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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FUNDATEC 2023

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qq906463
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Multiprofissional: Biomedicina/Biologia
Homem, 50 anos, tabagista, apresentou febre de 38,9°C, taquicardia, hipotensão, taquipneia e alteração do estado mental. No pronto atendimento, foram solicitados exames laboratoriais que apresentaram os seguintes resultados: acidose, hiperlactatemia e leucocitose (16.000/µL) com 15% de formas imaturas (predomínio de neutrófilo bastonado); na hemocultura, foram observados cocos Gram-positivos em cachos. Assim que o tratamento foi iniciado com antibiótico e infusão de líquidos, o paciente apresentou melhora. Qual o provável diagnóstico?
  1. ASepse por Staphylococcus aureus.
  2. BChoque séptico por Staphylococcus coagulase negativa.
  3. CSepse por Streptococcus pneumoniae.
  4. DSepse grave por Pseudomonas aeruginosa.
  5. EChoque séptico por Escherichia coli.
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GabaritoA — Sepse por Staphylococcus aureus.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sepse e Choque Séptico: Diagnóstico Etiológico

Gabarito: letra A. O quadro clínico de febre, taquicardia, hipotensão, taquipneia, alteração do estado mental, acidose, hiperlactatemia e leucocitose com desvio à esquerda (15% de bastonetes) configura sepse com disfunção orgânica. O achado decisivo é a hemocultura com cocos Gram-positivos em cachos, que identifica o Staphylococcus aureus como agente etiológico — a alternativa A é a única que combina corretamente o diagnóstico sindrômico (sepse) com o agente bacteriano compatível com a morfologia descrita.

A sepse é definida como uma disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do organismo à infecção. No paciente do caso, a presença de hipotensão, alteração do estado mental, acidose e hiperlactatemia já indica disfunção orgânica, configurando sepse (e não apenas uma infecção sem disfunção). O termo "sepse grave" foi abandonado na definição mais recente (Sepse 3.0), sendo substituído simplesmente por "sepse" quando há disfunção orgânica. O choque séptico, por sua vez, é um subgrupo da sepse caracterizado por hipotensão persistente que não responde à reposição volêmica adequada, exigindo vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg, associado a lactato > 18 mg/dL. No caso, o paciente apresentou melhora após infusão de líquidos, o que indica que a hipotensão respondeu à reposição volêmica — portanto, não se trata de choque séptico, mas de sepse.

O diagnóstico etiológico é dado pela hemocultura. A descrição de "cocos Gram-positivos em cachos" é a chave morfológica: Staphylococcus spp. se organizam em cachos (estafilococos), enquanto Streptococcus spp. se organizam em cadeias ou pares (diplococos). O Staphylococcus aureus é o estafilococo mais virulento e o principal causador de sepse comunitária, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo. Já os estafilococos coagulase negativa (como S. epidermidis) são mais comumente associados a infecções relacionadas a dispositivos e cateteres, sendo menos prováveis como causa de sepse comunitária grave. O Streptococcus pneumoniae é um diplococo Gram-positivo (não forma cachos) e a Pseudomonas aeruginosa e a Escherichia coli são bacilos Gram-negativos, morfologia incompatível com o achado da hemocultura.

A distinção entre sepse e choque séptico é fundamental para a escolha da alternativa. O choque séptico é definido pela hipotensão que persiste apesar da ressuscitação volêmica adequada, exigindo vasopressores. No caso, o paciente "apresentou melhora" após o início do antibiótico e da infusão de líquidos, indicando que a hipotensão respondeu ao volume — portanto, o diagnóstico é sepse, não choque séptico. As alternativas B e E, que mencionam choque séptico, estão incorretas por esse motivo, além de apresentarem agentes etiológicos incompatíveis com a morfologia descrita.

A pegadinha desta questão está em dois níveis: primeiro, a banca tenta confundir o candidato com o termo "sepse grave" (alternativa D), que foi abandonado na nomenclatura atual; segundo, a banca oferece alternativas com agentes etiológicos de morfologia incompatível (bacilos Gram-negativos, diplococos) e com o diagnóstico sindrômico incorreto (choque séptico em vez de sepse). O candidato que domina a morfologia bacteriana e a definição de choque séptico elimina as alternativas incorretas com segurança.

Guarde o par morfologia bacteriana × diagnóstico sindrômico: é exatamente nesses dois eixos que as alternativas se dividem. A hemocultura com cocos Gram-positivos em cachos aponta para Staphylococcus aureus, e a resposta à reposição volêmica exclui o choque séptico, restando a sepse como diagnóstico.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A está correta porque combina o diagnóstico sindrômico de sepse (febre, taquicardia, hipotensão, taquipneia, alteração do estado mental, acidose, hiperlactatemia e leucocitose com desvio à esquerda) com o agente etiológico compatível com a hemocultura: cocos Gram-positivos em cachos, que é a morfologia característica do Staphylococcus aureus. O paciente apresentou melhora com antibiótico e infusão de líquidos, confirmando que a hipotensão respondeu à reposição volêmica, o que caracteriza sepse e não choque séptico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B está incorreta por dois motivos. Primeiro, o diagnóstico sindrômico está errado: o paciente apresentou melhora com a infusão de líquidos, o que exclui o choque séptico (que exige hipotensão persistente não responsiva a volume, com necessidade de vasopressores). Segundo, o agente etiológico é improvável: os estafilococos coagulase negativa são mais comumente associados a infecções relacionadas a dispositivos e cateteres, não a sepse comunitária grave em paciente sem esses fatores de risco. Embora também sejam cocos Gram-positivos em cachos, a virulência e o contexto clínico apontam para S. aureus.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C está incorreta porque o Streptococcus pneumoniae é um diplococo Gram-positivo, que se apresenta em pares (diplococos), não em cachos. A hemocultura do paciente mostrou "cocos Gram-positivos em cachos", morfologia típica de estafilococos, não de estreptococos. Além disso, o S. pneumoniae é mais comumente associado a pneumonia e meningite, e a sepse pneumocócica é menos frequente que a estafilocócica em pacientes sem asplenia ou imunodeficiência.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D está incorreta por dois motivos. Primeiro, o termo "sepse grave" foi abandonado na definição mais recente (Sepse 3.0), sendo substituído simplesmente por "sepse" quando há disfunção orgânica. Segundo, a Pseudomonas aeruginosa é um bacilo Gram-negativo, morfologia incompatível com os cocos Gram-positivos em cachos observados na hemocultura. A P. aeruginosa é mais comumente associada a infecções em pacientes imunocomprometidos, neutropênicos ou com fibrose cística, não sendo o agente mais provável neste caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E está incorreta por dois motivos. Primeiro, o diagnóstico sindrômico está errado: o paciente apresentou melhora com a infusão de líquidos, o que exclui o choque séptico (que exige hipotensão persistente não responsiva a volume, com necessidade de vasopressores). Segundo, a Escherichia coli é um bacilo Gram-negativo, morfologia incompatível com os cocos Gram-positivos em cachos observados na hemocultura. A E. coli é mais comumente associada a infecções do trato urinário e intra-abdominais, não sendo o agente mais provável neste caso.

Gabarito: letra A

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