Prova do laço na dengue: técnica e interpretação
Gabarito: letra E. Todos os cinco passos descritos estão corretos, tanto na ordem quanto no conteúdo, conforme o Ministério da Saúde. A prova do laço é um teste de fragilidade capilar usado na triagem da dengue, e a sequência apresentada (aferir PA, calcular a pressão arterial média, insuflar o manguito por 3 minutos em crianças, desenhar quadrado de 2,5 cm e considerar positiva com 10 ou mais petéquias em crianças) reproduz fielmente o protocolo oficial.
A prova do laço é um exame semiológico simples e de grande utilidade na suspeita de dengue, especialmente nas formas graves. Ela avalia a fragilidade capilar, que está aumentada na doença devido à ação do vírus sobre os vasos sanguíneos. O exame consiste em obstruir o retorno venoso do braço por alguns minutos, aumentando a pressão dentro dos capilares, e observar se surgem petéquias (pequenos pontos de sangramento) na pele. O aparecimento de um número significativo de petéquias indica que os capilares estão frágeis, o que é um sinal de alerta para a possibilidade de evolução para formas graves da dengue.
A técnica correta, segundo o Ministério da Saúde, segue uma sequência lógica. Primeiro, aferir a pressão arterial para calcular a pressão arterial média (PAM), que é o valor alvo para insuflar o manguito. A PAM é calculada pela fórmula (PAS + PAD) / 2. Em seguida, insufla-se o manguito até o valor da PAM e mantém-se por 3 minutos em crianças (e 5 minutos em adultos). Após esse período, desenha-se um quadrado de 2,5 cm de lado no antebraço e conta-se o número de petéquias dentro dele. A prova é considerada positiva quando há 10 ou mais petéquias em crianças (e 20 ou mais em adultos).
É fundamental entender que a prova do laço não é específica para dengue, ou seja, pode ser positiva em outras condições que cursam com fragilidade capilar, como outras doenças virais, vasculites e coagulopatias. Por isso, ela não confirma o diagnóstico, mas serve como um importante sinal de alerta na triagem, indicando a necessidade de monitoramento clínico e laboratorial mais estreito do paciente. A positividade da prova, associada a outros sinais de alarme, ajuda o médico a decidir sobre a conduta, como a necessidade de hidratação venosa e internação.
A banca explora neste tema a confusão entre os valores e tempos do exame para adultos e crianças, além de tentar desqualificar passos que são, na verdade, essenciais para a correta execução da prova. A pegadinha central é que o candidato pode decorar os valores de forma equivocada, trocando o tempo de insuflação (3 minutos em crianças, não 10) ou o número de petéquias (10 em crianças, não 25). Guarde a fronteira entre os valores para adultos e crianças: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a prova do laço dá o diagnóstico definitivo da dengue. Isso é falso: a prova é um exame de triagem, inespecífico, que indica fragilidade capilar, mas não confirma a infecção pelo vírus da dengue. O diagnóstico definitivo é feito por exames laboratoriais específicos, como sorologia (IgM/IgG), pesquisa de antígeno NS1 ou RT-PCR. Além disso, a prova não está indicada apenas quando há sangramento; ela deve ser utilizada rotineiramente na triagem de casos suspeitos, mesmo sem sangramento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o passo 5 está incorreto porque a prova seria positiva com 25 ou mais petéquias em crianças. O valor de 25 petéquias não corresponde a nenhum parâmetro do protocolo. O correto é que a prova é positiva com 10 ou mais petéquias em crianças e 20 ou mais em adultos. O número 25 é um distrator que não tem respaldo na literatura nem no Ministério da Saúde.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o passo 4 é desnecessário, pois a contagem de petéquias seria independente do tamanho do quadrado. Isso é um erro conceitual grave: a padronização do tamanho do quadrado (2,5 cm de lado) é essencial para que o exame seja reprodutível e comparável. Sem essa padronização, a contagem de petéquias seria influenciada pela área de pele examinada, tornando o resultado subjetivo e não confiável. O quadrado delimita uma área fixa, permitindo uma avaliação objetiva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o passo 3 descreve a necessidade de manter o manguito insuflado por 3 minutos, mas que o correto seria por 10 minutos. O tempo de 10 minutos não é o preconizado. O protocolo do Ministério da Saúde estabelece que o manguito deve ser mantido insuflado por 3 minutos em crianças e 5 minutos em adultos. O valor de 10 minutos é um distrator sem fundamento técnico.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa afirma que todos os passos estão corretos, tanto na ordem quanto no conteúdo. De fato, a sequência apresentada no enunciado está de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde: (1) verificar a pressão arterial; (2) calcular a pressão arterial média pela fórmula (PAS + PAD)/2; (3) insuflar o manguito até o valor médio e manter por 3 minutos em crianças; (4) desenhar um quadrado de 2,5 cm no antebraço e contar as petéquias; (5) considerar positiva com 10 ou mais petéquias em crianças. A ordem lógica e os valores estão corretos.
A prova do laço é um exame simples, barato e de grande valor na triagem da dengue. Dominar a técnica e os valores de referência é essencial para o médico na prática clínica, especialmente em períodos de epidemia, quando a identificação precoce dos sinais de alarme pode salvar vidas. Lembre-se: a prova do laço positiva não confirma dengue, mas acende o alerta para a necessidade de monitoramento mais próximo do paciente.
Gabarito: letra E