A doença hemolítica do recém-nascido (DHRN) por incompatibilidade Rh(D) é grave.Sobre a DHRN por incompatibilidade Rh(D), analise as perguntas abaixo:• A mãe, o pai e o bebê apresentam, respectivamente, quais tipagens RhD?• Quais alterações são mais comuns de serem observadas no setor de hematologia?• Quais alterações são mais comuns de serem observadas no setor de bioquímica?Assinale a alternativa que contém, correta e respectivamente, as respostas para as perguntas acima.
ARh negativo, Rh positivo, Rh positivo – anemia macrocítica, presença maciça de eritroblastos, policromatofilia e esferócitos – bilirrubina direta elevada, assim como a total.
BRh positivo, Rh negativo, Rh negativo – anemia microcítica e hipocrômica progressiva, presença de eritroblastos e reticulocitose – bilirrubina indireta elevada, assim como a total.
CRh negativo, Rh positivo, Rh negativo – anemia microcítica e presença de eliptócitos – bilirrubina indireta elevada e bilirrubina total normal.
DRh negativo, Rh negativo, Rh positivo – policitemia vera e pecilocitose – bilirrubina direta, indireta e total elevadas, causando danos neurais.
ERh negativo, Rh positivo, Rh positivo – anemia progressiva, presença de eritroblastos e policromatofilia – bilirrubina elevada a níveis capazes de causar impregnação neuronal.
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GabaritoE — Rh negativo, Rh positivo, Rh positivo – anemia progressiva, presença de eritroblastos e policromatofilia – bilirrubina elevada a níveis capazes de causar impregnação neuronal.
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Doença Hemolítica do Recém-Nascido (DHRN) por incompatibilidade Rh(D)
Gabarito: letra E. Na DHRN por Rh, a mãe é Rh negativo, o pai é Rh positivo e o bebê é Rh positivo (herdou o antígeno D do pai). No hemograma, o achado clássico é anemia progressiva com eritroblastose e policromatofilia (resposta medular à hemólise); na bioquímica, a bilirrubina indireta (não conjugada) eleva-se a níveis capazes de causar impregnação neuronal (kernicterus). A alternativa E é a única que reúne corretamente os três grupos de informações.
A DHRN por incompatibilidade Rh(D) é uma doença imunológica que ocorre quando uma mãe Rh negativo é sensibilizada por hemácias Rh positivas do feto (geralmente em gestação anterior ou por transfusão) e produz anticorpos IgG anti-D. Esses anticorpos atravessam a placenta (por serem IgG) e atacam as hemácias do feto Rh positivo, causando hemólise. A hemólise é o evento central: o sistema hematopoiético do feto tenta compensar a destruição das hemácias produzindo mais eritroblastos (precursores imaturos) e liberando reticulócitos, o que se reflete no sangue periférico como eritroblastose, policromatofilia e anemia progressiva. A destruição das hemácias libera grande quantidade de hemoglobina, que é metabolizada em bilirrubina indireta (não conjugada, lipossolúvel). Como o fígado do recém-nascido tem capacidade limitada de conjugação (glicuroniltransferase imatura), a bilirrubina indireta se acumula no sangue. Em níveis elevados, essa bilirrubina lipossolúvel atravessa a barreira hematoencefálica e se deposita nos núcleos da base, causando a encefalopatia bilirrubínica (kernicterus), com danos neurológicos graves e permanentes.
Na prática, o diagnóstico é suspeitado pela icterícia precoce (nas primeiras 24 horas de vida), anemia e hepatoesplenomegalia. O laboratório confirma: teste de Coombs direto positivo no bebê (anticorpos aderidos às hemácias), anemia, reticulocitose, eritroblastose e hiperbilirrubinemia indireta. O tratamento inclui fototerapia (para converter a bilirrubina em formas hidrossolúveis excretáveis) e, nos casos graves, exsanguinotransfusão. A prevenção é feita com imunoglobulina anti-D administrada à mãe Rh negativo após o parto de bebê Rh positivo, evitando a sensibilização.
A distinção crucial que a banca explora é entre a DHRN por Rh e a por ABO. Na incompatibilidade ABO (geralmente mãe O e bebê A ou B), a hemólise costuma ser mais leve, a anemia menos intensa e a doença raramente causa hidropsia; na Rh, a hemólise é mais grave e progressiva. Outra distinção importante é entre bilirrubina direta e indireta: na hemólise, a elevação é predominantemente da indireta (não conjugada), enquanto a elevação da direta sugere colestase ou doença hepática. A banca também explora a confusão entre anemia macrocítica (típica de deficiência de B12/folato) e microcítica (típica de deficiência de ferro) — na DHRN, a anemia é normocítica/normocrômica, com resposta regenerativa (reticulocitose e eritroblastose), não microcítica nem macrocítica.
A pegadinha central desta questão está na tipagem Rh: muitos candidatos confundem e acham que o bebê deve ser Rh negativo (porque a mãe é negativa), mas na DHRN o bebê é obrigatoriamente Rh positivo — é justamente a incompatibilidade (mãe negativa, bebê positivo) que desencadeia a doença. Guarde a tríade: mãe Rh negativo, pai Rh positivo (homozigoto ou heterozigoto), bebê Rh positivo. É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.
DHRN por Rh(D): Tipagem (Mãe: Rh negativo, Pai: Rh positivo, Bebê: Rh positivo); Mecanismo (IgG anti-D atravessa a placenta, Hemólise das hemácias fetais); Hematologia (Anemia progressiva, Eritroblastose, Policromatofilia); Bioquímica (Bilirrubina indireta elevada, Risco de kernicterus)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A tipagem está correta (mãe Rh negativo, pai Rh positivo, bebê Rh positivo), mas as alterações hematológicas e bioquímicas estão erradas. A anemia na DHRN não é macrocítica — é normocítica/normocrômica, com resposta regenerativa (eritroblastose, policromatofilia, reticulocitose). A presença de esferócitos é mais característica da esferocitose hereditária, não da DHRN por Rh. Além disso, a bilirrubina elevada na hemólise é a indireta (não conjugada), não a direta. A elevação da bilirrubina direta sugere colestase ou doença hepática, não hemólise.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A tipagem está completamente invertida: na DHRN por Rh, a mãe é Rh negativo, o pai é Rh positivo e o bebê é Rh positivo. A alternativa traz mãe Rh positivo, pai Rh negativo e bebê Rh negativo — exatamente o oposto do que ocorre. Além disso, a anemia microcítica e hipocrômica é típica de deficiência de ferro, não de hemólise por Rh. A bilirrubina indireta elevada está correta, mas a tipagem errada já invalida a alternativa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A tipagem está parcialmente correta (mãe Rh negativo, pai Rh positivo), mas o bebê está errado: na DHRN, o bebê é Rh positivo, não negativo. A anemia microcítica é típica de deficiência de ferro, não de hemólise. A presença de eliptócitos é característica da eliptocitose hereditária, não da DHRN. A bilirrubina indireta elevada está correta, mas a afirmação de que a bilirrubina total está normal é contraditória — se a indireta está elevada, a total também estará.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A tipagem está errada: o pai é Rh positivo (não negativo) e o bebê é Rh positivo (não negativo). A policitemia vera é uma doença mieloproliferativa do adulto, não uma condição neonatal; na DHRN, o que ocorre é anemia, não policitemia. A pecilocitose (presença de hemácias em formas anormais) não é um achado específico da DHRN. Embora a bilirrubina elevada possa causar danos neurais, a tipagem e as alterações hematológicas estão incorretas.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa reúne corretamente os três grupos de informações. A tipagem é a clássica da DHRN por Rh: mãe Rh negativo, pai Rh positivo, bebê Rh positivo (herdou o antígeno D do pai). No hemograma, a anemia progressiva é o achado central, acompanhada de eritroblastose (presença de precursores eritroides imaturos no sangue periférico) e policromatofilia (hemácias jovens com coloração azulada), refletindo a resposta medular à hemólise. Na bioquímica, a bilirrubina (indireta, não conjugada) eleva-se a níveis capazes de causar impregnação neuronal (kernicterus), que é a complicação mais temida da doença.