta é do sinal do psoas (3). A terceira descrição (dor à descompressão) é o sinal de Blumberg (1), não o obturador (4). A quarta descrição (dor à palpação do lado esquerdo) é o sinal de Rovsing (2), não o psoas (3). A alternativa está completamente embaralhada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência 4 – 3 – 2 – 1 acerta os dois primeiros sinais (obturador e psoas), mas inverte os dois últimos. A terceira descrição (dor à descompressão no QID) é o sinal de Blumberg (1), não o sinal de Rovsing (2). A quarta descrição (dor no QID durante palpação do QIE) é o sinal de Rovsing (2), não o sinal de Blumberg (1). A banca troca a ordem entre Blumberg e Rovsing, que são ambos sinais de irritação peritoneal, mas com manobras distintas.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência 4 – 3 – 1 – 2 está correta. A primeira descrição (rotação interna e externa da perna flexionada sobre o quadril, em decúbito dorsal) é exatamente a manobra do sinal do obturador (4), que indica apendicite pélvica. A segunda descrição (extensão passiva da perna direita com paciente em decúbito lateral esquerdo) é a manobra do sinal do psoas (3), que indica apendicite retrocecal. A terceira descrição (dor à descompressão no QID) é o sinal de Blumberg (1), o sinal mais sensível de irritação peritoneal. A quarta descrição (dor no QID durante palpação do QIE) é o sinal de Rovsing (2), que desloca o conteúdo colônico e distende o apêndice inflamado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A sequência 2 – 1 – 4 – 3 começa com o sinal de Rovsing (2) na primeira descrição, que na verdade é o sinal do obturador (4). A segunda descrição é o sinal de Blumberg (1), mas a descrição correta é do sinal do psoas (3). A terceira descrição (dor à descompressão) é o sinal de Blumberg (1), não o obturador (4). A quarta descrição (dor à palpação do lado esquerdo) é o sinal de Rovsing (2), não o psoas (3). A alternativa está completamente embaralhada, similar à letra B.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter as manobras do sinal do psoas e do sinal do obturador, pois ambos envolvem a perna direita. A chave é lembrar: psoas = paciente deitado de lado, perna estendida, extensão do quadril; obturador = paciente deitado de costas, perna flexionada, rotação do quadril. Com esse detalhe fixado, você elimina as alternativas A, B e E na hora. 💪

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar, associe: "Psoas" começa com P, de "Perna estendida" e "Paciente de lado"; "Obturador" começa com O, de "rOtação" e "deitadO de cOstas". E para Blumberg vs. Rovsing: Blumberg é a "descompressão" no mesmo lado (direito), Rovsing é a palpação no lado oposto (esquerdo) com dor referida no direito.

Gabarito: letra D

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