A transfusão sanguínea é uma forma de transplante na qual o sangue total ou as células sanguíneas de um ou mais indivíduos são transferidos intravenosamente para a circulação de outro indivíduo. Ela é realizada mais frequentemente para repor o sangue perdido por hemorragia ou para corrigir defeitos causados pela produção inadequada de células sanguíneas, que pode ocorrer em uma variedade de doenças. Em relação a esse assunto, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.( ) A principal barreira para as transfusões sanguíneas bem-sucedidas é a resposta imune contra as moléculas da superfície celular que se diferem entre os indivíduos. Um dos sistemas de aloantígenos mais importante na transfusão sanguínea é o sistema ABO.( ) Os indivíduos que não expressam um antígeno de grupo sanguíneo em particular produzem anticorpos IgM naturais contra esse antígeno. Se esses indivíduos recebem hemácias expressando aquele antígeno, os anticorpos preexistentes ligam-se às células transfundidas, ativam o complemento e provocam reações de transfusão, que podem ser fatais.( ) A transfusão que desrespeite a barreira ABO pode desencadear uma reação hemolítica imediata, resultando tanto na lise intravascular das hemácias, provavelmente mediada pelo sistema do complemento, como na extensa fagocitose de eritrócitos revestidos por anticorpos e complemento pelos macrófagos do fígado e do baço.( ) Reações hemolíticas tardias após uma transfusão podem resultar da incompatibilidade dos antígenos de grupos sanguíneos secundários. Isso resulta na perda progressiva das hemácias transfundidas, provocando anemia e icterícia, esta última uma consequência da sobrecarga do fígado com pigmentos derivados da hemoglobina.A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
AV – V – V – V.
BV – F – V – F.
CV – V – F – V.
DF – F – V – F.
EF – F – F – F.
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GabaritoA — V – V – V – V.
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Transfusão sanguínea: imunologia dos grupos sanguíneos e reações transfusionais
Gabarito: letra A — todas as quatro assertivas são verdadeiras (V – V – V – V). A questão aborda os fundamentos imunológicos da transfusão: a barreira representada pelos aloantígenos de superfície (sistema ABO), a produção de anticorpos naturais (IgM) contra antígenos ausentes, a reação hemolítica imediata por incompatibilidade ABO (lise intravascular mediada pelo complemento e fagocitose) e as reações hemolíticas tardias por antígenos secundários. O conhecimento aqui é de imuno-hematologia, baseado nos princípios da resposta imune adaptativa e nos mecanismos efetores da hemólise.
A transfusão sanguínea é, essencialmente, um transplante de células. Como qualquer transplante, o sucesso depende da compatibilidade entre antígenos de superfície do doador e a resposta imune do receptor. O sistema ABO é o mais importante clinicamente porque os anticorpos contra os antígenos A e B são naturais, ou seja, estão presentes no plasma desde os primeiros meses de vida, sem necessidade de exposição prévia a hemácias estranhas. Isso ocorre porque antígenos semelhantes aos grupos A e B são amplamente encontrados em bactérias e alimentos, estimulando a produção cruzada de anticorpos. Esses anticorpos são predominantemente da classe IgM, que são pentâmeros grandes e eficientes ativadores do complemento.
Quando ocorre uma transfusão incompatível no sistema ABO, os anticorpos IgM preexistentes do receptor reconhecem os antígenos A ou B nas hemácias do doador e se ligam a eles. Essa ligação ativa o sistema do complemento pela via clássica, levando à formação do complexo de ataque à membrana (MAC) e à lise intravascular das hemácias. Além disso, as hemácias revestidas por anticorpos e fragmentos do complemento (C3b) são opsonizadas e fagocitadas por macrófagos do fígado e do baço, um processo chamado de hemólise extravascular. Essa é a base da reação hemolítica aguda, que pode ser fatal.
As reações hemolíticas tardias, por sua vez, ocorrem dias após a transfusão e são mediadas por anticorpos IgG contra antígenos de grupos sanguíneos secundários, como os sistemas Rh, Kell, Duffy e Kidd. Como o paciente pode não ter anticorpos preexistentes, a primeira exposição sensibiliza o sistema imune, e a destruição das hemácias transfundidas ocorre de forma mais lenta, principalmente por fagocitose extravascular. A hemoglobina liberada é metabolizada em bilirrubina, que sobrecarrega o fígado, levando à icterícia e à anemia progressiva.
A pegadinha desta questão é justamente a ausência de uma assertiva falsa: todas as afirmações são tecnicamente corretas e bem formuladas. A banca testa se o candidato domina os mecanismos imunológicos da transfusão em profundidade, incluindo a distinção entre reações imediatas e tardias. O candidato que sabe que a reação ABO é mediada por IgM e complemento, e que as reações tardias envolvem IgG e antígenos secundários, não se deixa enganar por possíveis inversões sutis.
ABO (IgM natural)
Antígenos secundários (IgG)
Tardia
Lise intravascular (complemento)
Hemólise extravascular (fígado/baço)
Imediata
Fagocitose + lise
Anemia + icterícia
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Assertiva 1 — ✅ Verdadeira
A assertiva afirma que a principal barreira para transfusões bem-sucedidas é a resposta imune contra moléculas de superfície celular que diferem entre indivíduos, e que o sistema ABO é um dos mais importantes. Isso está correto: os antígenos de grupos sanguíneos são moléculas de superfície das hemácias, e a incompatibilidade ABO é a causa mais grave de reações transfusionais, pois os anticorpos naturais IgM estão sempre presentes no plasma de quem não possui o antígeno. A importância do sistema ABO reside justamente na presença desses anticorpos naturais, que tornam a primeira transfusão incompatível já perigosa.
Assertiva 2 — ✅ Verdadeira
A assertiva descreve corretamente a produção de anticorpos IgM naturais contra antígenos ausentes e a consequente reação transfusional. Indivíduos do grupo A, por exemplo, produzem anticorpos anti-B; indivíduos do grupo B produzem anti-A; indivíduos do grupo O produzem ambos. Esses anticorpos são chamados de naturais porque surgem sem exposição prévia a hemácias estranhas, estimulados por antígenos de bactérias e alimentos. Quando o receptor recebe hemácias com o antígeno que lhe falta, os anticorpos IgM se ligam, ativam o complemento e podem causar hemólise intravascular fatal. A descrição está fiel ao mecanismo.
Assertiva 3 — ✅ Verdadeira
A assertiva descreve a reação hemolítica imediata por incompatibilidade ABO, com lise intravascular mediada pelo complemento e fagocitose de eritrócitos revestidos por anticorpos e complemento pelos macrófagos do fígado e do baço. Isso está correto: a ativação do complemento pela via clássica leva à formação do MAC e à lise intravascular, enquanto a opsonização por C3b e IgG promove a fagocitose extravascular. Ambos os mecanismos ocorrem simultaneamente na reação hemolítica aguda, e a descrição é precisa.
Assertiva 4 — ✅ Verdadeira
A assertiva descreve as reações hemolíticas tardias, causadas por incompatibilidade de antígenos secundários, com perda progressiva das hemácias transfundidas, anemia e icterícia. Isso está correto: as reações tardias ocorrem dias após a transfusão, mediadas por anticorpos IgG contra antígenos como Rh, Kell, Duffy e Kidd. A hemólise é predominantemente extravascular, e a degradação da hemoglobina gera bilirrubina, que sobrecarrega o fígado e causa icterícia. A descrição é fiel ao mecanismo.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os mecanismos, lembre-se: IgM + ABO = reação imediata, lise intravascular, complemento; IgG + antígenos secundários = reação tardia, hemólise extravascular, anemia e icterícia. Essa distinção é a chave para questões sobre reações transfusionais.
Gabarito: letra A — todas as assertivas são verdadeiras (V – V – V – V).