Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2023

MedicinaEpidemiologia
Código
qq905834
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Tapejara - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Pediatra
A prova do laço positiva é uma manifestação frequente nos casos de dengue, principalmente nas formas graves e, apesar de não ser específica, serve como alerta, devendo ser utilizada rotineiramente na prática clínica como um dos elementos de triagem na dengue e, na presença da mesma, alertar ao médico que o paciente necessita de um monitoramento clínico e laboratorial mais estreito. A sequência abaixo descreve os 5 passos para executar o exame corretamente, segundo o Ministério da Saúde – Secretaria de Vigilância:1. Verificar a pressão arterial.2. Calcular o valor médio pela fórmula (PAS + PAD)/2; por exemplo, PA de 100 x 60 mmHg, então 100 + 60 = 160, 160/2 = 80; então, a média de pressão arterial é de 80 mmHg.3. Insuflar o manguito até o valor médio e manter durante três minutos em crianças.4. Desenhar um quadrado com 2,5 cm de lado no antebraço e contar o número de petéquias formadas dentro dele.5. A prova será positiva se houver dez ou mais petéquias em crianças.Sobre a sequência de passos do exame, assinale a alternativa correta.
  1. AA prova do laço positiva dá o diagnóstico definitivo da dengue e está mais indicada quando o paciente apresentar sangramento.
  2. BO passo 5 está incorreto, pois a prova é considerada positiva quando a criança apresentar 25 ou mais petéquias.
  3. CO passo 4 é desnecessário, pois a contagem do número de petéquias é feita de forma independente do tamanho do quadrado.
  4. DO passo 3 descreve a necessidade de manter o manguito insuflado por 3 minutos, mas o correto é por 10 minutos.
  5. ETodos os passos estão corretos, tanto na ordem quanto no conteúdo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Todos os passos estão corretos, tanto na ordem quanto no conteúdo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Prova do laço na dengue: técnica e interpretação

Gabarito: letra E. Todos os cinco passos descritos estão corretos, tanto na ordem quanto no conteúdo, conforme o Ministério da Saúde. A prova do laço é um teste de fragilidade capilar usado na triagem da dengue, e a sequência apresentada (aferir PA, calcular a pressão arterial média, insuflar o manguito por 3 minutos em crianças, desenhar quadrado de 2,5 cm e considerar positiva com 10 ou mais petéquias em crianças) reproduz fielmente o protocolo oficial.

A prova do laço é um exame semiológico simples e de grande utilidade na suspeita de dengue, especialmente nas formas graves. Ela avalia a fragilidade capilar, que está aumentada na doença devido à ação do vírus sobre os vasos sanguíneos. O exame consiste em obstruir o retorno venoso do braço por alguns minutos, aumentando a pressão dentro dos capilares, e observar se surgem petéquias (pequenos pontos de sangramento) na pele. O aparecimento de um número significativo de petéquias indica que os capilares estão frágeis, o que é um sinal de alerta para a possibilidade de evolução para formas graves da dengue.

A técnica correta, segundo o Ministério da Saúde, segue uma sequência lógica. Primeiro, aferir a pressão arterial para calcular a pressão arterial média (PAM), que é o valor alvo para insuflar o manguito. A PAM é calculada pela fórmula (PAS + PAD) / 2. Em seguida, insufla-se o manguito até o valor da PAM e mantém-se por 3 minutos em crianças (e 5 minutos em adultos). Após esse período, desenha-se um quadrado de 2,5 cm de lado no antebraço e conta-se o número de petéquias dentro dele. A prova é considerada positiva quando há 10 ou mais petéquias em crianças (e 20 ou mais em adultos).

É fundamental entender que a prova do laço não é específica para dengue, ou seja, pode ser positiva em outras condições que cursam com fragilidade capilar, como outras doenças virais, vasculites e coagulopatias. Por isso, ela não confirma o diagnóstico, mas serve como um importante sinal de alerta na triagem, indicando a necessidade de monitoramento clínico e laboratorial mais estreito do paciente. A positividade da prova, associada a outros sinais de alarme, ajuda o médico a decidir sobre a conduta, como a necessidade de hidratação venosa e internação.

A banca explora neste tema a confusão entre os valores e tempos do exame para adultos e crianças, além de tentar desqualificar passos que são, na verdade, essenciais para a correta execução da prova. A pegadinha central é que o candidato pode decorar os valores de forma equivocada, trocando o tempo de insuflação (3 minutos em crianças, não 10) ou o número de petéquias (10 em crianças, não 25). Guarde a fronteira entre os valores para adultos e crianças: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a prova do laço dá o diagnóstico definitivo da dengue. Isso é falso: a prova é um exame de triagem, inespecífico, que indica fragilidade capilar, mas não confirma a infecção pelo vírus da dengue. O diagnóstico definitivo é feito por exames laboratoriais específicos, como sorologia (IgM/IgG), pesquisa de antígeno NS1 ou RT-PCR. Além disso, a prova não está indicada apenas quando há sangramento; ela deve ser utilizada rotineiramente na triagem de casos suspeitos, mesmo sem sangramento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o passo 5 está incorreto porque a prova seria positiva com 25 ou mais petéquias em crianças. O valor de 25 petéquias não corresponde a nenhum parâmetro do protocolo. O correto é que a prova é positiva com 10 ou mais petéquias em crianças e 20 ou mais em adultos. O número 25 é um distrator que não tem respaldo na literatura nem no Ministério da Saúde.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o passo 4 é desnecessário, pois a contagem de petéquias seria independente do tamanho do quadrado. Isso é um erro conceitual grave: a padronização do tamanho do quadrado (2,5 cm de lado) é essencial para que o exame seja reprodutível e comparável. Sem essa padronização, a contagem de petéquias seria influenciada pela área de pele examinada, tornando o resultado subjetivo e não confiável. O quadrado delimita uma área fixa, permitindo uma avaliação objetiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o passo 3 descreve a necessidade de manter o manguito insuflado por 3 minutos, mas que o correto seria por 10 minutos. O tempo de 10 minutos não é o preconizado. O protocolo do Ministério da Saúde estabelece que o manguito deve ser mantido insuflado por 3 minutos em crianças e 5 minutos em adultos. O valor de 10 minutos é um distrator sem fundamento técnico.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa afirma que todos os passos estão corretos, tanto na ordem quanto no conteúdo. De fato, a sequência apresentada no enunciado está de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde: (1) verificar a pressão arterial; (2) calcular a pressão arterial média pela fórmula (PAS + PAD)/2; (3) insuflar o manguito até o valor médio e manter por 3 minutos em crianças; (4) desenhar um quadrado de 2,5 cm no antebraço e contar as petéquias; (5) considerar positiva com 10 ou mais petéquias em crianças. A ordem lógica e os valores estão corretos.

A prova do laço é um exame simples, barato e de grande valor na triagem da dengue. Dominar a técnica e os valores de referência é essencial para o médico na prática clínica, especialmente em períodos de epidemia, quando a identificação precoce dos sinais de alarme pode salvar vidas. Lembre-se: a prova do laço positiva não confirma dengue, mas acende o alerta para a necessidade de monitoramento mais próximo do paciente.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/qq905834